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Terça, 26 de Junho de 2007
Querô, o filme: do teatro marginal às telas |
Retrato dos meninos de ruas sem saídas, Querô, a mais famosa peça de Plínio Marcos, escrita nos anos 70 e largamente encenada nos palcos brasileiros, toma de assalto o cinema brasileiro. Essa é a segunda adaptação de uma obra de Plínio para o cinema; a primeira foi o policial Barra-Pesada, de 1977, dirigido por Reginaldo Faria.
Querô, o filme, assim como a peça, conta a história de Jerônimo, filho de uma prostituta chamada Piedade, que, após dar à luz, afoga-se em um barril de querosene. Daí o nome Querô. Criado por uma cafetina em um bordel, o menino cresce acreditando ser dono do próprio destino. Por isso, Querô não se dobra à disciplina opressora da Febem, nem ao esquema do tráfico ou das chantagens policiais e por isso sofre perseguições e vive à margem dos seus sonhos.
Esse é a estréia como diretor de Carlos Cortez, que em 1995 havia escrito com o próprio Plínio Marcos o roteiro de Vida de Cais, baseado na obra Artista da Ralé, também de Marcos, falecido em 1999. Em entrevista ao site santista Novo Milênio, Cortez conta: "Dois anos depois, saímos atrás de dinheiro". Na ocasião, o projeto não vingou porque a pecha de autor marginal sempre pairou sobre o dramaturgo. “Plínio Marcos foi o dramaturgo que deu voz a quem não tem voz", opina Cortez . Porém, aparentemente nem todos tem a mesma opinião: “Os [patrocinadores] mais sinceros abrem completamente: ‘investir em Plínio Marcos, eu?’", acrescenta.
Se o autor parece difícil, personagem é mais ainda. Segundo o diretor Carlos Cortez, "nem Deus olha pelos meus personagens". Por isso, "o aspecto do abandono [de Querô] é uma experiência muito mais universal, em lugar de pôr ênfase nas circunstâncias socioeconômicas que determinam a trajetória do personagem", diz Cortez em entrevista à Folha de São Paulo durante o Festival de Brasília.
Quem diria que o livro Uma Reportagem Maldita e seu delinqüente tão conhecido renderiam um longa que já arrebatou prêmios importantes antes mesmo de sua estréia, em agosto deste ano. Querô, o filme, venceu o Festival de Cinema de Cuiabá, acumulando também os prêmios de melhor longa-metragem, direção, roteiro (também assinado por Cortez), ator (Maxwell Nascimento), direção de arte (Fred Pinto) e produção (Débora Ivanov e Caio e Fabiano Gullane). Além de arrebatar quatro troféus Candangos no Festival de Brasília, nas categorias de melhor ator (Maxwell Nascimento), melhor roteiro, melhor som e melhor direção de arte. Já no Cine Ceará ganhou três nas categorias de melhor filme, melhor ator (Maxwell Nascimento) e melhor edição.
Documentário Eu fiz Querô
Neste mês de junho, foi lançado o documentário Eu fiz Querô, média-metragem produzido pelos jovens das Oficinas Querô, projeto que nasceu a partir da pré-produção do longa, quando a Gullane Filmes buscou o apoio da Unicef para montar oficinas de inclusão social voltadas a jovens nas áreas mais castigadas pela miséria da Baixada Santista.
Eu Fiz Querô registra todos os preparativos do elenco e lança sob o olhar adolescente mostra o cinema brasileiro em busca de espelhamento com suas matérias-primas mais viscerais, como violência, criatividade e medo. Da busca pelos garotos que atuariam ao último dia de filmagem do longa, tudo foi captado pelo olhar de Samuel de Castro e Eduardo Bezerra, meninos do projeto, em conjunto com o diretor Carlos Cortez e colaboração do ator que interpreta Querô, Maxwell Nascimento. O documentário detalha o processo de criação que faz a ponte com essa escancarada e ainda assim desprezada realidade brasileira.
Saiba mais sobre as oficinas no www.oficinasquero.com.br.
Por Paula Skromov |
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Segunda, 25 de Junho de 2007
Del lado de allá (junho): Santo versus o estrangulador de títulos
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Del lado de allá,
a coluna de Alberto Ramos, diretamente da Espanha
Santo versus o estrangulador de títulos
“Realmente, hoje em dia temos tudo em comum com a América; exceto, claro, o idioma”.
São palavras de El fantasma de Canterville*, de Oscar Wilde.
"Realmente, hoje em dia temos tudo em comum com a América; exceto, claro, o idioma".
São palavras minhas.
Bem, está certo: são um plágio das de Wilde, mas expressam com perfeição a sensação que tenho ao ver o que fazem alguns distribuidores espanhóis com títulos de filmes hispano-americanos. Claro, esse não é um fenômeno exclusivo dos filmes produzidos em países que falam castelhano; no entanto, acaba sendo duplamente absurdo quando a “tradução” se faz sem mudar de idioma.
Caberia supor que as mudanças tem a ver com diferenças dialéticas. Mas não é o caso: o filme “No sos vos, soy yo” (Juan Taratuto, Argentina, 2004) não foi traduzido para “No eres tú, soy yo”, mas foi deixado, felizmente, tal como é. Em outras palavras: as mudanças de título não respondem a critérios “geo-linguísticos” (existe a palavra?). A que respondem então? Não tenho a menor idéia.
Se vocês me permitem, vou ilustrar meu ponto com alguns exemplos (Camila, uma boa notícia: você não precisa traduzir):
aguas bajan turbias, Las (Hugo del Carril, 1952, Argentina). El infierno verde.
Águila o sol (Arcady Boytler, 1937, México). Cantinflas en el teatro.
Atacan las brujas (José Díaz Morales, 1963, México). Santo en Atacan las brujas.
Cama adentro (Jorge Gaggero, 2004, Argentina-España). Señora Beba.
Captura recomendada (Don Napy, 1950, Argentina). El inspector Stutgart.
copla de la Dolores, La (Benito Perojo, 1947, Argentina). Lo que fue de la Dolores.
Corazón de fuego (Diego Arsuaga, 2002, Argentina-Uruguay-España). El último tren.
dos huérfanas, Las (José Benavides Jr., 1944, México). Tuyo es mi destino.
Entre monjas anda el diablo (René Cardona, 1969, México). Volver, volver.
espectro del Estrangulador, El (René Cardona, 1963, México). Santo contra el espectro del Estrangulador.
fuerza de tigre, La (Camilo del Giusto, 1975, Colombia). Gángsters, policía y kárate.
gran robo, El (Edward Ross, 1968, Argentina-Italia). Siete hombres y un cerebro.
hija del engaño, La (Luis Buñuel, 1951, México). Don Quintín el amargao.
hijos de Satanás, Los (Rafael Baledón, 1971, México). Y les llamaban Satanás.
hijos que yo soñé, Los (Roberto Gavaldón, 1964, México). Los chicos de la noche.
hombre del grande río, El (Aldo Sambrell, 1980, España-Colombia). El mundo verde.
luna enamorada, La (José Díaz Morales, 1945, México). Pasión gitana.
maja de los cantares, La (Benito Perojo, 1946, Argentina). Los majos de Cádiz.
Mi niño, mi caballo y yo (Miguel M. Delgado, 1958, México). Mi niño y yo.
Mil intentos y un invierno (Manuel García Ferré, 1972, Argentina). Anteojito y antifaz.
misterioso tío Sylas, El (Carlos Schliepper, 1947, Argentina). Tela de araña.
mojado remojado, El (Alfonso Arau, 1980, México). Mojado Power.
momias de Guanajuato, Las (Federico Curiel, 1970, México). Santo contra las momias | Na realidade, essa série não está encabeçada pelo personagem “Santo, el Enmascarado de Plata" (seu nome original), mas por “Blue Demon” e “El mil máscaras”.
mundo menos peor, Un (Alejandro Agresti, 2004, Argentina). Todo el bien del mundo.
