:: Veneza seleciona dois filmes brasileiros e novo de Oliver Stone sobre Chávez
Com programação entre os dias 2 e 12 de setembro, o festival italiano, que está entre os três mais importantes da Europa, selecionou dois filmes brasileiros para sua seção “Horizontes”. São eles os experimentais "Insolação" de Daniela Thomas e Felipe Hirsch, e "Viajo porque preciso, volto porque te amo", de Karim Aïnouz e Marcelo Gomes. O primeiro, quarto longa de Thomas e estréia no cinema de Hirsch, é sobre inspirado em contos de autores russos do século XIX e tem roteiros da dupla norte-americana Will Eno e Sam Lipsyte. Já o segundo mistura imagens documentais e ficção, acompanhando um geólogo (Irandhir Santos) pelo sertão nordestino. Entre os 23 filmes que disputam o Leão de Ouro, está o novo de Oliver Stone, sobre o presidente venezuelano Hugo Chávez. Mais no site oficial.
:: Brasil na Variety
A Variety deu uma nota nesta última terça-feira, 28 de julho, sobre o lançamento de um programa de estímulo fiscal por parte do governo brasileiro para democratizar o acesso de pessoas de baixa renda à indústria do entretenimento. Serão 600 milhões de reais mensais. As empresas locais que participam no programa terão direito a um benefício fiscal de 1% sobre suas receitas. Veja aqui.
:: UE fecha acordo cinematográfico com o Mercosul
O documento titulado “Mercosul audiovisual” foi assinado dia 24 de julho, em Assunção, no Paraguai, durante o 37o Encontro de Presidentes do Mercosul, estabelecendo um convênio de cooperação para fomentar o intercâmbio cinematográfico entre as duas regiões. No total, serão investidos 1,8 milhões de euros pela União Européia, destinados a atividades que estimulem a criação de um espaço comum para a cinematográfica do MERCOSUL. Entre as primeiras medidas tomadas, está a criação de 30 salas digitais e a instalação de um módulo de formação técnico-artística no Paraguai.
Foto: um dos cenários de Daniela Thomas para “Insolação”.
Já foi anunciado o fim das filmagens de “San Martín, el cruce de los Andes”, filme em que o ator Rodrigo de la Serna (“Diários de Motocicleta”) interpreta San Martín, quem lutou pela independência da Argentina, do Peru e do Chile da colônia espanhola.
Trata-se de uma superprodução épica argentina, co-produzida entre o Canal 7, o Canal Encuentro e o Instituto de Cine y Artes Visuales de Argentina (INCAA), dirigida por Leandro Ipiña e rodada em cenários naturais com 1.500 extras e centenas de técnicos. A história conta o cruzamento de Martín pela cordilheira dos Andes, junto ao seu exército, em 1817.
Para Rodrigo de la Serna, não foi fácil interpretar San Martín, “um personagem muito difícil de agarrar e de definir”. Segundo o ator, “o filme tem um olhar particular de San Martín, já que ninguém sabe a verdade absoluta sobre este homem”.
Com apoio da TV espanhola, “San Martín, el cruce de los Andes” estréia ano que vem em salas de cinema e no Canal 7 da Argentina, em tempos de celebração pelo bicentenário da independência do país. Veja abaixo um trecho do filme.
Começa hoje a 19ª edição do Cine Ceará, que exibirá até 4 de agosto, em diferentes salas de Fortaleza, uma série de longas e curtas-metragens ibero-americanos, com destaque para as mostras especiais de animação – o tema escolhido este ano pelo evento. Wolney Oliveira, o diretor do festival, destacou em sua entrevista exclusiva para La Latina os principais pontos desta edição do festival, o mais político do cinema brasileiro, que luta para sobreviver na pauta do público e dos profissionais de cinema. Confira!
Por que o Cine Ceará acontece desta vez agora em julho e agosto?
