Terça, 18 de Novembro de 2008
Cinema latino em curtas XIV

:: Mar del Plata premia Los bastardos

Terminou este domingo, 16.11, a 23ª edição do Festival de Mar del Plata – o único festival latino-americano que é considerado “classe A” pela Federação Internacional de Associações de Produtores de Filmes – com o prêmio de melhor filme latino para o mexicano Los bastardos, de Amat Escalante (veja entrevista com ele publicada neste blog aqui). Já o troféu principal, o Astor de Oro, foi para o filme japonês Still walking, do realizador Hirokazu Kore-eda. Do Japão, vem também o melhor diretor eleito pelo evento, Kiyoshi Kurosawa, por Tokyo Sonata. Outro vencedor latino é o documentário argentino Regreso a Fortín de Olmos, que recebeu menção especial do júri. Veja acima o trailer de Los bastardos.

:: Brasileiros e argentinos na pré-seleção do Sundance/NHK

Dois filmes brasileiros e um argentino saíram pré-selecionados entre os 12 finalistas de 2009 para o prêmio da cadeia japonesa de televisão NHK – ligada ao Festival de Sundance desde 1996 para apoiar jovens realizadores independentes. São eles Casa grande, de Felipe Barbosa, e O homem das multidões, co-dirigida por Marcelo Gomes e Cao Guimarães, ambos do Brasil, e La preceptora nacional, de Diego Lerman, da Argentina. Cada prêmio (é entregue um para cada região) é de 10 mil dólares e incluem os direitos de veiculação das obras pela NHK. Entre os latinos, já ganharam o estímulo em anos anteriores filmes como Central do Brasil, de Walter Salles (Brasil), e Lake Tahoe, de Fernando Eimbcke (México).

:: Cinema brasileiro em fase de exportação

Depois de investir em moda made in Brazil, a APEX (Agência Brasileira de Promoção e Exportação) decidiu partir para o universo do entretenimento nacional, lançando o chamado “Talento Brasil”. Com uma mostra já lançada de 11 a 13.11 em Madri, o projeto tem o objetivo de divulgar e promover os três setores considerados emergentes da cultura brasileira, que são a música, as letras e o audiovisual. Segundo anuncia a agência, a iniciativa irá circular por vários países, sempre com a presença de músicos, escritores e realizadores audiovisuais que irão promover a produção artística brasileira, assim como aconteceu na Espanha. Mais a respeito no site da APEX.

(Via LatAm Cinema)

 
   
 Quarta, 12 de Novembro de 2008
A Estrada Real da Cachaça em Mar del Plata

Um “país embriagado” é o que Pedro Urano, realizador do documentário A Estrada Real da Cachaça (veja o trailer acima), quis retratar com seu primeiro filme como diretor, que é também uma espécie de estréia para da bebida mais popular do Brasil no cinema. "Quando falamos de cachaça, falamos também de transe, que pode ser extático, de alegria, mas também anestesiante, num país que conhece suas contradições, mas nem por isso consegue superá-las", disse Urano em entrevista à Reuters.

O documentário foi filmado como um road movie, percorrendo a chamada Estrada Real da Cachaça, um "caminho poético" que mostra diferentes zonas de produção, consumidores e rituais que vinculam a bebida ao candomblé.

A Estrada Real é o único filme em competição na seção latino-americana do 23º Festival de Mar del Plata, onde, de acordo com a imprensa, foi muito bem recebido pelo público. O diretor explicou o projeto em entrevista à Ansa, por por ocasião do festival argentino: "Tempos atrás, eu estava numa festa em que todos tomavam cachaça à vontade e me disse: 'alguém deveria fazer um filme sobre essa bebida que deixa as pessoas tão felizes'. O que começou como brincadeira, terminou como um grande projeto".

Enquanto espera o resultado de seu filme na competição, que será divulgado no próximo domingo, 16.1, Urano dedica-se ao seu próximo documentário, que ele começará a rodar em duas semanas e que aborda as falências na educação e na saúde, através da história de um edifício modernista do Rio de Janeiro.