Oreja rajada (Rubén Galindo, Carlos Valdemar, 1979, México-España). Sangre de campeón.
pacto, El (Sergio Véjar, 1975, México). Amores prohibidos.
Pajarito Gómez (Rodolfo Kuhn, 1965, Argentina). El ídolo.
Perros callejeros (Gilberto Gazcón, 1980, México). El regreso de los perros callejeros.
Santo versus el Estrangulador (René Cardona, 1963, México). Santo contra el Estrangulador.
Até o mês que vem e feliz verão. (Camila, você pode traduzir “verão” como “inverno”, tá?)
* Quando era pequeno, por sinal, interpretei Lord Canterville em uma adaptação teatral, se bem que isso agora não vem ao caso.
(Imagem do acervo pessoal do roteirista e radialista mexicano Victor Banda). |
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Quarta, 20 de Junho de 2007
Meteoro, que reúne profissionais latino-americanos, estréia este mês no Brasil
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Meteoro, longa que reúne profissionais da América Latina e estréia dia 23.06 no Brasil, tem uma trajetória tão interessante quanto seu argumento. Suas filmagens tiveram início em 2002, em Juazeiro na Bahia, e terminaram em 2004 numa vila de pescadores entre Jericoacoara e Fortaleza. Do elenco, fazem parte nomes de peso, como Cláudio Marzo (do inesquecível O Homem Nu, de 1968, baseado na obra de Fernando Sabino, de Hugo Carvana) e a cubana Daisy Granados (Memórias do Subdesenvolvimento, de 1968, de Tomás Gutierrez Alea), recentemente homenageada na 14º edição do CineSul no Rio de Janeiro.
O filme é livremente inspirado na história do grupo de engenheiros, técnicos e peões contratados pelo governo JK, que fundaram o vilarejo de Nova Holanda entre o Piauí e Bahia nos anos 60. A ponte com o fato real serve de subsídio para criar uma trama tragicômica, em que primeiro esse grupo se depara com um deserto – e, além disso, com rochas que dificultam as obras – e, posteriormente, é esquecido por seus superiores, passando por penúrias como falta de água e suprimentos até falta de comunicação. A situação fica realmente feia quando até o ônibus das prostitutas, capitaneado por Madame (Daisy Granados) quebra na saída de Meteoro por danos na estrada. Aí começa uma sociedade anárquica, utópica, baseada no senso coletivo, companheirismo e amores sinceros.
O diretor é Diego de La Texera, porto-riquenho radicado no Brasil, que realizou documentários premiados internacionalmente. É também dele o famoso El Salvador: el pueblo vencerá, um importante retrato da guerra civil daquele país durante os anos 80 e traduzido em sete idiomas. La Texera criou também o InCine, Instituto Nicaragüense de Cinema, e foi convidado a integrar a prestigiada Escuela de Cine y Televisión de San Antonio de los Baños em Cuba a convite da Fundación del Nuevo Cine Latinoamericano.
A equipe é o que se pode chamar de multiétnica: além do diretor, do ator porto-riquenho Daniel Lugo e de Daisy Granados, está o elenco brasileiro com presenças conhecidas, como a Jairo Mattos e Paula Burlamaqui. O som é assinado pelo venezuelano Carlos Bolívar, a direção de fotografia é do italiano Renato Padovani, e a montagem, do argentino Cezar D'angiolillo. Outra curiosidade é que “Meteoro” foi totalmente finalizado e masterizado na Argentina.
Premiada pelo voto popular como melhor filme no Puerto Rico Cinemafest, a produção ganhou a melhor trilha sonora com o tema “A Música no Cinema” no Festival de Santo Domingo. Teve exibições no Festival de San Sebastián nas mostras Cine en Construção" e "Horizontes Latinos", no Festival de Tolouse, na mostra “Panoramas”, e entrou na seleção oficial do III Amazonas Film Festival - Festival Mundial do Filme de Aventura de 2006. Será exibido, ainda, no HBO NY Latin Film Festival.
Por Paula Skromov |
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Terça, 19 de Junho de 2007
Satanás, a mais recente estréia do cinema colombiano, pelo olhar de Alexander Bustamante
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Quando soube que o filme Satanás ia estrear na Colômbia, à minha cabeça chegaram as vagas recordações da notícia que há 20 anos comoveu o país – e que eu, pela minha curta idade, não compreendia. Como uma pessoa podia cometer a atrocidade de entrar em um restaurante e matar todos os presentes? Agora, com mais anos e mais claridade, chegam à memória certas páginas do livro baseado em fatos reais, escrito por Mario Mendonza, que registrou sua investigação sobre o ocorrido e o produto de alguns encontros com o assassino. Quando o livro chegou às minhas mãos, o li rapidamente, tratando de encontrar uma resposta. Neste momento, então, seu relato me estremeceu, e a qualidade de seus escritos me produziu certo ceticismo por uma possível adaptação cinematográfica. Mas, ao ver o filme, ficou para trás a desconfiança, caíram as dúvidas, e eu mudei radicalmente de opinião.
Satanás, o filme, pode comover, irritar e até ferir as suscetibilidades de um público sensível. É que não trata de maquiar um acontecimento trágico: os fatos reais, crus e devastadores ocorridos em 1986, quando 28 pessoas morreram nas mãos de Campo Elias Delgado (o que é retratado explicitamente na fita), que - como mostram o registro - poderiam acontecer em qualquer lugar. Neste caso, não é o entorno que tem a responsabilidade do crime; a retratada é um tipo de violência diferente da que vemos normalmente na Colômbia por assuntos políticos ou pela ação de delinqüentes com pretensões específicas. No filme, o que se mostra é uma radiografia da psicologia humana e de sua natureza, o que nos faz pensar por que é que acontecem essas coisas. Onde se dá, na mente, a batalha mais cruel? Essa era a guerra vivida pelo protagonista. Vimos expostos seus pensamentos mais rotineiros em uma solidão hermética e que diariamente o atormentavam e que depois cresceram, pressionando sua cabeça até ela explodir, em uma onda de ressentimento e morte. Matar foi a única saída aos seus tormentos, por isso empreendeu uma última viagem, sem regresso.
As três histórias que se entrelaçam e são desenvolvidas no filme de maneira paralela descrevem acontecimentos da vida de uma jovem bonita que explora homens ricos como forma de vida, de um sacerdote que se libera de suas tentações sexuais com a 'senhora' das chaves e de um veterano da guerra do Vietnã, que sobrevive dando aulas de inglês em uma cidade que não é mesma de Campo Elías, mas um lugar que se apresenta como um vazio, juntando tudo. Os três relatos têm como fator comum o desespero silencioso, latente com a rendição às tentações. Ninguém escapa à crueldade e às equivocações que comete, os personagens só se purificam com a morte, aquela que nos faz renascer quando a sentimos próxima.
A película nos apanha com facilidade, causando impacto desde o início, porque pode nos faz acompanhar as vítimas em sua angústia, sentir o medo dos outros – e, com a tensão angustiante, transborda um torrente de sentimentos encontrados. A intriga cresce como uma bola de neve costa abaixo e, mais bem como fogo, desperta paixão e dor.
As cenas construídas cuidadosamente, matizadas de cinzas e azuis, dão o caráter frio é lúgubre que requer o tema. A cidade onde são geradas as história se apresenta como uma urbe qualquer, cheia de contrastes e com cruel indiferença. Satanás se livra de exageros de efeitos e ganha uma textura limpa, com uma qualidade visual que surpreende.