Nossa data era em abril, mas para esta edição um dos patrocinadores entrou em contato conosco para rediscutir o apoio que davam a festival por causa de dificuldades financeiras em decorrência da crise econômica mundial. Conversamos e decidimos passá-lo a julho e agosto, para não deixar de fazê-lo. Foi a decisão correta para este ano. No ano que vem, ainda não sabemos como vai ser, porque no Brasil existe uma epidemia de festivais, e é complicado achar uma data adequada. Desta vez, nos esquivamos de eventos concorrentes, como o Festival Latino de São Paulo, o Festival de Cinema de Paulínia e do Festival de Gramado, que acontece depois da gente.
Na sua opinião, qual a especialidade do Cine Ceará, entre os tantos festivais de cinema que há no Brasil?
Pra começar, acredito que o Cine Ceará é o mais político do cinema brasileiro. E também muito relacionado à educação, tanto que nosso lema desde 2006 é “audiovisual e educação”. Ao longo das diferentes edições do evento, por exemplo, já abordamos temas como a descentralização de recursos para a produção no país e a organização política do cinema brasileiro e fizemos seminários e congressos que reuniram profissionais importantes do meio. Além disso, o Cine Ceará é o principal festival ibero-americano do Brasil. Além dele, há somente o Cine Sul, que é menos expressivo.
O que você destacaria desta 19a edição?
Há oito longas-metragens na competição oficial. Do Brasil, duas ficções (“Se nada mais der certo” e “À deriva”) e dois documentários (“Pequeno burguês – Filosofia de vida” e “O homem que engarrafava nuvens”), ao lado de um documentário argentino (e ficções do México (“Corazón del tiempo”), de Cuba (“Los dioses rotos”) e do Peru (“El premio”). Também teremos a mostra Che – Olhares do Tempo, com 13 filmes que resgatam a história de Ernesto Guevara no cinema. O Che é tema do filme de abertura também, o “Che – Guerrilha”, do Steven Soderbergh, que estréia comercialmente nos cinemas brasileiros só em setembro. Também há as diferentes mostras de curtas e os curtas em competição. Mas eu diria que o principal destaque é a animação, com um seminário internacional, uma mostra de animação cubana, convidados especiais e títulos animados de toda a Ibero-América.
Por que animação?
Porque sentimos que há uma retomada importante da animação no mundo e também no Brasil. Há atualmente linhas especiais de financiamento para este tipo de cinema, nomes e filmes que estão se destacando no cenário internacional etc. É um tema bastante oportuno.
Qual o critério de seleção do Cine Ceará para sua competição oficial?
Priorizamos qualidade. Qualquer festival adoraria ter só títulos inéditos na sua seleção, mas isso é impossível. Não existe nenhum pré-requisito de ineditismo. Nossa preocupação é trazer o melhor da produção ibero-americana ao Ceará. Nesta edição, só o documentário brasileiro “Pequeno Burguês – Filosofia” estréia no festival, mas os estrangeiros estão sendo exibidos por primeira vez no Brasil, e todos são títulos de qualidade.
Por Camila Moraes
O 19o Cine Ceará conta também com uma programação paralela de encontros e debates com diretores e outros profissionais do cinema ibero-americano. Saiba mais no site oficial do evento.
O grupo porto-riquenho de reggaeton Calle 13 apresenta no Festival de Cinema Latino de Nova York – que começa hoje, 27 de julho, reunindo nomes do estrelato latino nos Estados Unidos e filmes de vários países da região para seu 10o aniversário até 2 de agosto – o primeiro documentário que protagonizou, titulado “Sin mapa”, sobre uma viagem que fizeram em busca das diferentes realidades latino-americanas que, segundo eles, são inspiração para sua música.
“Sin mapa” foi rodado em localidades do Peru, da Colômbia e da Argentina, entre outros países, com o objetivo de registrar “a riqueza cultural do continente, que não está somente nas capitais”, como perceberam os membros do Calle 13. Várias comunidades indígenas foram visitadas por membros do grupo, entre elas os yekuana, os yanomami, os arhuacos e os wayuu.
Atualmente o grupo musical mais famoso de Porto Rico, o Calle 13 tem o hábito de abordar temas sociais em suas canções, como é o caso de “La perla”, gravada em parceria com o cantor panamenho Rubén Blades e dedicada a um bairro marginal de San Juan.