 Terça, 11 de Novembro de 2008
Ezeiza 15 59: cinema latino acontece também na internet

Um projeto que reúne argentinos, colombianos, chilenos, equatorianos, mexicanos, peruanos, venezuelanos e até franceses, cozinhado a partir de Buenos Aires e escrito em esquema de colaboração interativa: aí está a rápida descrição de Ezeia 15 59, “uma história de amor interativa”.

Longe do esquema dos grandes produtores e dos fundos cinematográficos internacionais e mais democrático em termos de público do que os blockbusters e os refinados espectadores de festivais, esse “longa-metragem livre” é uma obra conjunta de vários roteiristas que trabalham em ambiente virtual para mais tarde entregar o resultado final a vários diretores, que serão os encarregados de filmá-lo a partir de 17.11. Tem uma produtora por trás, que é Silvina Dell’Occhio (Argentina), mas não distribuidor oficial: em troca, usarão a Web 2.0 para promovê-los em meios alternativos (YouTube, Vimeo, Torrent, Emule, etc).

Em Ezeiza 15 59, o roteiro nos apresenta a Vera. Ao começar o filme, ela acaba de se despedir de seu namorado, quem voltou para seu país. Ao longo da história, e de acordo com as sucessivas decisões tomadas pelo espectador, Verá irá lidar de distintas formas com essa ausência, afetando o desenvolvimento até recorrer a um de seus oito possíveis universos paralelos. Desde a espera fiel até a aparição de seu ex ou do sexo puro a uma nova história de amor.

Saiba mais no site oficial do projeto ou no diário de filmagem da equipe.

(Via Cinencuentro)

 Segunda, 10 de Novembro de 2008
Filmes colombianos estréiam em novembro

Duas estréias colombianas estão previstas para o mês de novembro, completando 15 lançamentos nacionais em 2008 no país.

A primeira delas é o comentado filme do diretor colombiano de origem grega Spiros Stathoulopoulos (foto), que debutou detrás na câmera em grande estilo com PVC-1. Sem cortes e fotografado com luz natural, o longa conta a história real de uma mulher que tem os minutos de vida contados, depois de um grupo de seqüestradores colocar um colar-bomba em seu pescoço para exigir dinheiro de sua família. Para conseguir o plano-seqüência de 85 minutos do filme, Spiros ensaiou uma árdua coreografia entre os atores – especialmente a protagonista, vivida pela atriz cubana Mérida Urquía –, os cenários e a câmera, operada pelo próprio diretor.

PVC-1 foi selecionado para a Quinzena de Realizadores do Festival de Cannes de 2007 e para vários outros festivais internacionais importantes, o que contribuiu para o sucesso imediato do diretor, que passou a ser procurado por caça-talentos cinematográficos de todo o mundo. Veja o trailer e saiba mais no site oficial.

A segunda estréia, que acontece dia 28.11, é o novo filme da veterana Camila Loboguerrero (Con su música a otra parte e María Cano), Nochebuena. O longa, cujo roteiro foi escrito por Camila e seu filho Matias Maldonado, que também é ator e interpreta o protagonista da história, será distribuído por Cine Colombia com 60 cópias. Em Nochebuena, os De La Concha vivem um 24 de dezembro conturbado, cheio de problemas que revelam a decadência de uma família antes endinheirada. Segundo seu produtor, Rodrigo Guerrero: “É realmente uma história de uma família colombiana, celebrando e passando o Natal como fazem todas nossas famílias colombianas... Com o bom, o ruim, o difícil e o gratificante da reunião familiar. Vemos os ‘buñuelos’, a ‘natilla’, o estresse, o vizinho que se junta à festa, o irmão bêbado, a avó que cuida da casa, as crianças, a pólvora... Assim é que no fim sempre celebramos até a manhã do dia 25 de dezembro”.