Cabe destacar a impecável atuação do mexicano Damián Alcázar (interpretando Campos Elias Delgado), conhecido por suas participações como protagonista em La ley de Herodes e Crónicas e em um papel secundário como sacerdote revolucionário em O crime do padre Amaro. A adaptação de seu sotaque mexicano ao bogotano é de longe bastante convincente, com sua voz cortante. Parece tranquilamente qualquer cidadão da capital.
Resumindo, o virtuoso diretor colombiano Andrés Baiz, depois de três anos trabalhando muito próximo do escritor Mário Mendonza, brinda ao espectador uma dose de consciência com uma realização impecável, que pode nos cortar a respiração e nos fazer agarrar a cadeira com força.
* Colombiano de Bogotá, Alexander Bustamante, 28, é designer gráfico e diretor de arte para cinema. |
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Segunda, 18 de Junho de 2007
Suíte Habana é lançado em DVD no Brasil
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Filme que se destaca por suas ambições narrativas através do som, Suíte Habana (2003), do diretor Fernando Pérez, acaba de ser lançado no Brasil em DVD pela Imovision. No documentário que flerta com musical, dez personagens da capital cubana – variados, ainda assim típicos – são acompanhados em suas rotinas diárias: um jovem bailarino, uma senhora vendedora de amendoins, uma criança com síndrome de Down, um médico que sonha em ser ator, entre outros. Algo melancólica, a mensagem da obra é que Cuba, apesar das dificuldades e da pobreza com que convive a maioria das pessoas, é um país de gente que batalha sem perder a alegria – e nem o inevitável “rebolado latino”.
São 80 minutos sem nenhum diálogo, entrevista ou narração. A trilha sonora, composta por Edesio Alejandro e Ernesto Cisneros com exclusividade para o filme, é que marca o ritmo da narrativa. Na abertura, burburinhos sinalizam o início de mais um dia, que vai crescendo em ritmo e barulho. Ao meio-dia, os sons estão à máxima intensidade, até que o fim da tarde se aproxima com serenidade, e a noite finalmente chega com sua boemia. Um novo amanhecer surge então com a canção "Quiere-me Mucho", já utilizada por Pérez em seu trabalho anterior, La Viba és Silbar (1999).
Suíte Habana coleciona alguns prêmios, incluindo, em 2003, o de melhor filme no Festival de San Sebastián e os de melhor diretor, melhor música, melhor documentário e melhor coral (além do prêmio FIPRESCI) no Festival de Havana. Em 2004, recebeu o Prêmio da Crítica e Júri de Melhor Filme Latino no Festival de Gramado, onde foi indicado ao Kikito de Ouro. |
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Sexta, 15 de Junho de 2007
Evo Morales no cinema
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A filmografia boliviana, de escassas produções, agora já inclui um filme sobre a vida do presidente Evo Morales. O longa Evo Pueblo, do diretor Tonchi Antezana, mal encerrou suas filmagens e já está causando alvoroço. Não é para menos: com toda a polêmica da peleja com a gigante Petrobrás, entre outras, a figura de Morales soa, no mínimo, polêmica, especialmente como tema de um documentário. Para o diretor Antezana, em nota ao Estado de São Paulo, “[Evo Pueblo] é simplesmente uma história. Não pretende elevar o Evo ao posto de super-herói e nem denegri-lo”.
A última gravação do filme foi no dia 03.06, de uma cena que remonta a morte do líder indígena Tupac Catari, comandante de um levante popular em 1781 contra autoridades coloniais.Tupac Catari, que foi esquartejado em praça pública, é um personagem emblemático na Bolívia e uma grande inspiração para Evo desde criança.
O filme narra a infância pobre de Morales em Orinoca, uma das regiões mais pobres da Bolívia, que, por sua vez, carrega o triste título de país mais pobre da América do Sul. Depois a dura passagem para a juventude em subempregos e trabalhos no campo até entrar para o movimento sindical, tornar-se líder político dos cocaleiros e chegar à presidência em 2006.
Evo Pueblo deve chegar às telas entre setembro e outubro deste ano na Bolívia, sem previsão de estréia no Brasil. No documentário, há passagens históricas sobre uma Bolívia ainda pouco conhecida. É ver e conferir.
Por Paula Skromov |
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Quinta, 14 de Junho de 2007
Documentário sobre Paulo Freire é lançado no silêncio da mídia
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O mais novo documentário de Toni Venturi (foto) é o retrato de um dos maiores intelectuais brasileiros: Paulo Freire. Em Paulo Freire contemporâneo, Toni quer mostrar quão atuais continuam as idéias do autor de Pedagogia do Oprimido, livro que apresenta o Método Paulo Freire, proposta pedagógica para analfabetos, pobres e oprimidos. Baseado na própria experiência, Freire contou certa vez que foi alfabetizado no chão de seu quintal e “à sombra das mangueiras, com palavras do meu mundo e não do mundo maior de meus pais”. Por isso, conseguiu formular um método que prega a tolerância, a libertação e a emancipação populares e que também visa ao diálogo, o poder crítico e a cidadania.
O filme, que tem duração de 53 minutos, venceu o concurso da TV Escola que oferecia apoio do Ministério da Educação, da Secretaria de Educação à Distância do MEC e do Pnud – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. E mostra a importância de Paulo Freire exatamente no momento em que o Brasil, assim como toda a América Latina, padece com a falta de qualidade no ensino público, como declarou o diretor do documentário em entrevista à Agência Brasil: “O pensamento freiriano, de caráter humanista, é muito importante para o Brasil ainda hoje. Mais do que nunca, atual, em um momento em que a sociedade clama por uma educação pública de qualidade”.
A obra de Venturi inclui retratos importantes da historiografia brasileira, dentre eles merecem destaque os excelentes O Velho (1997), sobre Luís Carlos Prestes, e Dia de Festa (2004), que acompanha a vida dos Sem Teto no centro de São Paulo.
Freire foi acusado durante o golpe militar em 1964 de “subverter a ordem” e viveu exilado com a esposa e os cinco filhos no Chile, Bolívia, Suíça, Tanzânia e Guiné-Bissau. Em sua trajetória, publicou mais de 40 livros, recebeu títulos de doutor honoris causa em todo o mundo. Cuba é um dos países que aplicou com sucesso seus princípios pedagógicos. Infelizmente, o filme Paulo Freire contemporâneo, apesar de sua importância, não tem sequer prevista sua exibição nas salas de cinema do país.
Para saber mais sobre Paulo Freire, acesse: www.paulofreire.org
Por Paula Skromov |
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Quarta, 13 de Junho de 2007
El hombre del Marañón: uma aventura sobre a natureza humana
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O rio Marañón, último obstáculo dos Andes Orientais no Peru, integra um fenômeno geológico que os quéchua chamam de pongo (porta). A turbulência e a força de suas águas são a porta para um país que vai muito além da mística em torno de Machu Pichu.
O documentário El Hombre del Marañón nasceu da idéia de Raúl Gallegos, diretor do filme, em registrar o isolamento das comunidades que vivem às suas margens, assim como suas riquezas culturais, a biodiversidade das regiões e os problemas causados pela mineração, desmatamento e contaminação da água.
A produção do filme é assinada pelo também peruano Fernando Valdivia, prestigiado documentarista e diretor de fotografia que assinala, em nota do site Nativeworks, a importância de El Hombre del Marañón: “A diversidade cultural do meu país é um patrimônio valiosíssimo, com o qual aprendo a cada dia e que necessita de pontes de comunicação dialogantes, horizontais e heterogêneas. Como documentarista, trabalho em produções para o cinema e a TV que mostrem a relação entre o homem e seu meio e também o sincretismo ao redor, além dos processos dinâmicos de transformação nas culturas indígenas peruana”.