Depois de sua apresentação no festival de Nova York, “Sin mapa” – que será lançado em DVD – viajará mais em busca de financiamento para ser distribuído. Veja um teaser do filme abaixo:
Entre os dias 18 e 24 de agosto acontece na capital chilena a quinta edição do Santiago Festival Internacional de Cine-SANFIC, no qual serão exibidos cerca de 100 filmes, vários deles provenientes da América Latina.
Os três títulos latinos selecionados para a competição internacional são “El General”, de Natalia Almada (México-Estados Unidos), “Los viajes del viento”, de Ciro Guerra (Colômbia-Argentina-Alemanha-Holanda), e o chileno “Navidad”, de Sebastián Lelio.
Já a seleção da Competição Latino-Americana inclui nove filmes: “Acácio”, de Marília Rocha (Brasil), “Acné”, de Federico ‘Cote’ Veiroj (Uruguai-Espanha-México-Argentina), “Dioses”, de Josué Méndez (Peru-Argentina-França-Alemanha), “El viento y el agua”, de Vero Bollow e o coletivo Igar Yala (Panamá), “Gasolina”, de Julio Hernández Cordón (Guatemala-Estados Unidos-Espanha), “Grita”, de Marcelo Leonart e Paulo Avilés (Chile), “María y el Nuevo Mundo”, de George Walker Torres (Venezuela), “Perfidia”, de Rodrigo Bellot (Bolivia-Chile-Estados Unidos), e “Todos mienten”, de Matías Piñeiro (Argentina).
A novidade este ano é a inclusão de uma seção competitiva reservada exclusivamente a longas-metragens chilenos. Os que participam são: “A un metro de ti”, de Daniel Henríquez, “Debut”, de Andrés Nazarala, “Melodrama Lo-Fi”, Alexis Aldana, “Nosotros”, de Cristóbal Cohen y Marcelo Hermosilla, “Paseo”, de Sergio Castro San-Martín, “Retrato de un antipoeta”, de Víctor Jiménez Atkin, e “Weekend”, de Joaquín Mora.
“Año uña”, o primeiro trabalho em cinema de Jonás Cuarón, será o primeiro filme a estreiar simultaneamente em cinema e televisão no México, graças à aliança formada pela produtora Canana Films e o canal Cablevisión. O longa chega aos cinemas hoje, 24 de julio, e três dias mais tarde estará disponible na TV a cabo, através do serviço sob demanda.
Com o objetivo de enfrentar a pirataria e diversificar a exibição, a produtora fundada por Gael García Bernal, Diego Luna e Pablo Cruz criou a Canana On Demand, um serviço que será oferecido pela Cablevisión a seus clientes e que permitirá a exibição dos filmes da produtora de acordo com a escolha dos espectadores, a um custo de 49 pesos mexicanos (cera de 3,7 dólares).
“Ano uña” é a história de amor impossível entre um adolescente mexicano e uma estudante dos Estados Unidos, que o filho de Alfonso Cuarón realizou usando fotografias fixas que tirou durante um ano, com as quais armou uma ficção de 80 minutos. Os protagoistas são Diego Cataño (“Temporada de patos”) e Eireann Harper, o irmão e a namorada do diretor.
O filme chega às salas do México com quatro cópias, depois de ter estreado na Grã Bretanha com 12. Veja o trailer acima.
Confirmado de 7 a 15 de agosto en la capital peruana, el Festival Internacional de Cine de Lima acaba de anunciar la programación completa de esta que es su 13ª edición.
Aunque sea considerado un “festival de festivales” incluso por la prensa local –de estos que presentan en gran parte películas estrenadas antes en otros festivales–, el principal evento cinematográfico del Perú ha conseguido hasta hoy organizar buenas programaciones y llevar al país invitados y profesionales de renombre.