Veja mais informações sobre o filme, incluindo o trailer, no site oficial.

 Segunda, 10 de Novembro de 2008
Películas colombianas estrenan en noviembre

Dos estrenos colombianos están previstos para el mes de noviembre, completando 15 lanzamientos naciones en 2008 en el país.

El primero de ellos es la comentada cinta del director colombiano de origen griego Spiros Stathoulopoulos (foto), que debutó detrás de la cámara en gran estilo con PVC-1. Sin cortes y fotografiado con luz natural, el largo cuenta la historia real de una mujer que tiene los minutos de vida contados, después que un grupo de secuestradores le pone un collar-bomba en el cuello para exigir dinero de su familia. Para lograr el plan-secuencia de 85 de la película, Spiros ensayó una ardua coreografía entre los actores – entre los cuales se destaca la protagonista, interpretada por la actriz cubana Mérida Urquía –, los escenarios y la cámara, operada por el mismo director.

PVC-1 fue seleccionada para la Quincena de Realizadores del Festival de Cannes de 2007 y para varios otros festivales de importancia internacional, lo que contribuyó para el éxito inmediato del director, quien pasó a ser buscado por caza-talentos cinematográficos de todo el mundo. Mira el trailer y más informaciones en el portal oficial.

El segundo estreno, que sucede el 28.11, es la nueva película de la veterana Camila Loboguerrero (Con su música a otra parte y María Cano), Nochebuena. El largo, cuyo guión fue escrito por Camila y por su hijo Matías Maldonado, quien es actor y hace el rol de protagonista, será distribuido por Cine Colombia con 60 copias. En Nochebuena, los De La Concha viven un 24 de diciembre conturbado, lleno de problemas que revelan la decadencia de una familia de plata. Según su productor, Rodrigo Guerrero: “Es realmente una historia de una familia colombiana celebrando y pasando una navidad como lo hacen todas nuestras familias colombianas... Con lo bueno, lo malo, lo difícil y lo gratificante de la reunión familiar. Vemos los buñuelos, la natilla, los villancicos, el stress, el vecino colado, el hermano borrachito, la abuela hogareña, los niños, la pólvora... Así es que al final siempre celebramos hasta el amanecer del 25 de diciembre”.

Más información sobre la película, inclusive el trailer, están en el portal oficial.

 Sexta, 07 de Novembro de 2008
Cinema latino em curtas XIII

:: Brasil, país convidado do 38º Alcine

O 38º Festival de Cinema de Alcalá de Henares, em Madrid, escolheu o Brasil como convidado de honra. Na programação, vários curtas-metragens brasileiros – como Palace II, de Kátia Lund e Fernando Meirelles, presente no evento – e um festival musical paralelo, que programou 48 horas de música brasileira. De 07 a 15.11. Mais informações no site.

:: Festival de Brasília anuncia os filmes selecionados para sua 41ª edição

Focado em cinema brasileiro, o Festival de Brasília – um dos mais importantes para o cinema nacional – já anunciou a lista de filmes que participam de sua 41ª edição, de 18 a 25.11. Serão exibidos ao todo 142 filmes, entre curtas e longas-metragens. O título de abertura é São Bernardo (Leon Hirszman), em cópia restaurada, e o de fechamento é Lance maior (Sylvio Back), que será projetado junto à cerimônia de premiação.

Nas mostras competitivas, realizadas de 19 a 24.11, os filmes de 35mm estréiam sempre às 20h30, no Cine Brasília, com debate às 11h do dia seguinte, e quatro reprises ao longo da programação. As produções em 16mm serão exibidas às 14h30, na Sala Martins Pena, Teatro Nacional Claudio Santoro, seguidas de debate com os realizadores. Conheça os competidores, como À margem do lixo (Evaldo Mocarzel) e Filmefobia (Kiko Goifman; foto), aqui.