O processo de criação e os relatos seguem curso do rio, que se confunde com o destino das pessoas que vivem às suas margens. Há muito mais sobre a cultura peruana do que se possa imaginar através das águas do Marañon, desde quando nasce, a 5.800 metros acima do nível do mar, até percorrer mais de 15.000 km, chegando até a Amazônia peruana. O filme é dividido em quatro capítulos: “El Hombre de las alturas”,”El Hombre del Valle”, “El Hombre del Bosque Húmedo”,”El Hombre de las Tierras Bajas”, o filme tem como protagonistas essas pessoas de diferentes culturas que dependem do rio e de sua biodiversidade.
O relato de um homem que vive a 4.000 metros de altura e trabalha incansavelmente para manter sua família abre o documentário. Depois, quem toma a cena é uma menina de 13 anos que tenta cuidar de seu irmão mais novo, enquanto sofre assédio dos caminhoneiros que atravessam a ponte sobre o rio. Mais adiante, um menino da comunidade awajun explica as propriedades medicinais das plantas da região. E, por fim, uma mulher percorre as águas caudalosas do baixo Marañón em sua loja flutuante.
A idéia surgiu há 31 anos, quando Raúl Gallegos, sua esposa e um amigo poeta realizaram um trabalho com os indígenas awajun e continuou viajando até a região por muitos anos, cultivando o sonho de relatar a experiência mágica de outros olhares sobre a vida. Em 2006, o projeto ganhou o prêmio do Primeiro Programa de Fomento à Produção e Teledifusão do Documentário, o DOCTV Iberoamérica (DOCTV IB), edição iberoamericana do programa DOCTV brasileiro promovido pela TV Cultura e o Ministério da Cultura, no Peru realizada pela CONACINE e pela Televisón Nacional de Peru.
O filme, que está em fase de pós-produção e deve estrear este ano no Peru, levou 50 dias para ser filmado, percorreu 29 províncias no nordeste peruano, seis ecossistemas diferentes e consumiu 100.000 dólares. O trabalho é fruto da parceria de Gallegos com o também peruano Fernando Valdivia, prestigiado diretor de fotografia e documentarista que realizou trabalhos como Por um caminho inca (1988). E ao que tudo indica, pode abrir portas para mais produções regionais, prova disso é a declaração de Valdivia para o jornal peruano El Comercio: “Estamos cansados de ver outros falando e projetando imagens nossas, pensando por nós, construindo diante do mundo nossa identidade desde sua subjetividade e interesses particulares”.
Por Paula Skromov |
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| Nome: | Camila | | Data: | 14/06/2007 | | Contato: | camila.moraes@gmail.com | | Comentário: | Os comentários agoram estão no ar! Participem já! | | | | |
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Terça, 12 de Junho de 2007
Ponte Brasil-Venezuela nas telas
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Dez documentários brasileiros serão projetados na Cinemateca Nacional da Venezuela – e em todas as salas comunitárias do país – entre os dias 15 e 21.06. A iniciativa acontece graças a uma parceria entre o Instituto Cultural Brasil Venezuela e a própria Cinemateca.
Dos destaques da programação fazem parte O prisioneiro da grade de ferro (Paulo Sacramento, 2004), Poeta de sete faces (Paulo Thiago, 2002), Edifício Master (Eduardo Coutinho, 2002) e um documentário que a revista Plátano Verde, ótima publicação venezuelana sobre comportamento e cultura, diz recomendar de olhos fechados: Notícias de uma guerra particular (Kátia Lund e João Moreira Salles, 1999).
Eleito um dos melhores filmes brasileiros contemporâneos pela Revista de Cinema e vencedor da competição nacional de documentários do festival É Tudo Verdade, o filme (foto) retrata a violência urbana no Brasil, especialmente no Rio de Janeiro. |
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Terça, 12 de Junho de 2007
Brasil é o grande vencedor do 17º Cine Ceará
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Depois de premiar o argentino O guarda-costas (El custodio), de Rodrigo Moreno, em sua primeira edição ibero-americana, ano passado, o Cine Ceará 2007 elegeu Querô, de Carlos Cortez, o seu melhor filme. O longa, que fala da infância abandonada baseado na obra de Plínio Marcos, também levou o troféu de melhor ator pela atuação de Maxwell Nascimento.
O melhor curta também foi para o Brasil, com a vitória de Vida Maria, do cearense Márcio Ramos. Já premiado em outros festivais (Tiradentes, Recife, Natal e Floripa), o filme – “uma animação mágica, encantadora mesmo”, nas palavras da jornalista Maria do Rosário Caetano - está recolhendo elogios e troféus por onde passa.
Entre os latinos de fala espanhola foram dois os destaques: La edad de la peseta (Cuba), que levou os prêmios de melhores diretor, trilha sonora e direção de arte, e El cruce, de Rafael Rosal, por ser o primeiro filme guatemalteco exibido no Brasil. Saiu sem prêmios do Ceará, mas ganhou o prêmio Oscarito, da Câmara Municipal de Fortaleza.
Confira os principais prêmios da 17ª edição do Cine Ceará, que aconteceu entre os dias 01 e 08.06:
Mostra Competitiva Ibero-Americana
LONGA-METRAGEM
Melhor Longa (U$ 10,000 - dez mil dólares): Querô, de Carlos Cortez
Melhor Direção: Pavel Giroud, por La edad de la peseta
Melhor Roteiro: Pablo Bardauil, com Chile 672
Melhor Fotografia: Paulo Ares, por Body rice
Melhor Edição: Paulo Sacramento, por Querô
Melhor Som: Pedro Melo, Gerard Rousseau e Elsa Ferreira, por Body rice
Melhor Trilha Sonora Original: Ulises Hernandez, por La edad de la peseta
Melhor Direção de Arte: Vivian del Valle, por La edad de la peseta
Melhor Ator: Maxwell Nascimento, por Querô
Melhor Atriz: Magdyel Ugaz, por Mariposa negra
Mostra Competitiva Brasileira
CURTA-METRAGEM
Melhor Curta: Vida Maria, de Marcio Ramos
Melhor Direção: Alexandre Basso, por Paralelos
Melhor Fotografia: Roberto Iuri, por No rastro do camaleão e sol de amém
Melhor Edição: Joa Pimentel e Leandro Cazumbá, por Câmara viajante
Melhor Roteiro: Carlos Eduardo Nogueira, por Yansan
Melhor Som: Chico Borôro, por Paralelos
Melhor Direção de Arte: Carlos Eduardo Nogueira, por Yansan
Melhor Ator: Cláudio Jaborandy, por Dia de folga
Melhor Atriz: Leuda Bandeira, por Sol de amém |
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Segunda, 11 de Junho de 2007
Ganas de América Latina
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Os caminhos do Che: um diário de motocicleta, série produzida pela brasileira Canal Azul para a National Geographic, foi estreada nesse domingo, 10.06, simultaneamente no Brasil e na versão em espanhol do canal a cabo.
Criado com o objetivo de despertar nos jovens do continente o interesse pelas culturas que os rodeiam, o programa deixou, já com o primeiro capítulo, um gostinho permanente de descoberta.
Gostinho esse, inegável nas palavras do argentino Gustavo Prepelitchi, um dos protagonistas da aventura. Ele já foi picado por América Latina e, sem titubear, recomenda as conseqüências do mal. Confira a entrevista exclusiva e completa sobre sua experiência à Latina:
Qual é sua história e o que você faz? Como chegou a participar do documentário da National Geographic sobre o trajeto do Che?
Nasci em Buenos Aires e sempre vivi aqui. Apesar de ter conhecido muitos lugares, incluindo a Europa, para onde fui algumas vezes, e quase toda a América Latina, creio que não poderia viver um tempo longo em outra cidade. Amo Buenos Aires.