Es el caso, este año, de la actriz francesa Isabelle Huppert, que fue presidente del jurado oficial del Festival de Cannes el pasado mes de mayo. Según la organización, Huppert “viene a Lima a dialogar con cineastas, actores, cinéfilos y público en general”, además de ser homenajeada “por su gran trayectoria de la mano de directores como Jean-Luc Godard, Marco Ferreri, Michael Haneke, Claude Chabrol, André Téchiné, François Ozon, Andrzej Wajda, entre otros”. Con ella en la lista de invitados, están nombres como el del actor peruano Carlos Gassols, estrella de muchas películas nacionales (“Caídos del cielo”; “Tinta roja”, “Ojos que no ven”), y de varios realizadores latinos.
España es el país invitado, con cuatro muestras que hacen una retrospectiva del cine clásico español y contemporáneo – con destaque para las películas del director catalán Ventura Póns. Ya el italiano Pier Paolo Pasolini gana, además de una retrospectiva, una muestra fotográfica de su vida y obra.
Pero es la competencia oficial la principal atracción. 20 películas latinas provenientes de Argentina, Brasil, Chile, Colombia, Cuba, Guatemala, México, Perú y Uruguay disputan premios en varias categorías, así como 10 documentales de Argentina, Brasil, Chile, Colombia, México y Perú.
La mayoría de ellas – especialmente las ficciones – son títulos que ya circularon bastante, como el mismo vencedor de Berlín-2009, el peruano “La teta asustada” (de Claudia Llosa; que incluso ya estrenó comercialmente en Perú) y el argentino “La ventana” (Carlos Sorín), además de competidores de las distintas secciones de Cannes este año (que seguramente valen la pena), como el brasileño “À Deriva” (Heitor Dahlia), el chileno “Huacho” (Alejandro Fernández Almendra) y el uruguayo “Mal día para pescar” (Álvaro Brechner; foto).
Entre los documentales, uno de los títulos más comentados es el peruano inédito “De ollas y sueños”, de Ernesto Cabellos, que traza un interesante paralelo entre la gastronomía del Perú – que está entre las mejores de Latinoamérica – e identidad peruana.
Las entradas empiezan a ser vendidas este domingo, 26 de Julio, en el Centro Cultural PUCP – sed del festival – y también en la cadena de cines Cineplanet. Confiere la programación completa y otras informaciones en el portal oficial del evento: www.festivaldelima.com.
Confirmado de 7 a 15 de agosto na capital peruana, o Festival Internacional de Cinema de Lima acaba de anunciar a programação completa desta que é sua 13ª edição.
Ainda que seja considerado um “festival de festivais” inclusive pela imprensa local – destes que apresentam em grande parte filmes estreados antes em outros festivais –, o principal evento cinematográfico do Peru tem conseguido organizar boas programações e levar ao país convidados e profissionais de renome.
É o caso, este ano, da atriz francesa Isabelle Huppert, que foi presidente do júri oficial do Festival de Cannes no passado mês de maio. Segundo a organização, Huppert “virá a Lima dialogar com cineastas, atores, cinéfilos e público em geral”, além de ser homenageada “por sua grande trajetória em mãos de diretores como Jean-Luc Godard, Marco Ferreri, Michael Haneke, Claude Chabrol, André Téchiné, François Ozon, Andrzej Wajda, entre outros”. Com ela na lista de convidados, estão nomes como o do ator peruano Carlos Gassols, estrela de muitos filmes nacionais (“Caídos del cielo”; “Tinta roja”, “Ojos que no ven”), e de vários realizadores latinos.
A Espanha é o país convidado, com quatro mostras que fazem uma retrospectiva do cinema espanhol clássico e contemporâneo – com destaque para os filmes do diretor catalão Ventura Póns. Já o italiano Pier Paolo Pasolini ganha, além de retrospectiva, uma mostra fotográfica de sua vida e obra.
Mas é na competição oficial que está a principal atração. 20 filmes latinos provenientes de Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba, Guatemala, México, Peru e Uruguai disputam prêmios em várias categorias, assim como 10 documentários da Argentina, do Brasil, Chile, Colômbia, México e do Peru.
