Novos filmes espalham cultura latino-americana pelo mundo

Três novas produções que falam da América Latina vêm aí para espalhar um pouco da cultura da região – na própria região e no resto do mundo. Duas delas, pelas quais torcemos por uma ampla distribuição, foram apresentadas no recém concluído Festival Internacional de Cinema de Guadalajara, no México, cuja 32ª edição termina nesta sexta-feira, 17 de março e que é uma das principais vitrines latinas. A terceira tem distribuição massiva garantida.

A primeira se chama La batalla futura. Chile e faz parte, na realidade de uma trilogia de Ricardo House (Tras los caminos de Gabriela Mistral Matta, el surrealismo y más allá). Este, portanto, é mais um filme do diretor que retrata a vida de um escritor que, sob várias luzes, é um dos mais reconhecidos e adorados da América Latina hoje, o chileno Roberto Bolaño. Mas aí entra a pergunta que o diretor explora para contar sua história: ele era chileno e ponto? 

Bolaño nasceu no Chile, mas teve uma infância itinerante. Morou muitos anos também na Espanha e no México, ainda que, como dizia o próprio, “os espanhóis não me consideram um escritor espanhol, e os mexicanos tampouco”. Isso significa dizer que a escrita de Roberto Bolaño é marcada pelo exílio, que enriqueceu sua literatura e contribuiu para torná-la universal. Dá para ver um trecho do longa-metragem no CineChile - Enciclopedia del Cine Chileno, onde informam também que a estreia dele está próxima no Chile (será em 30 de março). 

O segundo filme, que competiu na seleção oficial de Guadalajara, é uma ficção que faz um apelo aos idiomas latino-americanos, a grandíssima maioria deles indígenas, que estão desaparecendo: Sueño en otro idioma. Nele, o cineasta Ernesto Contreras (de Las oscuras primaveras e Párpados Azules) conta a história de um velho indígena rude e esquivo que mora na selva de Veracruz, no México, e é um dos últimos falantes de zikril. Esse senhor não se dá mais com um amigo de sua juventude, e de que isso deixe de ser assim depende a sobrevivência desse idioma (fictício, criado especialmente para o filme). 

“Inventamos uma língua em homenagem a todos os falantes de línguas que estão perto de desaparecer. Não queríamos que ninguém se sentisse utilizado”, declarou o diretor. Vale lembrar que Sueño en otro idioma foi lançado antes no Festival de Sundance, onde ganhou o prêmio de melhor filme do público.

Por fim, a terceira produção sai do circuito quase sempre autoral dos festivais e é uma aposta pop, com tudo para ser uma bola dentro. Coco, a nova animação da Pixar/Disney com direção de Lee Unkrich (um dos responsáveis por Toy Story, Procurando Nemo etc), acaba de ter seu trailer lançado, e parece encantadora. Segundo o diretor, a ideia era escrever “uma carta de amor” ao México através e uma história sobre o Día de los muertos e a cultura mexicana. 

Tudo acontece ao redor de Miguel, um menino de 12 anos que ama música, mas está proibido de tocá-la, porque sua família teme uma maldição que ela supostamente lhe trás há décadas. Há muitas referências à música ranchera, aos mariachis, a Pedro Infante (cantor e estrela de cinema, que atuou em 62 filmes mexicanos de 1939 a 1958, era de ouro do cinema nacional), ao cachorro Xoloitzcuintle, que simboliza o deus da morte Xólotl e é uma raça típica do México, à decoração e às oferendas tradicionais do Dia de Finados no país, à Catrina do artista José Guadalupe Posada e muito mais. Uma beleza, cuja estreia mundial está prevista para novembro deste ano.