Tenho 25 anos. Estou a uma semana de me graduar em Economia e trabalho como voluntário em uma ONG, a Fundação Grameen, de microcréditos para pessoas em situação de emergência. Sempre trabalhei em escritórios, com trabalhos formais e entediantes. A oportunidade da viagem me permitiu abrir a cabeça, tanto que juro que não voltarei a pisar em um escritório para fazer um trabalho de que não goste. Isso vai me custar – terei que viver com menos dinheiro –, mas me prometi que será assim.
A oportunidade me envolver com o documentário apareceu, porque uma amiga me mandou um e-mail que dizia que a National Geographic buscava jovens que gostassem de viajar para participar do projeto. Eu não cumpria um montão de requisitos (sobretudo ligado à arte, como saber cantar, dançar etc), mas mesmo assim enviei uma foto minha com a moto. Sempre gostei de motos, e era uma das condições saber dirigir bem. Bem, depois de dois meses e um longo processo de seleção, fui escolhido com Beatriz Ortiz para encarar a aventura.
Como foi organizada a viagem em termos de entrevistas, deslocamentos e gravações?
A rota foi baseada no livro que o Che escreveu sobre sua viagem. Como ele, recorremos desde Córdoba, Argentina, até o sul do país, depois cruzamos para o Chile e subimos pela costa do Pacífico (passamos por Osorno, Temuco, Valdívia, Los Angeles, Santiago, Calama, Antofagasta, Iquique, Arica, entre outros), chegamos ao Peru (Tacna, Tarata, Mazocruz, Cuzco, Lima, Iquitos e San Pablo), depois à Colômbia pelo Amazonas (Leticia, Bogotá e Cucuta) e, finalmente, ao último país do trajeto, a Venezuela (San Cristóbal e Caracas).
Não muito foi pautado de antemão, com exceção da busca por alguns personagens específicos, como, por exemplo, os mineiros das minas do Chile e os ex-doentes de lepra no leprosário do Peru... Tudo foi sendo definido no meio do caminho. Tínhamos pequenas tarefas para cumprir (entrevistar algum historiador, dormir em uma casa de família), que íamos fazendo aos poucos. Não havia roteiro, era tudo natural. Filmava-se quase todos os dias, de sol a sol, com exceção dos dias em que tínhamos que nos deslocar.
Até Santiago do Chile fomos de moto, depois viajamos de ônibus, de carona, em caminhão ou em qualquer coisa. Muitas vezes, viajávamos somente nós dois, outra vezes, com a equipe técnica.
Você fez alguma espécie de preparação antes de sair?
Não quis ir condicionado a experiência do Che, queria viver minha própria aventura. Por isso, apenas li seu diário de viagem e me deixei levar pelas minhas próprias experiências. Não sou fanático por ele, apesar de saber bastante sobre sua vida. Sim, também li sobre outros países, buscando dados que poderiam me permitir entrevistar melhor os personagens. E me serviu bem. Fora isso, não houve nada.
Como foi estar ao lado da Beatriz, a outra viajante?
Foi bem. A gente se deu bem, não discutimos, nem tivemos contratempos. Não vou negar que houve certa dificuldade às vezes, porque tivemos que conviver durante quase três meses, durante as 24 horas do dia. Em alguns momentos, precisava ter um tempo sozinho, para pensar e processar tudo o que estava acontecendo. Éramos uma boa equipe de trabalho, nos complementávamos bem. Ela tem muita energia e bom humor, eu sou mais tranqüilo, mais pensativo. Desta maneira, tínhamos muitas ferramentas para nos aproximar das pessoas.
Não sendo ator, foi difícil ficar diante das câmeras para fazer as entrevistas?
No princípio, foi difícil eu me esquecer da câmera. Depois, com o passar dos dias, quase sempre me esquecia que estava aí, e tudo acabou sendo mais natural. Era lindo ver como as pessoas dos povoados mais distantes recebiam as câmaras e as viam como uma possibilidade de conhecer o mundo.
Qual foi a experiência mais especial de toda a viagem?
Sem dúvidas, foi a do leprosário de San Pablo, no Peru, onde conhecemos pessoas incríveis, com histórias muito tristes. Também conhecemos aí muita gente que teve contato com o Che real, que estavam aí quando ele passou há mais de 50 anos. Essa gente nos demonstrou que somente com amor se pode ser feliz. São pessoas que foram abandonadas no meio do Amazonas por sua doença e hoje, curados, não têm mais contato com suas famílias. Estavam sozinhos no meio do nada e, mesmo assim, tinham motivo para nos sorrir. Foi uma das experiências mais ricas da minha vida.
Como foi a reação dos argentinos em relação à série?
Aqui tem uma movimentação bem grande da imprensa em relação ao projeto, primeiro pelo que representa Che Guevara para este país, depois porque essa história da sua viagem é uma das preferidas por aqui. Além disso, creio que o público jovem se sente atraído pela idéia de viajar através da televisão por tantos lugares. Suponho que o fato de que um protagonista comum, além de argentino, os faz sentir que eles mesmos poderiam ter feito essa viagem. Isso é atraente. Agora que a série realmente começou, vamos ver como será a repercussão.
O que ficou de toda a experiência? Como é sua visão hoje da América Latina?
Foi uma experiência única, mágica e que não se repetirá. Tenho sorte por ter participado e acredito que, mesmo com falhas, o trabalho foi bem feito, porque foi autêntico. Viajei como teria viajado qualquer jovem, com os olhos abertos e disposto a conhecer tudo o que se apresentasse no caminho. Quanto à América Latina, as coisas não parecem ter mudado muito em relação a quando o Che fez a viagem. Ainda somos muito pobres, explorados por nossos governos corruptos e, em muitos casos, excluídos totalmente do sistema. Mas, por outro lado, ficou para mim algo positivo: o valor das pessoas, um fator que permanece imutável. Todos com quem cruzamos eram encantadores, dispostos a dar todo seu amor e a nos ajudar tendo muito, pouco ou mesmo nada. Esse foi um forte paralelismo com a viagem do Che. Para mim, é a parte mais linda da experiência.
Quais são seus planos para o futuro?
Estou terminando a graduação em Economia. Depois, a partir de julho, penso em estudar cinema seriamente. Atualmente, estou fazendo alguns cursos curtos. Além disso, estou fundando uma produtora (El Jardín) com um amigo, com o objetivo de contar histórias de pessoas, falando de seus valores e nos deixando levar por suas experiências e, assim, aprender. Acreditamos que a televisão de hoje não aborda muito o tema do valor humano, e isso é o que queremos fazer. Esperamos ter êxito na empreitada e, se não, da mesma maneira valerá a tentativa!
Por Camila Moraes |
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| Nome: | Roberta Freitas | | Data: | 17/03/2008 | | Contato: | robertafreitas2001@yahoo.com.br | | Comentário: | Primeiramente quero elogiar o maravilhoso trabalho da série,assisto sempre e sinto-me como se estivesse viajando com vocês,desejo imensamente fazer uma viagem como essa um dia.A naturalidade que é apresentada no programa é algo único,realizada por sujeitos singulares capazes de exprimir a natureza humana na sua essência do cotidiano.Espero que trabalhos como esse, repitam-se na TV,pois é disso que precisamos,perceber nossas diversidades e formar uma pluralidade de identidades culturais.Parabéns!
Roberta Freitas
Historiadora/Professora de história
Fortaleza/CE-BRASIL | | | | |
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Segunda, 11 de Junho de 2007
Cineasta haitiano retrata a vida de Karl Marx
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A obra do diretor haitiano Raoul Peck é bastante marcada pelo tom de denúncia, provocado por um tema que lhe interessa muito: os males do capitalismo. Em sua próxima produção, ainda sem nome, ele abordará uma parte pessoal da vida de Marx - incluindo seu amor por Jenny Von Westphalen, de origem aristocrática, com quem Marx se casou em 1843. A amizade com Friedrich Engels, co-autor do Manifesto, também será retratada.
