 |
 |
Quarta, 31 de Outubro de 2007
Com presença gringa, Panamá investe em cinema |
Foi somente em 17.07 deste ano que a Ley 26 de apoio ao cinema panamenho foi criada no país que une a América Central à América do Sul. E, apesar de ter sido necessário apoio externo – neste caso, a campanha de apoio realizada pelo cineasta norte-americano M. J. Knight, que chegou ao Panamá em 2001 e se tornou um dos maiores incentivadores da lei –, os panamenhos começam ver os primeiros frutos da novidade, ainda que meio gringos.
O próprio M.J. Knight, depois de vários anos de trabalho, contou ao portal Prensa.com que concretizou o primeiro de seus projetos realizados no Panamá, o filme La pasión del hipnotista (The Hypnotist´s Passion). O diretor comentou que o filme, realizado em locações como Cerro Azul, Ciudad del Saber e Avenida Balboa e falado em inglês, conta a história de um hipnotizador que perde sua filha em um acidente e faz uma viagem no tempo para escapar deste momento. Entre os artistas nacionais do casting 100% nacional estão Ana Pérez, La Chechi, Jaime Luna, Fariba Hawkins e Gloriana Reyes.
Segundo a reportagem, a película estrou em salas comerciais em janeiro deste ano, porém, após ter sido enviada aos Estados Unidos para a realização de alguns ajustes sugeridos por especialista em cinema panamenhos, entrará novamente em cartaz – além de participar do American Film Market, um mercado de filmes independentes que acontecerá em Los Angeles entre os dias 01 e 07.11.
Outros projetos de Knight, já escritos mas ainda não rodados, são os filmes Panama Passion e Panama imprints. “Panama Passion mostrará as paisagens espetaculares do país, enquanto Passion imprints irá narrar uma história de mistério que acontece durante a construção do Canal do Panamá”, revela o diretor.
Antes tarde…
Uma das mais tardias leis de cinema da América Latina, a Ley 26 do Panamá tem o objetivo de fomentar projetos audiovisuais realizados em território panamenho e também contribuir para conservação do patrimônio fílmico nacional, além de estimular a cultura audiovisual do público.
O apoio será tarefa do Estado e, neste âmbito, será criado o Registro Nacional de la Industria Cinematográfica y Audiovisual como parte Ministério de Comércios e Indústrias. Para a administração dos fundos e estímulos à produção, comercialização e exibição cinematográfica, será criado também o Fondo para el Desarrollo Cinematográfico y Audiovisual Nacional. Que venham os filmes panamenhos.
Por Camila Moraes |
|
|
|
|
|
|
 |
|
| |
|
Terça, 30 de Outubro de 2007
Filme brasileiro vence festival de Viña del Mar
|
A 19ª edição do Festival de Cine de Viña del Mar, Chile, que aconteceu entre 21 e 27.10, entregou seu prêmio máximo ao filme brasileiro Grão. O filme do diretor cearense Petrus Cariry recebeu no encerramento do evento a estatueta Paoa Nui, ou Gran Paoa.
Petrus, que acaba de realizar seu primeiro longa, é filho do conhecido cineasta nordestino Rosemberg Cariry (A saga do guerreiro alumioso).
O Grão conta a história de uma avó que, sabendo que está prestes a morrer, conta ao neto a história de um casal de reis muito poderoso, que perdeu o filho e sonha em trazê-lo de volta à vida (veja o trailer abaixo).
Deserto sur, do chileno Shawn Garri, foi o filme que mais ganhou estatuetas no evento: por preferido do público, do júri do jovem espectador, melhor diretor e prêmio especial do jurado para a atriz Carolina Varleta.
Outros prêmios de destaque foram para La ciudad de los fotógrafos, de Sebastián Moreno (melhor documentário ibero-americano) e El niño de barro, de Jorge Algora (prêmio da imprensa por melhor longa-metragem internacional).
|
|
|
|
|
 |
Terça, 30 de Outubro de 2007
Em Buenos Aires: mostra de cinema para trabalhadores e artistas
|
Acontece nos dias 24 e 25.11, no Centro de Exposiciones de Buenos Aires, a primeira Muestra Internacional de Films sobre Trabajo e Inclusión Social. O evento, organizado pelo Ministerio do Trabalho, Emprego e Seguridade Social da Argentina e a revista Haciendo Cine, acontece junto à segunda Exposição Nacional de Empresas Recuperadas por trabalhadores.
O objetivo da iniciativa, segundo a organização, é dar a possibilidade a trabalhadores, organizadores sociais, artistas e estudantes de expor seus trabalhos sobre a problemática em questão em um âmbito de encontros entre apresentadores das obras e o público.
Os que desejem participar com seus filmes podem entrar em contato com a revista. A data limite para a entrega dos trabalhos é 15.11.
Muestra Internacional de Films sobre Trabajo e Inclusión Social
Centro de Exposiciones
Avenida Figueroa Alcorta com avenida Pueyrredón
Mais informações através do e-mail: haciendocine@haciendocine.com.ar. |
|
|
|
|
 |
Domingo, 28 de Outubro de 2007
De El matadero a Tropa de elite
|
Uma tradição da narrativa da América Latina
Muitos autores coincidem em afirmar que a literatura argentina é inaugurada, no século XIX, com El matadero, de Esteban Echeverría. Nesse relato, pela primeira vez é capturada, no texto erudito, a voz dos não letrados. Ela aparece como uma fala-ação (xingamentos, encorajamentos à violência) encapsulada pelo travessão de diálogo dentro de um texto dominado pelo narrador onisciente. Os trabalhadores do matadouro são descritos de uma maneira que os aproxima à escala animal e que os mostra brutais e sedentos de sangue nobre. Tais personagens são projeção do medo paranóico que a elite “criolla” tinha do povo miúdo da periferia da cidade ainda muito próxima do campo.
Essa narrativa, de 1837, é prenúncio do dilema que marcaria a cultura dominante da América Latina: civilização versus barbárie. Se os pobres são os bárbaros e violentos, é preciso por em ação a violência preventiva contra eles. Esse relato inaugural impregnou o discurso da elite argentina, que legitimou a campanha de extermínio dos índios, e a repressão primeiro aos “criollos” pobres e depois aos trabalhadores imigrantes. “Classes populares, classes perigosas”. Mas o enredo de El matadero acaba com a morte de um “homem de bem” nas mãos dos miseráveis. É inquietante. Parece dizer: “Alguma coisa precisa ser feita para parar com essa barbárie”. De El matadero ao discurso da última ditadura argentina há um mesmo traço: “A guerra suja exige métodos cirúrgicos, sem anestesia”, dizia Videla.
O filme Tropa de elite faz operação semelhante e, de quebra, dá a solução no próprio enredo. Pretende ser crônica de uma “guerra”, narrada pelo protagonista. Na guerra “vale tudo”, justifica. A morte de um jovem de classe média, que mantém uma ONG na favela, queimado com “colar” de pneumáticos, serve como justificativa para a morte do seu assassino, na ficção. E como justificativa para a morte pela polícia de mais de 900 moradores de favelas no Rio de Janeiro no que vai do ano, na realidade. Se a polícia militar aparece como corrupta no filme, o Batalhão de Operações Especiais, também da polícia, aparece como o núcleo puro, que conserva os valores já perdidos pelo resto da corporação. Isto investiria o BOPE de prerrogativas que o autorizam a passar por cima da lei, à tortura e ao assassinato.
