40 novos nomes da literatura latino-americana

O problema das listas é o que elas deixam de fora, mas, com algum cuidado dos responsáveis, não o que elas selecionam. Então, elas costumam valer alguma pena.

Bogotá39 foi uma iniciativa da prefeitura da capital colombiana e do Hay Festival – um festival literário que nasceu no Reino Unido em 1987, mas que acontece em diversas partes do mundo – para levantar, em 2007, os 39 “melhores” escritores latino-americanos de ficção com menos de 40 anos. Agora, dez anos mais tarde, a ideia ganhou um repeteco: três editores latino-americanos (Darío Jaramillo, Leila Guerriero e Carmen Boullosa) se debruçaram novamente sobre a literatura da região para refrescar o panorama e fazer alguns autores circularem. 

Do dominicano Junot Díaz (This is how you lose her), do chileno Alejandro Zambra (Bonsai e A vida privada das árvores, disponíveis em português), da mexicana Guadalupe Nettel e dos brasileiros Santiago Nazarian (Neve negra é sua obra mais recente) e João Paulo Cuenca (Descobri que estava morto), todos presenças assíduas em eventos literários e livrarias na última década, passamos ao colombiano Juan Cárdenas, ao mexicano Emiliano Monge e às brasileiras Mariana Torres e Natália Borges Polesso. Isso, para citar exemplos. A lista dos 40 novos nomes tem origem em 15 países da região, e inclui tanto nomes frescos quanto outros já conhecidos – como o da escritora mexicana Valeria Luiselli, que em 2016 esteve na FLIP - Festa Literária de Paraty. Merece ser investigada.

Interessante também prestar atenção nas brasileiras da seleção. Mariana Torres nasceu em 1981 em Angra dos Reis, mas vive em Madri desde os sete anos de idade. Formou-se em cinema e, em 2009, dirigiu o curta-metragem Rascacielos. Apesar de ter crescido na Espanha, Mariana traz o Brasil para a sua literatura, a partir de memórias de infância. É o que aparece no livro de contos que marca sua estreia, El cuerpo secreto, lançado pela editora espanhola Páginas de Espuma

Já Natália Borges Polesso (foto) é de Caxias do Sul (RS) e já mais conhecida do público brasileiro. No ano passado, ela venceu o prêmio Jabuti na categoria Contos e Crônicas por Amora, uma coletânea de contos publicada pela editora Dublinense. Sua estreia literária foi em 2013, também com prêmio, o Açorianos, da Prefeitura de Porto Alegre, para o livro de prosa poética Recortes para álbum de fotografias sem gente (ed. Modelo de Nuvem). Dois anos depois, em 2015, ela lançou o livro de poemas Coração à corda (Editora Patuá).

Outros autores, para quem estiver curioso: o cubano Carlos Manuel Álvarez; o equatoriano Mauro Javier Cárdenas; os colombianos Felipe Restrepo Pombo, diretor da revista Gatopardo, Giuseppe Caputo e Juan Cárdenas; o chileno Gonzalo Eltesch; o peruano Juan Manuel Robles; os argentinos Mauro Libertella e Samanta Schweblin; e o mexicano Daniel Saldaña París (além da já citada Valeria Luiselli). Uma antologia de textos de todos eles será publicada em 2018  por editoras de vários países. E ele estarão presentes no Hay Festival de Cartagena, que se celebra em janeiro do ano que vem.