O elenco ainda não foi escalado. Mas Jacques Bidou, produtor, já adiantou ao site francês cinema09.neuf.fr que os atores serão jovens, pois "Raoul quer fazer esse filme para um público amplo". Com previsão de estréia para o final de 2007, o longa custará US$ 20 milhões e será todo rodado em inglês. As filmagens vão acontecer entre França, Alemanha, Bélgica e Luxemburgo.
O filme engloba o período de maior produção intelectual de Marx, entre 1830 e 1848, incluindo sua temporada em Paris antes de ser expulso para Bruxelas, que culmina na publicação do Manifesto do Partido Comunista. "Marx era considerado um jovem gênio, mas sua época foi marcada pelo nascimento de um grande movimento de pensadores", comentou também Bidou.
Raoul Peck escreveu e dirigiu o filme Sometimes in April (2004), em produção com a HBO, sobre o genocídio ocorrido em Ruanda na década passada e que contabilizou mais de um milhão de mortes e 3,5 milhões de refugiados. Contemporâneo ao badalado Hotel Ruanda (2004), Sometimes in April foi comentado pelo crítico de cinema Luiz Carlos Merten no site brasileiro Movimento das Artes: "Raoul Peck, que é negro e haitiano, é bom esclarecer, fez um filme no mínimo melhor e mais honesto do que o manipulativo e sentimental Hotel Ruanda".
A história é de um soldado hutu que deserta ao tentar salvar sua família tutsi e se recusar a participar do genocídio. Além das imagens terríveis para as quais o mundo cobriu os olhos, o filme também visita o palco dos tribunais da ONU, dez anos depois, quando são julgados os seus criminosos de guerra. Vale a pena conferir.
Mais de Sometimes... no site oficial www.hbo.com/films/sometimesinapril.
Por Paula Skromov |
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Sexta, 08 de Junho de 2007
Festival do Rio abre inscrições para Première Brasil
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A Première Brasil é a mostra competitiva de produções brasileiras dentro do Festival do Rio, cuja edição 2007 ocorre entre os dias 20.09 e 04.10 deste ano. A organização do evento está com inscrições abertas para produções nacionais nas categorias longa-metragem de ficção, longa-metragem documentário e curta-metragem. Vale acrescentar que só podem participar trabalhos que ainda não tenham sido comercializados e que estejam em formato 35 mm ou digital (dentro do encodamento da Rain, empresa brasileira que tem entre seus sócios a finalizadora e pós-produtora Estúdio Mega).
O Festival do Rio existe desde 1999, da fusão de dois antigos festivais: Mostra Banco Nacional de Cinema e Rio Cine Festival. Hoje, o evento contempla além de mostras e premiações, uma plataforma de negócios internacionais, incluindo distribuição, co-produção e tecnologia.
No ano passado, recebeu 300 produções de 60 países exibidas em 25 cinemas, sete lonas culturais e na praia de Copacabana. E um dos grandes vencedores da festa de premiação no Cine Odeon Br foi o curta-metragem documentário: Mauro Shampoo - Jogador, Cabeleireiro e Homem, de Leonardo Cunha Lima e Pedro Henrique Fontenelle, sobre um cabeleireiro, ex-jogador de futebol que se torna folclórico depois de atuar no pior time do mundo. A produção faturou Melhor Curta-Metragem pela escolha do público, o Troféo ABD&C também por Melhor Curta e o Prêmio PortaCurtas Petrobrás.
A data limite para as inscrições é 31 de julho e maiores informações também sobre o regulamento e inscrição on-line estão no site oficial: www.festivaldorio.com.br. |
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Sexta, 08 de Junho de 2007
Meirelles começa a filmar
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O diretor brasileiro Fernando Meirelles, autor de Cidade de Deus (2002) e O jardineiro fiel (2005), levou uma década para concretizar seu sonho de levar para o cinema a obra literária Ensaio sobre a cegueira, do português José Saramago, ganhador do prêmio Nobel de Literatura. Desde 1997, Fernando Meirelles tentava, sem sucesso, convencer Saramago a vender os direitos de seu romance – sobre uma repentina praga não identificada e incurável que se alastra por uma cidade, causando entre seus habitantes uma cegueira massiva e inexplicável.
Mas isso até junho do ano passado, quando foi chamado pela produtora canadense Rhombus para estudar o projeto. Ali, Meirelles se deparou com Blindness: "Voltou para as minhas mãos", comentou o diretor ao jornal O Estado de São Paulo, durante a apresentação oficial do projeto no Festival de Toronto.
Justiça poética ou não, José Saramago só aceitou vender os direitos à Rhombus baixo as seguintes exigências: que fosse uma co-produção internacional, sem uma “voz dominante” e com a certeza de que o filme não cairia nas mãos de Hollywood, como relata a Folha de São Paulo em entrevista com o produtor canadense Niv Fichman.
Blindness tem produção orçada em US$ 25 milhões e, nas palavras do diretor brasileiro, ao jornal O Globo, “[será] uma produção independente e internacional. O Brasil entra com os talentos e o dinheiro captado por leis de incentivo, o Canadá com o projeto e o roteiro e o Japão com muito dinheiro”.
As filmagens começam neste mês, em São Paulo, e depois partem para locações em Montevidéu e Toronto. Rodado em inglês, Blindness tem roteiro adaptado pelo canadense Don McKellar, que não se deixou intimidar e, em nota do GloboOnLine, declarou: “O tom essencial do livro é a dignidade humana e como na nossa sociedade os artifícios para mantê-la são frágeis".
No elenco: Mark Ruffallo (Zodíaco) interpreta a primeira vítima da peste e também Julianne Moore (As horas), Danny Glover (A Cor púrpura, atualmente diretor e produtor do épico Toussaint Loverture sobre o líder haitiano, com apoio do governo da Venezuela), Gael García Bernal (Babel) e a brasileira Alice Braga, que atuou em Cidade de Deus.
A O2 Filmes divide a produção com a inglesa Poitboiler Productions. A estréia é prevista para março de 2008. Parafraseando o fictício “Livro dos conselhos” na contra-capa do livro, há uma citação que mostra a tremenda reponsabilidade dessa adaptação: "Se puderes olhar, vê. Se podes ver, repara".
Por Paula Skromov |
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Quinta, 07 de Junho de 2007
Cinema latino floresce em São Paulo
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E começa a contagem regressiva: já tem data marcada a aguardadíssima segunda edição do Festival Latino-Americano de São Paulo, que em 2006 atraiu tantos interessados em cinema latino ao Memorial da América Latina, a sede do evento. Com exibições gratuitas também na Cinemateca e no Cinesesc, como no ano passado, o festival agora presta homenagem ao cineasta mexicano Paul Leduc, autor de Frida, naturaleza viva (1986), premiado no Festival de Berlim. O filme, por sinal, vem a ótimo tempo, já que em julho comemora-se o centenário da pintora mexicana (1907-1954).
Com presença confirmada de Leduc e curadoria do cineasta João Batista de Andrade, o Festival Latino-Americano acontece de 23 a 29.07, com previsão de exibir mais de 100 títulos, entre clássicos e produções recentes. Da programação, já fazem parte Nascido e criado, novo filme do argentino Pablo Trapero, inédito no Brasil; Mariposa negra, do peruano Francisco Lombardi; O mais bonito e meus melhores anos, do boliviano Martin Boulocq; A idade da peseta, do cubano Pavel Giroud; En el hoyo, do mexicano Juan Carlos Rulfo (Grande Prêmio do Júri da competição Cinema Mundial do Sundance Festival); o argentino As mãos, de Alejandro Doria; e os chilenos Arcana, de Cristóbal Vicente (documentário premiado em Lima, Barcelona, Santiago, Bruxelas, Munique, Lisboa e Havana) e O rei de São Gregório, de Alfonso Gazitúa. A variedade das produções escolhidas atende ao principal objetivo do festival: discutir a singularidade estética da cinematografia latino-americana.