A maioria deles – especialmente as ficções – são títulos bastante circulados, como o próprio vencedor de Berlim-2009, o peruano “La teta asustada” (de Claudia Llosa; que inclusive já estreou comercialmente no Peru), o argentino “La ventana” (Carlos Sorín), além competidores das diferentes seções de Cannes-2009 (que no entanto valem a pena), como o brasileiro “À Deriva” (Heitor Dahlia), o chileno “Huacho” (Alejandro Fernández Almendra) e o uruguaio “Mal día para pescar” (Álvaro Brechner; foto).
Entre os documentários, um dos títulos mais comentados é o peruano estreante “De ollas y sueños”, de Ernesto Cabellos, que traça um interessante paralelo entre a gastronomia do Peru – que está entre as melhores da América Latina – e identidad peruana.
As entradas começam a ser vendidas neste domingo, 26 de julho, no Centro Cultural PUCP – sede do festival – e também na cadeia de cinemas Cineplanet. Veja a programação completa e saiba mais no site oficial do evento: www.festivaldelima.com.
Silenciosamente, desde que foi criado há quatro anos, o Festival de Cine Cero Latitud, no Equador, vem consolidando seu lugar entre os festivais da região e conquistando boa fama. A quarta edição, que aconteceu de 9 a 19 de julho em cinco cidades equatorianas, acaba de terminar com boa reputação e prêmios para boas produções.
O prêmio Semilla, o principal, a melhor filme foi para o ótimo e silencioso “Lake Tahoe”, o segundo longa-metragem do mexicano Fernando Eimbcke, já bastante premiado em outros eventos de cinema. Melhor roteiro foi para o brasileiro “Feliz natal”, de Selton Mello, e houve menção especial para “El regalo de la Pachamama”, que obteve o mesmo mérito no recém-terminado Festival Latino de São Paulo. Já a crítica deu menção especial a “Trance 1-10”, do chileno José Luis Torre Leiva. Entre os equatorianos, merece destaque o curta vencedor: “Wakulla”, de Daniel Avilés.
Na edição deste ano do Cero Latitud, o país convidado foi a Argentina, com mostra retrospectiva dos filmes de Daniel Burman e mostra de filmes argentinos recentes, focados no tema identificado recorrente na produção de lá,“família”. Também houve mostras e debates sobre a questão indígena na região, exibição de filmes ao redor da realização audiovisual por mulheres e uma mostra de diretos humanos.
“Cine que cruza la linea", segundo a organização, é o lema do evento. Se ainda não é pioneiro, pelo menos o festival já está cumprindo bem sua tarefa: fazer o cinema independente da região cruzar a linha do Equador, ainda que ela sempre tenha estado tão próxima.
Há pouco mais de dois anos, quando nasceu este blog, muito pouco sobre cinema latino havia no extenso mar de informações da internet – o que talvez reflita a popularidade nem sempre intensa das nossas cinematografias junto aos públicos.
Mas as coisas estão mudando, e é com satisfação e ares de boa notícia que divulgamos aqui a criação de mais um blog “dos nossos”, o Blog de Cine Latinoamericano.
A iniciativa é de Maria José Bello e Ignacio de Valle, ambos estudiosos do tema e colaboradores do festival de cinema latino-americano de Toulouse, na França, o Rencontres Cinémas d'Amérique Latine de Toulouse – onde puderam mergulhar em filmes produzidos na região para organizar programações do evento.
“Parecia pra nós que era uma lástima deixar passar esses filmes sem falar deles ou de outras produções latinas que estréiam nos cinemas. Assim, decidimos criar um espaço para fazer análises e críticas cinematográficas de atualização semanal”, explica Maria José.
A dupla de chilenos, há dois anos vivendo na França, também acredita que são ainda poucos os sites especializados em cinema latino-americano. “Queremos que este seja um convite a que outras pessoas se encantem por esses filmes. Gostaríamos de compartilhar com os outros nosso amor pelo cinema do continente”, acrescenta.
Dois projetos cinematográficos da Colômbia foram diretamente convidados pela organização do Sundance/NHK International Filmmakers Award para participar da edição deste ano: “Porfírio”, de Alejandro Landes (do documentário “Cocalero”), e “Todos tus muertos”, de Carlos Moreno (“Perro come perro”).