O segredo da múmia, de Ivan Cardoso, e O gigante, de Mário Civelli, em cópias restauradas, estão entre os destaques da programação paralela que inclui seminários, lançamentos de livros e DVD e uma homenagem ao diretor Nelson Pereira dos Santos.

 Quarta, 05 de Novembro de 2008
Festival de Havana anuncia os filmes de sua 30ª edição

O Festival Internacional do Novo Cinema Latino-Americano, ou simplesmente Festival de Havana, cuja 30ª edição acontece este ano entre os dias 02 e 12.12, já divulgou sua lista de filmes participantes. São 114 obras vindas de 14 países.

Como esse é o último festival com seleção latina do ano, são poucas as surpresas da competição tradicional entre longas-metragens (com exceção, é claro, para a participação cubana, que é obviamente especial nessa ocasião). Disputam o troféu principal filmes “grandes” de 2008 como Leonera (Pablo Trapero) e La mujer sin cabeza (Lucrecia Martel), da Argentina, Linha de passe (Walter Salles e Daniela Thomas) e Última parada 174 (Bruno Barreto), do Brasil, La buena vida (Andrés Wood) e Tony Manero (Pablo Larrain), do Chile, entre outros.

Além da seção de curtas, focada em novos talentos, o destaque vai para a seção “Obra prima” (filmes de diretores estreantes), que exibirá 22 títulos. Não são os mais recentes, mas provavelmente representam as melhores novidades do cinema latino de 2006 pra cá, como é o caso de Cordero de Dios, de Lucía Cedron (Argentina), A festa da menina morta, de Matheus Nachtergaele (Brasil), Gasolina, de Julio Hernández Cordón (Guatemala) e El cielo, la tierra y la lluvia, de José Luis Torres Leiva (Chile). A seção de animação – em que participam cinco brasileiros em um total de 24 títulos – também promete boa seleção.

Saiba mais no site do festival.

 Terça, 04 de Novembro de 2008
Estômago triunfa na Espanha

O primeiro filme de ficção do diretor brasileiro Marcos Jorge (foto), Estômago, ganhou na 53ª Semana Internacional de Cinema de Valladolid (Seminci) a Espiga de Ouro – o principal prêmio da competição – por decisão unânime do júri.

O longa, que através da gastronomia aborda a desigualdade social, também levou o prêmio de melhor ator para João Miguel – que dividiu o troféu com o espanhol Unax Ugalde, por seu papel principal em La buena nueva.

A Espiga de Prata, que corresponde ao segundo lugar, foi para o argentino Alberto Lecchi, pelo filme El frasco.

Marcos Jorge, formado na Itália como diretor de vários filmes e anúncios publicitários, também recebeu o Prêmio Pilar Miró, destinado ao melhor novo diretor e concedido anualmente pelo Conselho Local da Juventude de Valladolid "por seu tratamento irônico da realidade" e sua originalidade argumental.

Veja o trailer de Estômago:



E o trailer d
e El frasco:

 Segunda, 03 de Novembro de 2008
Entrevista: Daniel García, sangue novo na produção latina

Daniel García, de apenas 28 anos, faz parte da nova geração do cinema colombiano. Por trás de sua Dia-Fragma Fábrica de Películas, produziu vários curtas-metragens, como os premiados En agosto, de Andrés Barrientos y Carlos Andrés Reyes, e La cerca, de Rubén Mendonza – ao lado de quem fundou a produtora em 2003.

Juntos, Daniel e Rubén não somente produzem curtas, mas documentários e longas-metragens de ficção, como seu atual projeto, La sociedad del semáforo, que este ano foi selecionado para a seção “L’atelier” de Cannes e ganhou o prêmio dado pelo World Cinema Fund da Alemanha e o Visions Sud Est da Suíça. Apostando em talentos nascentes do audiovisual colombiano, Daniel tem claro seu caminho dentro da produção cinematográfica: “Temos que inventar uma nova indústria na Colômbia e na América Latina”.

Para La Latina e LatAm cinema.

Como surgiu a produtora Dia-Fragma?