Realizada pelo Memorial da América Latina, pela Secretaria de Estado da Cultura e pela secretaria do Ensino Superior, com apoio da Cinemateca Brasileira e do Sesc São Paulo, a iniciativa é mais que bem-vinda: estimula, discute e faz florescer o cinema latino em São Paulo e no Brasil, país que aos poucos vai quebrando barreiras culturais e abrindo seus olhos à produção cultural de seus vizinhos.
Em breve, mais novidades a respeito da programação estarão disponíveis no site do Memorial. Imperdível.
Por Camila Moraes
Foto: cena da abertura da primeira edição do Festival. |
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Quinta, 07 de Junho de 2007
Festival de Havana abre inscrições e aguarda produções brasileiras
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O Festival de Havana convoca anualmente longas-metragens de ficção, documentários, animações, roteiros originais e cartazes – além de promover fóruns, debates, seminários e outros tipos de trocas culturais entre latino-americanos envolvidos com o mundo do cinema. Apesar de estar centralizado na capital, o evento também ocorre em outras cidades cubanas e costuma abrir espaço para produções de outros continentes em mostras contemporâneas. Sem, contudo, abrir mão de seu principal objetivo: celebrar as imagens e a cultura da América Latina.
Como disse o grande cineasta cubano Tomás Gutierrez Alea: “Se faço cinema é também para satisfazer uma necessidade de expressão e comunicação, para estabelecer contato com o mundo, entendê-lo e desfrutá-lo melhor, contribuir para que outros também o entendam e desfrutem... Até onde a história nos permita, está claro!”.
Prova desta perseverança é que o Festival del Nuevo Cine Latinoamericano de la Habana, mais conhecido como Festival de Havana, completa agora 29 anos de história. E o público comprova as palavras de Alea, já que o evento atrai cinéfilos de todos os cantos de Cuba, tem suas salas de projeção lotadas e, nas últimas edições, registrou uma média anual de 500 mil espectadores só na capital. Um feito surpreendente em um país, cuja população total é de 2,2 milhões de pessoas.
Na última edição do evento, o Brasil faturou os prêmios de melhor filme (O céu de Suely, de Karim Anöuz), melhor atriz (Hermila Guedes), terceiro melhor longa de ficção (Os 12 trabalhos, de Ricardo Elias), melhor som (João Godoy e Eduardo Santos Mendes por Antonia), as premiações do júri especial nas categorias documentário (O fim e o princípio, de Eduardo Coutinho) e ficção (o atualmente em cartaz no Brasil É proibido proibir, de Jorge Durán, que é chileno radicado no Brasil). E menção honrosa para “De restos e das solidões”, do cearense Petrus Carury.
Além dos prêmios para dois nomes de destaque: Chico Buarque levou Melhor Música por O Maior Amor do Mundo (tema do filme homônimo de Cacá Diegues) e Oscar Niemeyer que foi homenageado por seus 99 anos no palco lotado do Teatro Karl Marx e premiado pelo cartaz que elaborou para o documentário A vida é um sopro (Fabiano Maciel) sobre sua trajetória.
A comissão de seleção do Festival de Havana percorre Argentina, Brasil, Chile, Venezuela e México entre os meses de junho e agosto. No Brasil, as inscrições devem ser feitas pelo site do evento e vão até o dia 24.06, data de encerramento da 14º CineSul, onde há um representante do Festival, como informa o Projeto Pr@Arte Brasil.
A 29ª edição acontece, como sempre, no mês de dezembro, entre os dias 04 e 14.12.
Mais informações também estão disponíveis no site www.cuba-cursos.org/havana ou através do e-mail do Festival: festival@festival.icaic.cu.
Por Paula Skromov
Foto: cena de O céu de Suely. |
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Quarta, 06 de Junho de 2007
Curtas latinos: festival paulistano faz convocatória
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Encerram-se no próximo 17.06, para produções latinas, as inscrições para mais uma edição do Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo, que será realizada entre os dias 23.08 e 01.09. Especificamente para as brasileiras, o prazo é até 21.06.
Com o objetivo de criar um rico panorama da produção de curtas na América Latina, o evento convida interessados de qualquer país latino a inscrever seus filmes – finalizados em vídeo ou película – para participar da Mostra Latino-americana.
O regulamento, assim como mais detalhes do festival, estão disponíveis no site www.kinoforum.org. Já no www.shortfilmdepot.com são realizadas as inscrições dos curtas.
Já em sua 18ª realização, o Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo atraiu um público de cerca de 30 mil pessoas para 424 produções inscritas em 2006 e é considerado um dos mais importantes eventos dedicado a curtas do mundo. Participe! |
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Quarta, 06 de Junho de 2007
América Latina antes e depois: National Geographic estréia documentário sobre viagem do Che
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Depois de inspirar o bem-sucedido Diários de motocicleta, filme co-produzido entre Argentina, Estados Unidos, Cuba, França e mais cinco países sob direção do brasileiro Walter Salles, a viagem de oito meses realizada por Che Guevara aos 23 anos pela América do Sul vira tema de um apetitoso documentário realizado pela National Geographic, a entrar no ar no Brasil a partir do domingo próximo, 10.06, às 23h.
No programa – uma série de 10 episódios de 30 minutos de duração –, dois jovens partem em viagem pelo continente sul-americano para investigar a cultura dos lugares por onde Che passou, descobrindo suas mudanças (e também a ausência delas) mais de 50 anos depois e entrevistando personalidades encontradas ao longo do caminho. Ambos latino-americanos, eles são Gustavo Prepelitchi – argentino, estudante de Ciências Econômicas e empenhado em questões sociais – e Beatriz Ortiz – colombo-equatoriana, professora e defensora da igualdade de direitos.
Segundo contou Juan Alberto Gómez (Off Hollywood), responsável pela produção geral ao longo da viagem, os argentinos receberam a novidade com grande empolgação: “Há outdoors, várias notícias na mídia e uma ótima recepção por parte do público. A viagem, inclusive, irá virar uma revista por lá”. Na Argentina, a National Geographic irá exibir os episódios também aos domingos, sempre às 23h.
Batizado de “Os caminhos de Che: um diário de motocicleta”, o documentário foi realizado a partir de São Paulo, com núcleos de produção locais e uma equipe itinerante, e é uma co-produção da empresa brasileira Canal Azul para National Geographic International em associação com a TVE Brasil.
Com a iniciativa, a idéia é que os jovens latino-americanos, especialmente os brasileiros, animem-se a explorar seu próprio continente e, com isso, estimulem a integração cultural por essas bandas. “Os brasileiros viajam pouco para outros países da América do Sul. É uma pena... Além de barata, a experiência é inesquecível e muito marcante”, opina Juan.
Para saber mais sobre a série e seus protagonistas, visite o site da National Geographic. |
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| Nome: | Cláudia Mariano | | Data: | 30/09/2007 | | Contato: | cacauvecchio@gmail.com | | Comentário: | A-do-rei o documentário,simplesmente bem feito,educativo,instigante...de tirar o fôlego!!!! Como professora,recomendo a todos que o assistam. Gostaria de saber se ele será lançado em DVD e,como faço para enviar mensagens de congratulações ao Gustavo e a Beatriz pois, eles são d !! Em muitos momentos não pude deixar de emocionar-me com sua trajetória belíssima!!!Procuro não perder a reappresentação aos domingos,pela manhã.Um abraço a todos!!! | | | | |
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Terça, 05 de Junho de 2007
CineSul 2007 transforma Rio de Janeiro em babel do cinema ibero-americano
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Entre os dias 12 e 24.06, acontece o 14º Festival Ibero-Americano de Cinema e Vídeo no Rio de Janeiro. Com 500 trabalhos inscritos, o evento promete agitar a cidade com produções audiovisuais inéditas em língua portuguesa e espanhola. Brasil, Cuba, Argentina, México, Espanha, Portugal, Chile, Venezuela, Bolívia e outros países exibem seus mais recentes títulos em vídeo e cinema em três mostras competitivas – categorias longas de ficção, documentários e vídeos de médias e curtas-metragens. Além das mostras paralelas de curtas: “Foco México”, que revela a recente produção mexicana, “Madrid en Corto”, com trabalhos produzidos pela Escuela de Cinematografia y del Audiovisual de la Comunidad de Madrid (ECAM), “Kimuak”, com produções bascas, a mostra “Fernando Alves Pinto”, com 20 curtas em diversos suportes e que celebram aspectos do cineasta paulista, e “Panorama Curta”, com 12 obras feitas em película.