Os dois filmes foram apresentados pela produtora Antorcha Films, e ambos realizadores são já conhecidos do festival: o primeiro competiu na seleção oficial em 2007, e o segundo em 2008.
Porfirio" se auto-denomina uma “comédia dramática de ficção”, que conta a história de Porfirio, um homem em cadeira de rodas que sobrevive vendendo ligações de celular na porta de sua casa, em Florencia, capital do departamento colombiano de Caquetá. Já “Todos tus muertos” é a história de Salvador, um camponês que encontra vários cadáveres não identificados no meio de seus cultivos.
O programa Sundance/NHK, criado em 1996 para comemorar 100 anos de existência do cinema, funciona como um laboratório de projetos, do qual já participaram filmes bastante premiados, como “El custodio” e “La cienaga”, dos argetinos Rodrigo Moreno e Lucrecia Martel, respectivamente, e “Sleep dealer”, do norte-americano e descendente de peruanos Alex Rivera, ganhador da edição de 2008 de Sundance.
O filme mexicano “Vou explodir” (“Voy a explotar”), do diretor Gerardo Naranjo sobre a fuga romântica de dois adolescentes problemáticos, venceu o prêmio da crítica da quarta edição do Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo, que terminou dia 12 de julho contabilizando um público de 16 mil espectadores. O filme foi produzido pela famosa dupla de atores mexicanos Diego Luna e Gael García Bernal, através de sua produtora Canana Films. Veja o trailer abaixo.
O júri, composto por Cleber Eduardo, Christian Petterman e Neusa Barbosa, também deu um prêmio de menção honrosa a “O Presente de Pachamama”, de Toshifumi Matsushita, uma co-produção Bolívia, Japão e Estados Unidos.
Já o público escolheu “Corumbiara”, de Vincent Carelli, como o melhor do evento. O filme brasileiro resgata a história de um massacre de índios na Gleba Corumbiara (RO), caso denunciado pelo indigenista Marcelo Santos em 1985. Mais sobre o tema do massacre em vídeos postados no You Tube:
Essa é apenas mais uma notícia das que ainda serão dadas sobre a próspera carreira da atriz peruana Magaly Solier, que primeiro chamou a atenção de alguns em “Madeinusa” e depois caiu nas graças de todos em “La teta asustada”, ambos filmes da jovem diretora peruana Claudia Llosa.
Solier irá atuar no novo filme do cineasta espanhol Fernando León de Aranoa (“Segunda-feira ao sol” e “Princesas”), que começa a ser rodado em Madrid em agosto. Quem soltou a novidade foi o ator Pietro Sibille, também escalado para o projeto, em uma entrevista para o jornal Perú.21.
“El mundo por venir” é o nome do longa, que anunciou uma convocatória para selecionar 500 extras latinos na Espanha. Quem estiver por lá...
Avisa o pessoal do blog “Nerd Somos Nozes”: cinema brasileiro também tem kung-fu. No post “O Tigre o Dragão à brasileira”, eles dão a dica do filme “Besouro”, dirigido pelo publicitário João Daniel Tikhomiroff com um ornamento de 10 milhões de reais.
Segundo o autor, que se declara apaixonado por filmes de luta orientais, “o filme é uma mistura de ‘O Tigre e o Dragão’ (ou ‘Herói’, outro clássico moderno dos filmes wuxia) com capoeira”.
Mas o mais legal da novidade (“novidade”, afinal, seguramente escassos são os títulos do gênero no cinema nacional) é que Hiuen Chiu Ku, que fez “Matrix”, “Kill Bill” e o próprio “O Tigre e o Dragão” ajudou na coreografia da produção, o que provavelmente confere autoridade à história.
“Besouro” é baseado no romance “Feijoada no Paraíso”, de Marco Carvalho, e levou quase três meses para ser filmado no Bahia. Fátima Toledo (“Tropa de Elite”, “Cidade de Deus”) cuida do elenco e Patrícia Andrade (“Dois filhos de Francisco”) assinou o roteiro.