Comparando as duas narrativas, podemos dizer que se perdeu a sutileza. A solução sugerida, deixada em aberto em El matadero, e que rendeu uma seqüência de massacres ao longo da história argentina, no filme de José Padilha faz parte do próprio enredo. E é bastante explicável que assim seja: o massacre não está sendo apontado como solução possível, ela já está em curso. A elite precisa apenas justificá-la, para que suas tropas possam continuar agindo sem dó, superando o sentimento de culpa das classes médias com um discurso, esse sim, bem simples: “Cúmplice de bandido é bandido”, e assim deve ser tratado. E, isto não é colocado em discussão: bandido não pode ser tratado como gente. O tom com que isto é dito não dá lugar a questionamento: afinal, bandido não tem dó.
Algo que ambos relatos têm em comum – e que é parte fundamental da sua eficiência persuasiva – é a captura do registro da voz dos pobres. E mais, “heróis” e “bandidos” compartilham um registro lingüístico cru, que não suporta abstrações. Contrasta como a fala dos jovens estudantes de classe média que freqüentam a faculdade e a favela, onde mantém uma atividade beneficente. Lêem Vigiar e punir enquanto fumam um baseado. O seu discurso é de uma ingenuidade caricatural. A fala da tropa que sustenta a elite evidencia sua origem social. Assim como os bandidos, eles também são pobres. Nem eles nem os bandidos se enganam: há uma guerra. E na guerra morre todo tipo de gente.
O “herói” cuidadosamente construído, o “Capitão Nascimento”, protagonista e narrador que relata em passado, não quer a guerra. Quer sair dela, dedicar-se à família. Mas alguém tem que fazer o trabalho sujo. Ele procura um substituto. O enredo é basicamente esse: a procura de um substituto. A guerra precisa de novos combatentes, não apenas para ocupar o lugar dos que tombam, mas também daqueles que já deixaram sua tranqüilidade, sua saúde, sua condição humana no confronto. De outra maneira: ninguém agüenta muito tempo no BOPE. Tem que sair antes de ficar maluco. Isto é bem verossímil. Reconhecível.
As escolhas do autor permitem o efeito de verossimilhança e a eficiência na imposição do sentido defendido pelo BOPE. Quais as escolhas? O narrador e o foco narrativo; o uso do passado para a narração que Nascimento faz em off; o enredo que consiste na procura de um substituto para o herói, o que permite a seleção de episódios e cenas e se articula com a construção dos três personagens do BOPE (Nascimento, Mathias e Neto), os únicos personagens complexos, o resto (bandidos, policiais militares comuns e jovens ingênuos de classe média) são personagens planos.
Fora da ficção das telas, o BOPE não entra nas favelas com a cara e a coragem. Sobem em veículos blindados. O “caveirão”. A justificativa é a suposta guerra, que não afeta as elites que jogam a tropa de pobres contra os pobres, enquanto suporta, patrocina, faz negócios e participa do tráfico em grande escala. A elite não dá conta de controlar as bordas do grande negócio do tráfico e não sabe bem o que fazer com o crescente “excedente” populacional. O BOPE está para isso: para fazer o trabalho sujo de torturar e matar os moradores das favelas.
A ficção não é inocente, ela age no campo das narrativas para justificar esse trabalho sujo. Assim, ele se insere numa tradição do gênero narrativo, o das elites da América Latina. Tradição que podemos remontar a El matadero. Nas periferias, nos movimentos populares, na produção do hip hop, os pobres vêm construindo seu contra-relato.
Por Silvia Beatriz Adoue*
* Silvia Beatriz Adoue é argentina e vive no Brasil há vários anos. É professora de Teoria da Literatura, mestre em Integração Latino-Americana e doutoranda em Literatura Hispano-Americana. Escreveu este artigo com exclusividade para La Latina. |
|
|
|
|
 |
Sexta, 26 de Outubro de 2007
Cine latino em "curtas” VIII
|
Leia as rápidas sobre a mostra itinerante Brasil Plural, a investida do cinema de Porto Rico para conquistar o exterior, os longas competitivos do Festival de Brasília e o documentário de Gianni Minà com Fidel Castro sobre o Che.
:: Cinema brasileiro viaja por países europeus
Brasil Plural é a mostra de cinema brasileiro itinerante que, agora em sua 10ª edição, vai viajar por 12 cidades da Alemanha, Áustria e Suíça. Organizado pela associação cultural Polemika com o objetivo de difundir cinema nacional no Brasil e no exterior, o evento dá especial atenção aos curtas-metragens, mas também irá exibir cinco longas a partir de deste mês. A viagem já começou em Munique, no sul da Alemanha. Mais informações podem ser conseguidas com a organização do evento.
:: De Porto Rico para o mundo
Depois de Venezuela e Chile, Porto Rico anunciou a criação de mais um programa de promoção do cinema local. Cinema Porto Rico, uma iniciativa que será levada adiante pela Corporación de Cine de Porto Rico, será anunciada no próximo dia 31.10, durante o American Film Market, um dos principais eventos de negócios cinematográficos dos Estados Unidos.
:: Festival de Brasília está para começar
Está programada para novembro, de 20 a 27, a 40ª edição do Festival de Brasília, um dos principais eventos brasileiros de cinema. A mostra competitiva já anunciou os seis longas-metragens que irão concorrer: Amigos de risco, de Daniel Bandeira; Anabazys, de Paloma Rocha e Joel Pizzini; Chega de saudade, de Laís Bodanzky; Cleópatra, de Júlio Bressane; Falsa loura, de Carlos Reichenbach; e Meu mundo em perigo, de José Eduardo Belmonte. Saiba mais no site do Distrito Federal e aguarde mais notícias da Latina sobre o tema.
:: Fidel fala sobre o Che em Roma
Fidel racconta il Che é o nome do documentário realizado pelo jornalista italiano Gianni Minà para o Cuban Memories, uma coleção de sete documentários sobre a ilha (todos feitos por Minà). O filme – uma série de entrevistas com Fidel Castro entre 1987 e 1990 sobre Che Guevara e a Revolução Cubana – tem trechos inéditos e foi um dos documentários mais aguardados do Festival de Roma, que termina amanhã, 27.10. Depois do evento, Fidel racconta irá viajar por outros festivais neste e no ano que vem, quando Gianni, há mais de 20 anos dedicado a temas latino-americanos, completa 50 anos de carreira.
Foto: Gianni Minà com Fidel Castro. |
|
|
|
|
 |
Quarta, 24 de Outubro de 2007
Tomando o pulso da Colômbia
|
Diego García-Moreno, documentarista colombiano com mais de 20 anos de experiência, quer provocar uma “catarse social na Colômbia”. Para isso, fez um filme sobre o maior dos símbolos – e o maior dos símbolos do seu país – o coração.