Entre os 10 longas de ficção selecionados para a mostra competitiva estão o peruano Mariposa negra, de Francisco Lombardi, o cubano La edad de la peseta, de Pavel Giroud, fruto da parceria entre o Instituto Toscano e o Festival Sundance, o equatoriano Qué tan lejos, de Tania Hermida, e o argentino Solos, de José Glusman. Na categoria documentários os destaques são o brasileiro Jardim Ângela, de Evaldo Mocarzel, o espanhol El reverso de la realidad, de Alejandro Alvarado, a co-produção Chile-Reino Unido Cruel separación, de Sarah Boston, e Ensaio sobre teatro, do português Rui Simões. E ainda, a mostra VideoSul traz 43 vídeos com curtas e médias-metragens, alguns deles prestigiados, como o brasileiro Justiça ao insulto, de Bruno Jorge (seleção oficial do 59º Festival de Cannes) e o venezuelano Adan y Eva, de Laura Muñoz – além do atualíssimo Kola Suyo, co-produção Brasil-Bolívia sobre a crise política do gás, dirigido por Pedro Dantas.
Na programação do festival, três personalidades do cinema latino-americano serão homenageadas. Primeiro, o ator e diretor brasileiro Hugo Carvana, por seus 70 anos de vida e contribuição ao cinema, ao teatro e à TV (sua carreira conta com a atuação no clássico Terra em transe, de 1968, e a direção de Vai trabalhar vagabundo, de 1973, Se segura malandro, de 1978, entre outros). Também a atriz cubana Daisy Granados, cuja carreira começou com o célebre Memórias do subdesenvolvimento” (1967), de Tomás Gutierrez Alea. E, finalmente, o argentino Leonardo Favio, diretor, cantor e compositor, cuja trajetória inclui sucessos como Nazareno Cruz y el lobo, filme mais visto na história do cinema argentino.
O festival surgiu focado em produções do Mercosul, no decorrer de suas edições, abraçou a América Latina inteira e, no ano passado, decidiu absorver também as cinematografias espanhola e portuguesa. Segundo Orlando Senna, em nota no site do Ministério da Cultura brasileiro, “hoje é o Cinesul consolidou-se como vitrine da produção de cinema e de vídeo da América Latina”. E a respeito da sua criação e de uma das idealizadoras do Festival, Ângela José do Nascimento, falecida há poucos meses, Senna acrescenta: “Além de criadora desse grande festival, Ângela teve trabalho importante como jornalista, crítica e autora de livros como Olney São Paulo e A peleja do cinema sertanejo”.
As exibições serão no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), no Centro Cultural Correios, na Casa França-Brasil, na Cinemateca do MAM e no Centro Cultural da Justiça Federal.
Para maiores informações, acesse o site oficial:
http://www.cinesul.com.br/site_2007.
Por Paula Skromov |
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Terça, 05 de Junho de 2007
O passado, de Alan Pauls, leva Hector Babenco de volta à Argentina
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Aeroporto internacional de Buenos Aires, um cineasta observa títulos no interior de uma livraria, até que um livro lhe chama a atenção. O livro é o premiadíssimo O passado, obra do argentino Alan Pauls, vencedor do prêmio Herralde de literatura em língua espanhola. O cineasta, não menos argentino, é Hector Babenco. Assim aconteceu o primeiro encontro que culminou em uma das adaptações para o cinema mais aguardadas do ano. O jovem Alan Pauls é tão talentoso quanto controverso e chega a fazer críticas públicas ao estilo do grande Julio Cortázar (O jogo da amarelinha). Já Babenco, veterano, não se rende aos encantos do cinema platino, mas reconhece as presenças de Lucrecia Martel (O pântano, A menina santa) e do uruguaio Adrián Caetano (Crônica de uma fuga). E quando os dois, por fim, encontraram-se, decidiram transpor os desafios que requer uma adaptação.
O passado versa sobre um casal que não suporta mais viver junto, mas anos depois volta a se encontrar. Os personagens Sofia e Rímini, segundo Alan Pauls, são a representação "do que resta de uma paixão, uma vez que esta se extingue. É um livro sobre as ruínas da paixão e os fantasmas que nascem dessas ruínas". Com um tom tragicômico, a obra literária desconstrói mitos e, por seu grau de crítica, não deixa de ser universal.
Como o fio condutor é o passado, vale lembrar que Babenco conquistou o Oscar com O Beijo da Mulher Aranha (1984), graças também à adaptação do brilhante romance do argentino Manuel Puig. Puig e Pauls têm em comum a intimidade com o mundo das imagens. Manuel Puig desenvolveu um poder narrativo graças à sua experiência na Cinecittà, quando estudava cinema e acabou por se entregar às letras. Pauls, antes de se tornar um dos mais badalados ensaístas da Argentina, foi roteirista e chegou a atuar como crítico de cinema.
Há uma seqüência de metalinguagens constante na própria produção. Por isso mesmo, Babenco assume, em entrevista à Agência Estado: "Sou metade argentino e metade brasileiro, mas tentei preservar minha raiz argentina". O argentino que se fez cineasta no Brasil experimenta o regresso às origens ao cuidar pessoalmente do roteiro, logo depois de a dramaturga Marta Góes preparar a primeira fase. Em declaração ao site Tribuna OnLine, diz: "As versões finais do roteiro estão sendo feitas por mim. Notei que, para fazer a versão em espanhol, já que o filme será falado nessa língua, seria complicado. Então, as últimas versões foram feitas por mim, mas o trabalho da Marta foi muito útil". Assim como Pauls parece também ter claro que “é necessário um certo grau de infidelidade na tradução de um texto literário para o cinema e, por isso, a única coisa que espero é que essa infidelidade seja o mais agradável e inspirada possível".
Na produção, são diversas as referências aos clássicos do cinema mundial: A história de Adèle H, de François Truffaut, e Rocco e seus irmãos, de Luchino Visconti, no livro foram usadas como elementos de linguagem visual. Aliás, no filme também está Gael García Bernal (Babel) na pele de Rímini, ao lado de atores brasileiros de peso como Paulo Autran e Betty Faria. A trilha sonora merece destaque com as composições do polonês Zbigniew Preisner, favorito de Krzystof Kieslowski, e criador das trilhas de filmes como A dupla vida de Véronique (1991) e da Trilogia das Cores (1993/94).
Com estréia adiada, antes prevista para maio de 2007 , O passado deve chegar aos cinemas no segundo semestre do ano. Essa história de pós-paixão, rodada em Buenos Aires e São Paulo, diz tanto sobre Babenco como Alan Pauls: "Todo mundo é polígamo. Não vive só com a pessoa com quem está casado, mas também com todas as pessoas que amou, as que deixou, as por quem foi deixado". Agora, é esperar.
Por Paula Skromov
Foto: Héctor Babenco na pré-produção de Foolish heart, história auto-biográfica falada em inglês que deveria ter sido rodada em Mar del Plata, sua cidade natal, no início dos anos 90. |
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