Estreou semana passada, em Buenos Aires, o documentário “Return to Bolivia” (“Regreso a Bolivia"; 2008), do argentino Mariano Raffo, quem acompanhou a trajetória de uma família boliviana da capital da Argentina, onde sobrevivem à frente de uma loja de verduras, de volta à sua terra natal na Bolívia.
O tema da migração latino-americana é tratado no filme a partir do ponto de vista dos bolivianos – o povo que mais se desloca na região em busca de melhores condições de trabalho e de vida – e narrado como “road movie” em estilo etnográfico, retratando os contrastes da região. Sobre seu compromisso documental, o diretor esclareceu em entrevistas à imprensa: “Nossa intenção é contrapor a concepção ‘progressista a qualquer preço’”.
“Return to Bolívia” tem uma bela trilha sonora criada por Zelmar Garín, que combina raízes andinas como uma série de intervenções eletrônicas. O filme pode ser visto desde quinta-feira passada na sala ArteCinema de Constitución e no Centro Cultural de la Cooperación.
Posteriormente estreará no Cinema Plaza Shopping Center de Liniers – se o estado de emergência pela gripe A na Argentina não eliminar de vez os eventos públicos por esses dias.
O interesse de Robert Redford pelas culturas hispânicas ao longo dos últimos anos, segundo declarações do próprio ator, foi a grande motivação para que ele, que é diretor do importante Festival de Sundance, decidisse levar para estado do Novo México, nos Estados Unidos, uma sucursal do seu evento de cinema independente.
A ideia nasceu de conversas entre Redford e o governador do Novo México, Bill Richardson, que anunciaram a novidade em uma coletiva de imprensa no dia 14 de maio. De acordo com a dupla, o objetivo é promover o encontro de diretores, produtores, atores e roteiristas veteranos com jovens realizadores que sejam americanos “nativos”, ou seja, latinos e, inclusive (mas não somente), indígenas: “Queremos dar espaço a vozes pouco ouvidas no nosso continente”, disse Richardson, também de olho nos benefícios econômicos do projeto para o Novo México.
Nessa linha de descoberta de novos talentos cinematográficos, serão realizados vários workshops e programas práticos de formação – a maioria deles acontecerá numa fazenda chamada “Los Luceros”, uma propriedade do século 18 que será a sede latina do festival.
Redford, em seu discurso de lançamento da iniciativa, citou orgulhosamente o filme “Diários de motocicleta”, de Walter Salles, como exemplo de filme latino bem-sucedido e com equipe composta por “somente hispânicos”. Generalidades à parte, Robert merece os parabéns pela iniciativa.
Por Camila Moraes
Foto: Robert Redford anuncia a criação de um braço latino para Sundance.
Cinco projetos cinematográficos, entre eles quatro vindos da América Latina, receberão apoio financeiro do World Cinema Fund para serem produzidos. Em sua 10a sessão, o fundo alemão também dará apoio econômico a dois longas-metragens, um deles latino, para distribuição na Alemanha. O total dos estímulos chega a 225 mil euros.
Os quatro projetos latino-americanos selecionados são o peruano “Las malas intenciones”, de Rosario Garcia-Montero (Garmont Films), o chileno “Post Mortem”, de Pablo Larraín (Fabula Films), o uruguayo “3” (Tres), de Pablo Stoll (Control Z Films) e o dominicano “Jean Gentil”, de Laura Amelia Guzmán (Aurora Dominicana).
Em distribuição, a co-produção uruguaio-argentina “Gigante” (foto), de Adrián Biniez, foi a escolhida. O obra, que receberá 10 mil euros, estréia na Alemanha em novembro.
Desde sua criação em 2004, essa iniciativa da Fundação Cultural Alemã e do Festival de Cinema de Berlim, junto com o Instituto Goethe, apoiou economicamente 63 projetos da África, América Latina, Ásia e Oriente Médio. O prazo para a apresentação de projetos para o próximo ciclo do fundo termina em 3 de agosto.
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