Estréia amanhã (25.10), em toda Colômbia, incluindo seus cantos mais remotos, o documentário Proyectando... El corazón, um longa-metragem que, a partir da história de dois personagens principais, ligados por problemas de coração, tem o objetivo de estabelecer uma relação entre o órgão físico e o coração social. Para isso, e usando o cinema como plataforma mas não se reduzindo a ele, García-Moreno foi na raiz do problema que é chegar ao público, e optou por uma estratégia de distribuição alternativa, massiva e, ele espera, transformadora.
El corazón será exibido simultaneamente em 150 “salas” do país, incluindo espaços como universidades, casas de cultura e praças ao ar livre. Após a projeção do filme, a idéia é comentar seu tema, cantar músicas e ler poesias e, com isso, provocar uma renovação do pensamento de espectadores que estiveram longe do cinema, seja por esquecimento de quem faz os filmes ou por puro desinteresse.
O diretor falou com exclusividade à Latina sobre seu projeto. Confira o bate-papo e torça pela estréia no Brasil (o filme foi parte da última edição do festival É Tudo Verdade, de São Paulo).
Como será a estréia de El corazón?
Será alternativa. Não um evento de tapete vermelho, mas um evento social em que o detonador é o cinema. O filme é uma desculpa para pensar no nosso próprio país, na guerra que nos tocou viver, no nosso coração social que está doente. Estaremos em espaços diferentes, além das salas de cinema, e em diferentes partes da Colômbia, incluindo zonas de conflito.
De que trata o documentário?
É um seguimento a um soldado que foi atingido por uma mina em Medellín, e essa mina se instalou dentro do seu coração. De um lado, por puro milagre, ou “obra do Sagrado Coração”, e de outro, pelo trabalho de um médico, o soldado se salvou. Ele foi operado por um especialista local em operações de coração aberto por trauma, um dos poucos no mundo, cuja mulher mais tarde também adoeceu do coração. Tudo isso no país do Sagrado Coração, e do coração em guerra, que é a Colômbia.
Qual sua opinião sobre o atual panorama de incentivo à produção cinematográfica na Colômbia?
Acho que está muito bem. Minha crítica é que o incentivo à produção de documentários seja tão reduzida. Apesar da lei de cinema ter oferecido ajudas – El corazón, por exemplo, faz parte disso –, pouco ainda foi feito, sobretudo num país como a Colômbia, em que a produção documental tem enorme importância. Enfim, ainda estamos por construí-lo.
Na sua opinião, a Colômbia tem tradição documental?
Há documentários importantes aqui. O fato é que, nos países latinos, a relação com o real é extremamente importante. É uma necessidade, independente de falar de uma cinematografia. É criar memória, é ser testemunha de seu próprio tempo.
Veja aqui um trecho do filme:
Por Camila Moraes |
|
|
|
|
 |
Terça, 23 de Outubro de 2007
Fox lança série 100% latino-americana
|
Estréia nesta quinta-feira, 25.10, a primeira série da Fox que é totalmente produzida na América Latina. Intitulado Tiempo final e filmado em High Definition com apenas uma câmera, o programa fará um revezamento de diretores e atores latinos.
Quem começa na direção é um trio de cineastas colombianos – Juan Felipe Orozco (Al final del espectro), Felipe Martínez (Bluff) y Ricardo Grabrielli (Cuando rompen las olas) –, todos ganhadores de convocatórias do fundo nacional de apoio ao cinema. O roteiro dos capítulos dirigidos por eles ficou a cargo do colombiano Manuel Arias (La gente de la universal, Bolívar soy yo, No pongas tus puercas manos sobre mi). Sob a responsabilidade dos produtores argentinos Alejandro e Sebastián Borensztein, as gravações (cada capítulo tem 60 minutos) acontecem em Bogotá.
A série é uma adaptação de uma trama de suspense exibida há alguns anos pela Telefe. Segundo Emiliano Saccone, VP Senior de Marketing e Entretenimento da Fox, “Tiempo final é uma aposta grande da Fox, tendo em conta o objetivo de gerar através do talento de produção latino-americano conteúdos de ficção que podem estar a altura de séries como 24 Horas ou Nip/Tuck”.
Veja trechos do primeiro capítulo em: http://tiempofinal.mundofox.com. |
|
|
|
|
 |
Segunda, 22 de Outubro de 2007
Festival de Mar del Plata acontece em novembro
|
|
Depois de várias mudanças em suas datas, o festival internacional de cinema de Mar del Plata, na Argentina, anuncia finalmente sua programação, que vai de 02 a 11.11.
Essa é a quarta edição do evento, que conta com 169 produções. Entre os destaques, está a seção Danza con los sueños, com uma seleção de 15 longas-metragens argentinos inéditos e outros já premiados em outros festivais, como Upa! Una película argentina (trailer), dos diretores Tamae Garateguy, Santiago Giralt e Camila Toker e Cabeza de chancho, de Pablo Almirón.
Como nos anos anteriores, o MAFICI 2007 conta com uma mostra competitiva de documentários, em que participa Resistencia, da espanhola Lucinda Torre, Cartas a uma ditadura, da portuguesa Inês de Medeiros, e The highwater trilogy, do britânico Bill Morrison. Há também um concurso de curtas, do qual participam 30 filmes, incluindo Amor autoadhesivo, de Pablo Barbieri e Leticia Chistoph, 8cho, de Paulo Pécora, Nadie, de Belén Blanco, e La cita, de Hernán Guerschuny.
Entre os convidados ilustres já confirmados, está o documentarista inglês Lech Kowalski, especialista em cultura punk, o espanhol Pablo Llorca e norte-americana Shelly Silver.
Confira a programação completa, que inclui atividades de música nacional, no site oficial. |
|
|
|
|
 |
Sexta, 19 de Outubro de 2007
Paraguai e cinema: festival internacional em Asunción
|
Depois do radical e aclamado Hamaca paraguaya (2006; foto), de Paz Encina, o mundo voltou a ter em conta que no Paraguai, sim, se faz cinema, apesar de suas inúmeras dificuldades no setor. Pois o fato é que, no pequeno país do sul do continente, não só se faz filmes, como também se assiste a eles.
A 16ª edição do Festival Internacional de Cinema, Arte e Cultura, que acontece anualmente em Asunción, começou dia 11.10 e já está em sua segunda semana de exibições. Permeando o tema “A música no cinema”, foram selecionadas 43 películas, dentre as quais infelizmente apenas uma é paraguaia (realizada em co-produção com a Argentina), e programadas atividades paralelas, como o 4º Foro de Cine del Mercosur. Aí se discutirá o fato de que o cinema latino atualmente conta com uma produção numericamente grande de filmes, que, no entanto, carecem de estímulos à distribuição e à exibição – “o que é como se eles não existissem”, diz um texto sobre o evento.
No mais, as atividades paralelas incluem um concerto audiovisual com o grupo C3, uma noite de cinema ao ar livre e com música ao vivo no Cabildo, bate-papos ilustrados e a Seção Arte & Cultura, destinada aos estudantes.
A sede do festival é o Villamora Cinecenter, e a programação segue até 01.11. |
|
|
|
|
 |
Quinta, 18 de Outubro de 2007
Incentivos ao cinema latino
|
Primeiro foi a Venezuela, com a Villa del Cine e os incentivos governamentais à produção cinematográfica nacional. Agora, o Chile anuncia o lançamento de um programa de internacionalização do seu audiovisual.