Formalmente, trabalhos desde 2003. Mas o projeto nasceu antes, quando o Rubén Mendonza convocou todos seus amigos para dizer que queria fazer filmes e que para isso precisa de todo tipo de talentos: produtores, advogados, fotógrafos, designers, editores, administradores etc. Algumas pessoas passaram a fazer parte de um grupo “cultural” que começou a fazer curtas. Meu primeiro trabalho aí foi como produtor de campo para um curta chamado Estatuas. Depois de alguns ajustes e com a persistência de alguns, fundamos a empresa e fizemos o curta La cerca, que ganhou vários prêmios, inclusive esteve na seleção oficial do Festival de Cannes de 2005 na Cinefundación. Com isso, tínhamos claro que era possível fazer algo grande e começamos a trabalhar duro para consegui-lo.

Que tipo de trabalho você está interessado em fazer como produtor?

Produzi muitos curtas, como En agosto e 20 mil e os curtas de Rubén Mendonza, com quem comecei na área de produção e que, para mim, é um grande amigo e um companheiro de trabalho. Também trabalhei em documentários e longas e, na televisão, tive a oportunidade de produzir a primeira temporada da série Tempo final, da Fox Telecolombia – que é praticamente um projeto de cinema em termos estéticos e também de produção. Foi uma grande experiência, que me abriu bastante a mente. Com isso, ficou claro pra mim que o que quero é fazer trabalhos interessantes e de qualidade, nos distintos formatos que existem para se explorar.

Como você vê o panorama da produção na Colômbia hoje, quatro anos depois da criação da Lei de Cinema em 2004?

Acho que tem muita gente jovem por trás dos projetos cinematográficos hoje no país. É uma renovação interessante, de profissionais que não competem tanto entre si como faziam antes os poucos e “grandes” realizadores colombianos. Por outro lado, critico o fato que em parte estejam gastando mal a lei. Muita gente se deu conta que fazer cinema é um negócio, então decidiram fazer filmes, que muitas vezes são de má qualidade e terminam não alcançando os resultados prometidos aos investidores. Isso faz com que os donos do dinheiro não queiram mais investir em projetos cinematográficos, e se desfaz a cadeia da lei. Para mim, faltam objetivos claros para filmes que resultem bem feitos e estejam direcionados para um público específico, para que consigam o retorno que realmente podem obter. Neste momento, há muitos bárbaros tentando fazer cinema. Mas trata-se também de um processo, então temos que esperar.

Para você, como estaria situada a Colômbia dentro do panorama latino-americano de produção?

Acho que seremos como a Argentina. A Colômbia tem uma indústria audiovisual pequena, ainda em expansão, que, portanto, oferece mão-de-obra e serviços mais baratos, como foi o caso da Argentina, que por vários anos atraiu produções estrangeiras à América Latina. Além disso, temos uma grande variedade de climas e paisagens, o que facilita muitas coisas em términos cinematográficos. O tão falado risco do país, que é mal visto no exterior por seus problemas de violência, hoje já não é mais desculpa. Os seguros de equipamentos, por exemplo, é algo que tem que se fazer em qualquer parte, e com a Colômbia não é diferente. O que acontece é que temos uma lupa sobre nós, então as pessoas se assustam mais do que deveriam. Da mesma maneira, como em qualquer lugar, todos sabemos que não é pra se enfiar na boca do lobo. 

Há poucas co-produções na Colômbia. O que você acha desse modelo de financiamento?

Para mim, é muito bom. Agora mesmo estou produzindo um documentário com a Estônia sobre um personagem estoniano que dirigiu a orquestra sinfônica na Colômbia. É a primeira co-produção entre os dois países, e acredito que contribui muito não apenas para a própria realização, que pode conquistar público dos dois lugares, mas para ambas culturas, que terminam se conhecendo. Ibermedia e seu modelo de co-produção é um dos melhores projetos de financiamento que existem na América Latina. Temos que procurar este tipo de oportunidades também na Colômbia, porque senão fica muito caro fazer filmes. Não temos ainda um “star system” latino-americano e, além disso, precisamos nos conhecer melhor.