A iniciativa, anunciada durante a 14ª edição do Festival de Cine de Valdivia, é da Corporación de Fomento de la Producción de chile (Corfo), que anunciou o investimento inicial de 150 mil dólares para a criação de um estudo que ajude a identificar oportunidades de negócios para o cinema nacional.
Estará finalmente crescendo o interesse e estarão surgindo idéias concretas para fomentar os cinemas do continente? |
|
|
|
|
 |
Quarta, 17 de Outubro de 2007
Prepare-se para os latinos da Mostra Internacional de SP
|
São Paulo já está pulsando com a 31ª edição da Mostra Internacional de Cinema, que começa na próxima sexta-feira, dia 19.10, e vai até 01.11 com cerca de 350 títulos.
A abertura da mostra este ano é latina: O passado, co-produção Brasil-Argentina do diretor Héctor Babenco, foi o filme escolhido. Como sempre, os títulos programados dão uma volta ao mundo – e sobretudo nesta edição, com a inclusão de longas de países distantes cinematograficamente para os brasileiros, como Burkina Faso e Turquia.
Para os amantes do cinema do subcontinente, a Latina preparou um guia com a seleção completa de filmes latino-americanos. O destaque em quantidade de películas latinas programadas vai para o México (com 12), seguida da Argentina (com sete), como era de se esperar (sem contar, é claro, a farta seleção nacional).
As boas notícias: a presença de um documentário boliviano, dois filmes equatorianos e dois colombianos. As críticas: não tem um só título cubano, peruano ou chileno na programação. E tampouco de países da América Central, como Guatemala e Porto Rico – que competiram com novas obras em festivais recentes. Além destes buracos, do México será bastante sentida a ausência do celebrado Luz silenciosa, de Carlos Reygadas.
Confira a programação latino-americana da Mostra de São Paulo abaixo, com destaques da Latina para as mais imperdíveis (pra quem tem pouco tempo!).
PROGRAMAÇÃO LATINA DA MOSTRA
Argentina (7 filmes ao total)
LAS VIDAS POSIBLES, Sandra Gugliotta
O FILME DA RAINHA, Sergio Mercúrio
Em co-produção com: Brasil-Itália-Inglaterra
NASCIDO E CRIADO, Pablo Trapero (foto)
É o terceiro filme do celebrado diretor – um dos responsáveis pela buena onda que vive o cinema argentino desde meados dos anos 90 (e que veio se incrementando desde então). O bom de Trapero é fazer de cada película uma proposta diferente das anteriores, sempre mantendo coerência a partir do estilo de narração intimista. Desta vez, para deleite ainda maior, a fotografia impressiona mais.
Em co-produção com: Espanha
O SINAL, Ricardo Darín / Martín Hodara
Sem dúvida, curioso ver Darín – ex-galã de telenovelas argentinas, depois convertido em o principal protagonista de filmes marcantes deste país – a cargo da direção. Pois as críticas à estréia por detrás das câmaras é, em geral, positiva. O filme tem estilo noir, um dos gêneros favoritos do ator.
XXY, Lucia Puenzo
Foi corajosa a filha de Luis Puenzo (único ganhador argentino do Oscar com A história oficial, em 1985) em sua estréia na direção, optando por um tema difícil de tratar narrativamente como o hermafroditismo. Pois a protagonista (a estreante Ines Efrón) segura muito bem a onda e, apesar de algumas cenas menos bem construídas, o filme vale a pena.
Em co-produção com: França
LA LEÓN, Santiago Otheguy
Em co-produção com: França-Alemanha
EL OTRO, Ariel Rotter
O segundo filme de Rotter fala da possibilidade de ser outro, tomar a personalidade de alguém. Foi premiado no Festival de Berlim (melhor filme pelo júri e melhor ator) e em dois festivais europeus mais.
Bolívia
EL ESTADO DE LAS COSAS, Marcos Loayza
Basta saber que o filme é da Bolívia – país sobre o qual pouco sabemos, sobretudo em termos de cinema – para querer assistir. Mas esse, além do que, é um documentário que trata de temas que revelam “o estado das coisas” atualmente no país a ponta de entrevistas com líderes sociais e políticos e intelectuais – além de outros personagens tipicamente “andinos”, como já mencionou o diretor.
Brasil (74 ao total)
5 FRAÇÕES DE UMA QUASE HISTÓRIA, A. Mendz, C.Azzi, C.Abud, G.Fiúza, L.Gontijo, T.Bahia
A CASA DE ALICE, Chico Teixeira
A IDADE DA TERRA, Glauber Rocha
A VIA LÁCTEA, Lina Chamie
AINDA ORANGOTANGOS, Gustavo Spolidoro
ANDARILHO, Cao Guimarães
ANTONIA, Tata Amaral
À MEIA-NOITE LEVAREI SUA ALMA, José Mojica Marins
BALADA DE UM FILME PORNOGRÁFICO, Anita da Silveira
BRIGADA PÁRA-QUEDISTA, Evaldo Mocarzel
CAMINHONEIROS, Rodrigo Meirelles, Patricia Oriolo, Juarez Malavazzi Jr.