Você disse uma vez em uma entrevista que o cinema colombiano tem talento, mas em quantidades reduzidas. Em que sentido você quis dizer isso?

Existe muito talento na Colômbia, mas ainda não é suficiente. Somos mais ou menos 30 produtores, não mais que isso. A indústria tem que ser inventada ainda, e é isso o que estamos tentando fazer. É preciso subir o nível de qualidade, que as pessoas se profissionalizem. Tem muita gente interessante, mas, como disse antes, é um processo, e temos que vivê-lo.

O que você acha dos festivais e fundos internacionais de apoio à produção?

Acho que somos totalmente “fundo-dependentes”. Esse modelo é a coluna vertebral do cinema latino – e do europeu também –, o que pra mim está bem. O cinema é uma arte cara: precisa de apoio e de investimento.

Como você vê o cinema colombiano em 10 anos?


Vai estar melhor! Vejo 30 filmes produzidos por ano, melhores profissionais... Enfim, um melhor panorama.

Quais são os atuais projetos da Dia-Fragma?

La sociedad del semáforo, que é a estréia em longa-metragem do Rubén Mendonza, e The roots, o documentário que estamos fazendo com a Estônia. Além disso, lançaremos um DVD comercial com os curtas do Rubén no começo do próximo ano.

Por Camila Moraes

 Segunda, 03 de Novembro de 2008
Daniel García, productor de La cerca y La sociedad del semáforo

Daniel García, de 28 años, forma parte de la nueva generación del cine colombiano. Detrás de su Dia-Fragma Fábrica de Películas, produjo varios cortometrajes, como los premiados En agosto, de Andrés Barrientos y Carlos Andrés Reyes, y La cerca, de Rubén Mendonza – al lado de quien fundó la productora en 2003.

Juntos, Daniel y Rubén producen no sólo cortos, sino documentales y largos de ficción, como su actual proyecto, La sociedad del semáforo, que este año fue seleccionado para la sección “L’atelier” de Cannes y se ganó el premio otorgado por el World Cinema Fund de Alemania y el Visions Sud Est en Suiza. Apostando a los talentos nacientes del audiovisual colombiano, Daniel tiene claro su camino en la producción cinematográfica: “Tenemos que forjar una nueva industria en Colombia y en Latinoamérica”.

Para La Latina y LatAm cinema.

¿Cómo surgió la productora Dia-Fragma?

Formalmente, trabajamos desde el 2003. Pero el proyecto nació antes, cuando Rubén Mendonza convocó todos sus amigos para decirles que quería hacer películas y para eso necesitaba todo tipo de talentos: productores, abogados, fotógrafos, diseñadores, editores, administradores etc. Algunas personas pasaron a formar parte de un grupo “cultural” que empezó a hacer cortos. Mi primer trabajo ahí fue como productor de campo para un corto llamado Estatuas. Después de algunos ajustes y la persistencia de unos, fundamos la empresa e hicimos el corto La cerca, que se ganó varios premios, incluso estuvo en selección oficial en el Festival de Cannes 2005 en la Cinefundación. Con eso, teníamos claro que era posible hacer algo grande y empezamos a trabajar duro para lograrlo.

¿Qué tipo de trabajo te interesa hacer como productor?

He producido muchos cortometrajes, como En agosto y 20 mil y los cortos de Rubén Mendonza, con quien empecé en la producción y que para mí es un gran amigo y compañero de trabajo. También he trabajado en documentales y largos y, en televisión, tuve la oportunidad de producir la primera temporada de la serie Tiempo final, de Fox Telecolombia – que es prácticamente un proyecto de cine, en términos estéticos y también de producción. Fue una gran experiencia, que me abrió bastante la mente. Con eso, me quedó claro que lo quiero hacer son trabajos interesantes y de calidad, en los distintos formatos que hay para explorar.