CASTELO RÁ-TIM-BUM - O FILME, Cao Hamburguer
CINE GIBI - O FILME - TURMA DA MÔNICA, José Márcio Nicolosi
CONDOR, Roberto Mader
CORPO, Rossana Foglia, Rubens Rewald
DIÁRIO DE SINTRA, Paula Gaitán
ELISE, Fabrício Bittar
ELKE, Julia Rezende
ESPETO, Guilherme Marback, Sara Silveira
ESTA NOITE ENCARNAREI NO TEU CADÁVER, José Mojica Marins
ESTAMIRA PARA TODOS E PARA NINGUÉM, Marcos Prado
ESTÓRIAS DE TRANCOSO, Augusto Sevá
É O QUE VOCÊ USA, Jayro Bustamante
FLY, Marcio Salem
FUGA SEM DESTINO, Afonso Brazza
GAROTO CÓSMICO, Alê Abreu
HERÓIS DA LIBERDADE, Lucas Amberg
ILUMINADOS, Cristina Leal
INDO.DOC, Leondre Campos, André Pires
JARDIM ÂNGELA, Evaldo Mocarzel
JOGO DE CENA, Eduardo Coutinho
JUÍZO, Maria Augusta Ramos
JURANDO QUE VIU A PERIQUITA, JOÃO MARCOS DE ALMEIDA
LÍNGUA DE BRINCAR, Gabriel Sanna, Lucia Castello Branco
LUCRECIA, CRISTIANO BURLAN
MEMÓRIA PARA USO DIÁRIO, Beth Formaggini
MENINO MALUQUINHO, Helvécio Ratton
MENINO MALUQUINHO 2, A AVENTURA, Fabrizia Pinto e Fernando Meirelles
MEU BRASIL, Daniela Broitman
MEU NOME É DINDI, Bruno Safadi
MUTUM, Sandra Kogut
NOME PRÓPRIO, Murilo Salles
O ANO EM QUE MEU PAIS SAÍRAM DE FÉRIAS, Cao Hamburger
O CINEMA DOS MEUS OLHOS, Evaldo Mocarzel
O CRIME DA ATRIZ, Elza Cataldo
O ENGENHO DE ZÉ LINS, Vladimir Carvalho
O GRÃO, Petrus Cariry
O GRILO FELIZ, Walbercy Ribas
O SIGNO DA CIDADE, Carlos Alberto Riccelli
OLHO DE BOI, Hermano Penna
OS QUATRO ELEMENTOS EM SI OU O GURU SELVAGEM, André Martinez
OTÁVIO E AS LETRAS, Marcelo Masagão
PEQUENAS HISTÓRIAS, Helvécio Ratton
PINDORAMA - A VERDADEIRA HISTÓRIA DOS SETE ANÕES, Roberto Berliner, Leo Crivelare, Lula Queiroga
PQD, Guilherme Coelho
PROCURANDO JORGE MAUTNER, Rodrigo Bittencourt
R-EXISTÊNCIA – MULHERES DO SUL, Marco Pasquini
RÉQUIEM, Felipe Duque
RITA CADILLAC, A LADY DO POVO, Toni Venturi
SEM CONTROLE, Cris D’Amator
SILÊNCIO, Sérgio Borges
SÓ POR HOJE, Roberto Santucci
TAINÁ, UMA AVENTURA AMAZÔNICA, Tânia Lamarca
TRANSE CONFIANTE / CONFRONTANDO A VIDA, Ines Cardoso
URUBUS TÊM ASAS, Marcos Negrão, André Rangel
VALSA PARA BRUNO STEIN, Paulo Nascimento
VERÃO, Luiz Gustavo Cruz
Em co-produção com: Alemanha
DESERTO FELIZ, Paulo Caldas
Em co-produção com: Argentina
O PASSADO, Hector Babenco
Em co-produção com: Chile
ONDE ANDARÁ DULCE VEIGA?, Guilherme de Almeida Prado
Em co-produção com: Cuba-Espanha
A ILHA DA MORTE, Wolney Oliveira
A estréia em ficção do cineasta ceraense é ambientada em Cuba e falada em espanhol. Conta a história de uma família de Havana que se vê obrigada a fugir da perseguição policial ao pai, um militante da revolução comunista. Interessante por se tratar da aproximação entre as duas Américas Latinas – a portuguesa e a hispânica – em termos de produção.
Em co-produção com: Estados Unidos
O ÚLTIMO QUARTO DE HORA, Rodrigo Assad
Em co-produção com: França-Uruguai
MARÉ, NOSSA HISTÓRIA DE AMOR, Lucia Murat
Em co-produção com: Itália
ESTÔMAGO, Marcos Jorge
Colômbia
IMPÉRIO DE ESMERALDA, Aida Martinez Pineda
Em co-produção com: Brasil-Estados Unidos
PERSONAL CHE, Douglas Duarte, Adriana Mariño
Nada mais latino que a figura de Che Guevara, mesmo quando despojada de toda militância e revolução. Este documentário trata do mito criado em torno do argentino em doze países diferentes, através da voz de adoradores. E tenta responder a pergunta: afinal, o que é hoje o Che?
Equador
DEFENSORES DO PARAÍSO, Yoram Porath
ESAS NO SON PENAS, Anahí Hoeneisen, Daniel Andrade
Depois de Qué tan lejos, que venceu a 2ª edição do Festival de Cinema Latino-Americano de SP em julho passado, esse é o outro filme equatoriano mais comentado dos últimos meses (e festivais). Trata do reencontro de cinco mulheres ao redor dos 30, 14 anos depois de ficar sem se ver.
México (12 ao total)
DÉFICIT, Gael García Bernal
DOS ABRAZOS, Enrique Begné
MAUS HÁBITOS, Simón Bross
MEJOR ES QUE GABRIELA NO SE MUERA, Sergio Umansky
MENTIRAS, NICK HIGGINS
NACIDO SIN, Eva Norvind
O BÚFALO DA NOITE, Jorge Hernandez Aldana
PANCHO VILLA, A REVOLUÇÃO NÃO ACABOU, Francesco Taboada Tabone
UNA RECETA ROJA PARA COCINAR CRUSTACEOS, Eun Hee Ihm
¡FIRMES CARNAL!, Octavio Gasca
Em co-produção com: França-Espanha
PARTES USADAS, Aarón Fernández
Em co-produção com: Inglaterra-Canadá
COCHOCHI, Israel Cárdenas, Laura Amelia Guzmán
Uruguai (em co-produção com Brasil-França)
O BANHEIRO DO PAPA, Enrique Fernández, César Charlonne
É um dos pré-candidatos estrangeiros ao Oscar 2008 e, apesar de isso não importar, vale a ocasião para dizer que o filme, sim, merece ganhar. Ótima fotografia de Charlonne, parceiro de câmara de Fernando Meirelles. O filme tem, além de tudo, o atrativo argumento de que uma cidade uruguaia se prepara com todo o tipo de negócios para a chegada do papa João Paulo II.
Venezuela
ELIPSIS, Eduardo Arias-Nath
POSTALES DE LENINGRADO, Mariana Rondón
É outro pré-candidato ao Oscar. Êxito na Venezuela e bastante comentado festivais afora, o filme dá um tratamento lúdico e infantil à perseguição a uma mãe militante e sua filha, em tempos de repressão.
Por Camila Moraes |
|
|
|
|
 |
Terça, 16 de Outubro de 2007
Cine latino em "curtas" VII
|
Uruguai luta por lei de cinema; Tropa de Elite é consagrado o mais recente blockbuster do Brasil; e Festival de Bogotá premia dois filmes brasileiros. Confira as notícias e deixe seus comentários!
:: Ley de cine no Uruguai
Por demanda dos profissionais de cinema, que até hoje não dispunham de apoio para a produção e distribuição de suas obras, o Parlamento do Uruguai irá debater um projeto de lei que propõe a criação de uma lei de incentivo ao cinema - incluindo a criação de um fundo de um milhão de dólares para subsidiar filmes nacionais. Se for aprovada, a lei será administrada pelo Instituto Nacional del Audiovisual, ligado ao Ministério de Educação e Cultura, com o apoio de uma comissão julgadora.
Foto: cena de O banheiro do papa, do diretor uruguaio César Charlonne. O filme, produzido por iniciativa particular, é vencedor de prêmios em vários festivais e irá defender o Uruguai na disputa estrangeira do Oscar 2008.
:: Blockbuster brasileiro
Se é polêmica o que faz bilheteria gorda, o filme Tropa de Elite, de José Padilha, está seguindo à risca a regra. Em duas semanas, o controverso longa, que trata da atuação de um grupo de policiais de elite nas favelas do Rio de Janeiro (segundo o ponto-de-vista de um policial “honesto”), foi visto por 700 mil espectadores. Os dados oficiais obviamente não dão conta do fenômeno de pirataria que faz parte da história do filme, muito antes de seu lançamento. Por tratar o tema da violência urbana no Rio de maneira tão plana, Tropa de Elite vem sido acusado de fascista – e de ter má qualidade – por críticos em geral. Veja o trailer abaixo e opine sobre o filme nos comentários!