¿Cómo ves el panorama de producción en Colombia hoy, cuatro años después de la creación de la Ley de Cine en el 2004?

Creo que hay mucha gente joven detrás de los proyectos cinematográficos hoy en el país. Es una renovación interesante, de profesionales que no compiten tanto entre sí como hacían antes los pocos y “grandes” realizadores colombianos. Por otro lado, critico el hecho que se esté en parte malgastando la ley. Muchos se dieron cuenta que hacer cine es un negocio, entonces decidieron meterse a hacer películas muchas veces de mala calidad, que terminan no alcanzando los resultados prometidos a los inversionistas. Eso hace con que ellos no quieran más invertir en proyectos cinematográficos, y se rompe la cadena de la ley. En mi opinión, faltan objetivos claros para películas que resulten bien hechas y apunten hacia a un público específico, para lograr el retorno que realmente pueden obtener. Por ahora, hay muchos bárbaros intentando hacer cine. Pero se trata también de un proceso, entonces hay que esperar.

Para ti, ¿cómo se situaría Colombia en el panorama latinoamericano de producción?

Creo que seremos como Argentina. Colombia tiene una industria audiovisual chica, todavía en expansión, que por lo tanto ofrece mano de obra y servicios más baratos, como fue el caso de Argentina, que por años atrajo producciones extranjeras a Latinoamérica. Además, tenemos gran variedad de climas y paisajes, lo que facilita muchas cosas en términos cinematográficos. Lo del riesgo del país, mal conocido afuera por sus problemas de violencia, ya es hoy una escusa. Los seguros de equipos, por ejemplo, es algo que hay que hacer en cualquier parte, y con Colombia no es distinto. Lo que pasa es que tenemos una lupa sobre nosotros, entonces la gente se asusta más de lo que debería. Asimismo, como en cualquier lugar, todos sabemos que no hay que meterse en la boca del lobo.

Hay pocas coproducciones en Colombia. ¿Qué opinas de este modelo de financiación?

Me parece muy bueno. Ahora mismo estoy produciendo un documental con Estonia sobre un personaje de este país que dirigió la orquesta sinfónica en Colombia. Es la primera coproducción entre los dos países, y creo que aporta mucho no sólo para la misma realización, que puede conquistar público de dos lugares, sino para ambas culturas, que terminan conectándose. Ibermedia y su modelo de coproducción es uno de los mejores proyectos de financiación que hay en Latinoamérica. Tenemos que buscar estas oportunidades también en Colombia, porque de otra manera es muy caro hacer películas. No tenemos todavía un “star system” latinoamericano y, además, necesitamos conocernos mejor.

Has dicho una vez en una entrevista que el cine colombiano tiene talento, pero en cantidades reducidas. ¿En qué sentido lo dijiste?

Hay mucho talento en Colombia, pero todavía no es suficiente. Somos alrededor de 30 productores, no más. La industria tiene que forjarse todavía, y eso es lo que estamos intentando hacer. Es necesario subir el nivel de calidad, que la gente se profesionalice. Hay mucha gente interesante, pero, como dije antes, es un proceso, y tenemos que vivirlo.

¿Qué te parecen los festivales y fondos internacionales de apoyo a la producción?

Creo que somos totalmente “fondodependientes”. Este modelo es la columna vertebral del cine latino – y del europeo también –, lo que para mí parece bien. El cine es un arte caro: necesita apoyo e inversión.

¿Cómo crees que estará el cine colombiano en 10 años?

¡Va a estar mejor! Imagino 30 películas producidas al año, mejores profesionales… Un mejor panorama.

¿Cuáles son los actuales proyectos de Dia-Fragma?

La sociedad del semáforo
, que es el debut en largo de Rubén Mendonza, y The roots, el documental que estamos haciendo con Estonia. Además, sacaremos un DVD comercial con los cortos de Rubén a principios del próximo año.

Por Camila Moraes

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