:: Cinema brasileiro na Colômbia
O Brasil está bem cotado na Colômbia, sobretudo quando o assunto é cinema. Depois da segunda edição da mostra de cine brasileiro – organizada pelo Consulado Brasileiro em Bogotá com curadoria do Festival do Rio e que circulou pelas principais capitais colombianas –, o XXIV Festival de Cine de Bogotá consagrou vencedores dois filmes brasileiros em 11.10. Proibido proibir (2007; veja o trailer abaixo), de Jorge Duran, levou o Precolombino de Oro, o prêmio máximo, enquanto Mutum (2007), de Sandra Kogut, arrematou o Precolombino de Plata. Bastante celebrado festivais afora, Mutum ganhou prêmios em Cannes-2007 e foi vencedora do Festival do Rio deste ano. Veja fotos e informações do filme no site oficial.
|
|
|
|
|
 |
Segunda, 15 de Outubro de 2007
Del lado de allá (outubro): Histórias de crono-crimes e de famas (crono-crônica parcial do Festival de Stiges 07)
|
Del lado de allá, a coluna intermitente de Alberto Ramos, diretamente da Espanha
Histórias de crono-crimes e de famas (crono-crônica parcial do Festival de Stiges 07)
De 04 a 14.10, teve lugar em Sitges (município costeiro mais ou menos próximo a Barcelona), a 40ª edição do Festival Internacional de Cinema de Catalunya, anteriormente conhecido como Festival de Cinema Fantàstic de Sitges.
Eu gostaria de fazer uma crônica geral sobre os filmes projetados, mas somente tive chance de ver cinco. E entre eles, somente um é latino-americano. Tres minutos (foto abaixo) é o primeiro longa-metragem do argentino Diego Lublinsky. Ainda que no IMDb figure como único autor do roteiro, em um bate-papo anterior à exibição do filme, ele assegurou que o escreveu em colaboração com sua mulher. Também disse que se alegrava de que ela estivesse presente no festival, “assim como seu novo marido”. Com este golpe de efeito, mais de uma pessoa esperaria uma comédia na linha de Woody Allen. Mas Tres minutos é um filme de corte fantástico, gênero que é predominante no festival. Uma cara fábula sobre a velocidade, protagonizada por um repórter televisivo (Nicolás Pauls) e uma jovem pianista (Julieta Zylberberg, de A menina santa), ambos tão acelerados que acabarão vivendo uma história de encontros e desencontros à margem do tempo.

Outra obra prima onde jogam com o tempo é a espanhola Los Cronocrímenes, escrita y dirigida por Nacho Vigalondo, cineasta indicado ao Oscar pelo curta-metragem 7:35 de la mañana. Com somente cinco atores (Karra Elejalde, Candela Fernández, Bárbara Goenaga, Juan Inciarte e o próprio diretor) e bem poucas locações, Vigalondo constrói com precisão de um relojoeiro uma história de viagens no tempo. Más que um clássico, Los Cromocrímenes está destinada a se converter em um paradigma do subgênero temporal; e, se ninguém dá remédio, em um filme maldito: apesar de ter sido premiado com o troféu de melhor filme no Fantastic Fest de Austin (Texas), ainda não tem distribuição na Espanha. É mais: já se especula que chegará às salas em forma de remake norte-americano, curioso paradoxo espaço-temporal, signo dos novos tempos (leio no blog de Vigalondo que em Sitges há mais filmes espanhóis com promessa de remake: El orfanato, REC e El rey de la montaña).
Los Cromocrímenes tem um título parecido a outro debut de longa: o de Guillermo del Toro, com Cronos, filme que também foi apresentado em Sitges, tempos atrás. Del Toro é, aliás, produtor de El orfanato, dirigido por Juan Antonio Bayona (outro debutante), escrito por Sergio G. Sánchez e protagonizado por Belén Rueda (Mar adentro). Adoraria opinar sobre a obra, mas ainda não a vi. Assim que vou compensá-lo com uma anedota: ano passado participei de um curso de roteiro e, em alguns momentos, escutava crianças proferindo gritos de terror. A explicação: em uma sala ao lado, estavam fazendo casting para El orfanato. Adivinham o gênero do filme?
Até aqui, os cronopios. De agora em diante, as famas:
Fama nº 1: a de Woody Allen, que apresentou em Sitges seu terceiro filme londrino. Se Match point foi um terremoto de grande magnitude, Cassandra’s dream é uma réplica de menor intensidade. Mas é um filme mais que notável. (Falando de replicantes, o cartaz do festival é uma homenagem a Blade runner, que apresentou em Sitges sua terceira – e definitiva? – montagem).
Fama nº 2: a de Wai-keung (Andrew) Lau e Siu Fai (Alan) Mak, reconhecidos no occidente graças à trilogia em que está baseado o filme Infiltrados, de Scorsese, e que atacam de novo com Confession of pain (Seung sing). Felix Chong e o próprio Mak são os roteiristas deste thriller melodramático e melancólico, ambientado em Hong Kong e com um potente merchandising da cerveja espanhola San Miguel. Apesar de que nessas terras é mais provável que nos tentem vender uma Budweiser: já se percebe no horizonte outro remake com Leonardo DiCaprio.
Fama nº 3: a de Takeshi Kitano, que, com Glory to the filmmaker! (Kantoku Banzai!), realizou uma particular versão do cinema de paródias. Uma coqueteleira onde cabe de tudo: desde os gêneros do cinema japonês (de Ozu a The ring) à filmografia do próprio Kitano, passando pela cabeçada de Zinedine Zidane na última Copa do Mundo. Conclusão: se fosse obra de um cineasta novato, não teria sobrevivido à lapidação; mas tratando-se do Sr. Takeshi talvez tenha melhor sorte (pessoalmente, eu o perdôo pelos bons momentos que me fez passar com Fûun! Takeshi Jô, histórico concurso televisivo em que os participantes eram submetidos a provas tais como esquivar de disparos de canhão, cruzar um rio cheio de hambúrgueres gigantes e ir de cara a uma tela de aranha).
Enfim, esses são os filmes que vi. Qualquer parecido com o ganhador (The fall, melhor filme) é pura fantasia (as apostas do Oscar me saem melhor; podem perguntar pra Camila).
Spot do Sitges 07, criado pela agência Vitruvio Leo Burnett.
Tradução: Camila Moraes.
|
|
|
|
|
 |
Quinta, 11 de Outubro de 2007
Cine latino em "curtas" VI
|
Notícias rápidas sobre o cinema latino. Brasil assina acordo de co-produção com a Itália; anuncia-se grande retrospectiva do cinema colombiano em Bogotá; e termina o festival de Valdivia, com novidades sobre o cinema chileno. Confira!
:: Cinema da América Latina na mira dos italianos
Além da Argentina, o Brasil também irá co-produzir oficialmente com a Itália. Foi anunciado durante o Festival do Rio, encerrado em 04.10, o acordo assinado entre os dois países para a criação de um fundo de desenvolvimento de projetos. A finalização do processo, que já aconteceu em Buenos Aires por iniciativa do INCAA, acontecerá durante o Festival de Roma, no final deste mês. Quem está por trás das iniciativas pela aproximação com o cinema latino é o Istituto Luce e o Cinecittá Holding.
:: Exposição recorre mais de um século de cinema na Colômbia
Em Bogotá, tem estréia para o dia 18.10 a exposição que homenageará o cinema colombiano. A mostra, que termina em janeiro do ano que vem, inclui vários eventos organizados pelo Museo Nacional de Colombia, a Fundación Patrimonio Fílmico Colombiano e o Ministério de Cultura. “¡Acción! Cine en Colombia” reúne imagens, documentos, objetos e outros materiais usados em filmes nacionais e foi divida em seis etapas históricas. Saiba mais no site do Ministério colombiano.
:: Festival de Cine de Valdivia: homenagens e filmes chilenos pra ficar de olho
Terminou ontem, 10.10, a 14ª edição do Festival de Cine de Valdivia, no Chile, que homenageou o diretor e cantor argentino Leonardo Favio – um dos realizadores mais importantes do país durante os anos 70, autor de nove filmes (entre eles, Gatica, el mono e Crónica de un niño solo) – e a cinematografia brasileira, com uma mostra não competitiva que incluiu filmes como Deus e o diabo na terra do sol e Central do Brasil. Os ganhadores nacionais – 199 recetas para ser feliz, de Andres Waissbluth, Mirageman, de Ernesto Díaz, e Lo bueno de llorar (foto), de Matias Bize – estão entre os novos filmes chilenos pra ficar de olho. Saiba mais no site oficial do evento. |
|
|
|
|
 |
Terça, 09 de Outubro de 2007
Festivais: passou Rio, agora vem São Paulo
|
Passado o agito em torno ao Festival do Rio, que terminou na última quinta-feira, 04.10, as atenções do cinema no Brasil se voltam à Mostra Internacional de São Paulo, que chega agora à sua 31ª edição.
O Rio entregou seu principal prêmio – o troféu Redentor – a Mutum, adaptação de uma novela de João Guimarães Rosa que é o primeiro longa da diretora Sandra Kogut. Em maio, o filme venceu também a Quinzena de Realizadores de Cannes. Já Estômago, de Marcos Jorge, foi o eleito do público, além de levar troféus por melhor direção, melhor ator (João Miguel) e uma menção especial ao ator Babu Santana. A elogiada Carla Ribas, de A casa de Alice, ganhou como melhor atriz. Na categoria documentários, Condor, de Roberto Mader, foi eleito o melhor, enquanto Cao Hamburger foi escolhido melhor diretor por seu Andarilho. Novamente segundo o público, o melhor documentário do ano é Memória para uso diário, de Beth Formaggini.
Na categoria dos (hispano-) latinos, Luz silenciosa, do mexicano Carlos Reygadas, foi o vencedor. O filme foi celebrado em Cannes-2007 e já venceu vários prêmios em distintos festivais. O Prêmio de personalidade latino-americana de cinema foi de Fernanda Montenegro, por sua atuação em O amor nos tempos do cólera. Os demais resultados podem ser conferidos no site oficial do evento.
São Paulo larga em 19.10
Com a proposta de discutir a crise da cinefilia – “Nós, críticos, estamos perdendo a credibilidade", disse Leon Cakoff –, a 31ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo vai exibir cerca de 400 filmes entre 19.10 e 01.11. O diretor argentino radicado no Brasil Héctor Babenco é quem assina – e protagoniza como “homem-placa” – o novo cartaz do evento (foto). Seu filme O passado, com Gael García Bernal no papel principal, será o filme de abertura da mostra, a ser exibido no Auditório do Ibirapuera no próximo dia 18. Gael deverá comparecer à Mostra para a divulgação de seu longa, Défict.
Já a cerimônia de encerramento acontecerá no Memorial da América Latina, dia 01.11, às 21 horas, com a primeira exibição no Brasil de No country for old men, o novo filme dos irmãos Joel e Ethan Coen. Entre as novidades, está que o escritor, crítico e atual diretor da Cinemateca Francesa, Serge Toubiana, é quem vai coordenar os debates em torno da questão da crise da cinefilia. Da programação, farão parte, além dos títulos novos, as retrospectivas: Jia Zhang-Ke, Claude Lelouch e Jean-Paul Civeyrac.
A programação oficial ainda não foi divulgada. Saiba mais no site oficial.
Por Camila Moraes |
|
|
|
|
 |
Sexta, 05 de Outubro de 2007
A collage de Luis Ospina sobre os sonhos dos 60 e 70
|
Un tigre de papel é o nome do novo documentário do realizador colombiano Luis Ospina, a estrear nas salas da Colômbia agora no começo de outubro. No filme, Ospina - nascido em Cali e reconhecido por películas importantes para a cinematografia colombiana, como Soplo de vida - constrói a radiografia da vida do curioso artista Pedro Manrique Figueroa, precursor da collage na Colômbia, nascido em 1934.
A partir do misterioso desaparecimento do personagem em 1981, o filme aborda questões que envolviam o pensamento artístico nas décadas de 60 e 70, como a relação entre arte e política, e, no que se refere à forma, discute as distâncias entre realidade e mentira e entre o documentário e a ficção. Assim, a divertida questão que envolve o espectador logo nas primeiras seqüências do documentário – “Manrique Figueroa realmente existiu?” – dá espaço a uma reflexão sobre a construção de relatos verídicos no cinema, além de tocar as utopias de inúmeros artistas-militantes anônimos que marcaram a história sem nem fazer parte dela.
O lançamento de Un tigre de papel, rodada na Colômbia, România, China, Inglaterra, Venezuela, Estados Unidos, Francia e Índia, aconteceu no último domingo, 30.09, em Bogotá, durante a 11ª edição do festival da revista cultural El Malpensante. Junto à estréia, Luis Ospina apresentou também seu novo livro, Palabras al viento, mis sobras completas (Ediciones Aguilar del Grupo Santillana), uma recopilação de textos sobre cinema do realizador, que ao longo de sua carreira, também se dedicou a escrever artigos e crônicas, além de reflexões sobre sua obra e de cartas trocadas com os diretores Andrés Caicedo e Carlos Mayolo.
Sobre seu novo documentário, Luis Ospina comentou ao Portal del Cine Latino-Americano y del Caribe: “Ao ficar sabendo deste artista desconhecido, pensei que seria um bom pretexto para fazer um documentário sobre os anos 60 e 70 (...). Tanto se disse sobre essas décadas que já não sabemos em que acreditar. É um período que foi idealizado, mistificado e ficcionalizado. Mas, pelo menos, naquela época que hoje parece tão distante, havia ideais e existia a esperança de uma utopia coletiva. Foi provavelmente o último momento em que a humanidade pensou que poderia mudar o mundo. Agora simplesmente nos conformamos com ‘salvar o planeta’”.
Por Camila Moraes |
|
|
|
|
 |
Quinta, 04 de Outubro de 2007
Aporte à "biblioteca” do cinema latino-americano em Huelva
|
É fato: as cinematografias ibero-americanas, sobretudo as latino-americanas, ainda carecem de livros que registrem e que pensem o seu fazer. Uma das iniciativas para reverter essa situação vem agora do Festival de Cine de Huelva, na Espanha, que anunciou para sua 33ª edição, que acontece de 17 a 24.11, o lançamento contínuo de livros sobre o assunto.
Em parceria com a editora Ocho y Medio, de Madrid, o evento vai produzir a coleção “Libros de Ultramar”, cujo primeiro título será “Cine cubano de los sesenta. Mito y realidad”. O livro, escrito pelo investigador cubano Juan Antonio García Borrero, trata da década prodigiosa do cinema cubano, que corresponde aos primeiros anos da Revolução.
O plano é que, a cada edição do festival, novos títulos sejam publicados. Os organizadores planejam uma linha editorial independente e um projeto que dê conta dos vários aspectos do cinema ibero-americano. E haja trabalho. |
|
|
|
|
 |
Quarta, 03 de Outubro de 2007
Para se ver: Lucio, velho anarquista espanhol
|
O documentário espanhol Lucio estreou em setembro na seção Especial Zabaltegi do Festival de Cine de San Sebastián, com a presença dos dois diretores bascos, Jose Mari Goenaga e Aitor Arregi, dos produtores e do próprio Lucio Urtubia.
Para que se saiba mais sobre este personagem, que representa a luta anarco-sindicalista espanhola e antifranquista, a idéia do filme é mesclar imagens de época e também recriar episódios em que Lucio nos anos 70, principalmente, foi tido pela imprensa como "bandido bom" ou o "Zorro Basco", quando falsificava documentos e imprimia e disseminava propaganda anarco-sindicalista debaixo dos olhos censores do regime do ditador Franco na Espanha.
Há depoimentos e comentários sobre Lucio ter sido alvo de mandados de busca e captura por Tribunais Internacionais, incluindo a CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos), quando conseguiu burlar o principal banco dos Estados Unidos – o First National Bank (hoje Citibank) –, falsificando cheques de viagem e causando um desfalque de cerca de 20 milhões de euros na época. O acontecimento culminou em uma das piores crises do banco.
Lucio Urtubia deu apoio a personagens históricos como Eldridge Cleaver, o líder dos Panteras Negras nos Estados Unidos, e Quico Sabaté, um dos máximos expoentes da guerrilha urbana na Catalunha, severamente castigada pelas tropas franquistas. O filme também traz à memória os encontros que Lucio manteve com André Breton, Albert Camus e Ernesto Che Guevara.
Ainda ativo, Lúcio - que nasceu em Cascante em 1931 - vive desde 1954 em Paris, quando partiu em exílio e onde administra o Centro Cultural Louise Michelle, em que se levam a cabo atividades culturais e solidárias com diversos movimentos sociais de todo o mundo.
O trailer do filme pode ser visto no site: www.lucio.com.es.
Por Paula Skromov |
|
|
|
|
 |
Terça, 02 de Outubro de 2007
Cine latino em "curtas" V
|
Notícias rápidas sobre cinema latino: mais candidatos ao Oscar estrangeiro em 2008, mostra de cinema venezuelano na Itália e os vencedores de Biarritz e San Sebastián. Confira.
:: Mais Oscar
Argentina, Uruguai, Chile e Bolívia eram os últimos países latinos que ainda estavam por anunciar seus candidatos à corrida do Oscar estrangeiro. Argentina ficou com XXY, de Lucía Puenzo, que superou as preferências por La señal, de Ricardo Darín (que atua em XXY), e La antena, de Esteban Sapir. O Uruguai, com grandes chances de ser selecionado, foi por seu adorável O banheiro do papa (El baño del papa), de Enrique Fernández e César Charlone (leia abaixo sobre a premiação de O banheiro... em San Sebastián). O Chile ficou com Padre Nuestro, segundo filme de Rodrigo Sepúlveda. A mesma escolha vale para o Goya, da Espanha. Já a Bolívia fez péssima escolha por Los Andes no creen en Dios, romance histórico de trama fraca e em formato televisivo.
:: Mais Chávez
A Casa del Cine de Villa Borghese, em Roma, na Itália, irá abrigar entre 05 e 07.10 uma mostra de cinema venezuelano. A iniciativa se chama “Focus Venezuela” – mais uma dentro dos impulsos do governo de Chávez para divulgar a cinematografia da Venezuela – e foi organizada pela Embaixada venezuelana em cooperação com a Casa del Cine. Confira a programação no site da Embaixada e visite o site da Casa del Cine de Roma.
:: Festivais de Biarritz e de San Sebastián anunciaram seus vencedores
Foi a venezuelana Mariana Rondón, com seu Postales de Leningrado, quem arrematou o prêmio “Abrazo” do festival de Biarritz, na França. No mesmo evento, a escolha do público foi a co-produção Uruguai-Argentina-Chile Matar a todos. Já em San Sebastían, na Espanha, o grande vencedor do prêmio “Horizontes” foi o filme uruguaio O banheiro do papa (El baño del papa), de Enrique Fernández e César Charlone. O incentivo de 35 mil euros será dividido em 10 mil para o diretor e 25 mil para o distribuidor espanhol (Golem Distribuición). O disputado prêmio Cine en Construcción deste ano, de um grupo de empresas que oferece ajuda para pós-produção de produções latinas já rodadas, foi para a guatemalteca Gasolina, de Julio Hernández Cordón. O filme também levou o prêmio Casa de América, que consiste em uma ajuda de também de pós no valor de 10 mil euros, além do prêmio Confederación Internacional de Cines de Arte y Ensayo (CICAE), que dá apoio à exibição em salas da França. Saiba mais nos sites de Biarritz e de San Sebastián.
Foto: cena de Gasolina, do guatemalteco Julio Hernández Cordón. |
|
|
|
|
 |
Terça, 02 de Outubro de 2007
Mostra de Cinema da Pan-Amazônia programa filmes cubanos em Belém
|
Acontece em Belém do Pará, há 11 anos, a Mostra de Cinema da Pan-Amazônia, cuja edição de 2007 dá especial atenção a grandes clássicos do cinema cubano. O evento, que é parte da Feira do Livro, é coordenado pela FUMBEL (Fundação Cultural do Município de Belém) e acontece no Espaço Municipal Cine Olympia.
Ainda dá tempo de acompanhar a programação de longas e curtas metragens, que começou em 29.09, com a exibição de Brascuba, de Santiago Alvarez e Orlando Senna, e termina no próximo domingo, 07.10.
Confira os filmes agendados para esta semana:
03/10 (quarta-feira) - 15h
- Hanoi Martes 13 e El sueño del pongo
Curta (34"). Recomendado para maiores de 12 anos.
04/10 (quinta-feira) - 15h
- El tigre saltó y mató, pero morirá, morirá
- Noticeros 421
Curtas (30"). Recomendado para maiores de 12 anos.
05/10 (sexta-feira) - 15h
- Cómo, por qué y para qué se asesina a un general
- Noticero 142
Curta (34"). Recomendado para maiores de 12 anos.
06/10 (sábado) - 15h
- 79 primaveras
- Noticero 1296
Curtas (30"). Recomendado para maiores de 12 anos.
07/10 (domingo) - 15h
- Ciclón
- Noticero 625
Curtas (30"). Recomendado para maiores de 12 anos.
Local: Cine Líbero Luxardo
Coordenação: Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves
03 a 07/10 (quarta a domingo) - 19h30
- Hércules 56
Longa (94"). Recomendado para maiores de 14 anos
Via Felipe Pamplona |
|
|
|
|
|
|
|