Terça, 29 de Setembro de 2009
Cine latino em curtas

:: Está rolando Biarritz

Começou nesta segunda-feira, 28 de setembro, a 18ª edição do Festival de Biarritz – Cinemas e Culturas da América Latina. Ficções de oito países da região (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba, México, Nicarágua e Uruguai) estão competindo pelo principal prêmio do evento, o troféu “Abraço”. Já na categoria documental, praticamente os mesmos países disputam o “Prêmio União Latina”, com 15 documentários em longa-metragem. O festival francês termina dia 4 de outubro. Saiba mais no site oficial.

:: Argentinos esperados


“Francia”, o novo longas de Adrián Caetano (“Bolívia”), apresentado em Veneza e que acaba de ganhar Menção Especial do Júri em San Sebastián, e “Dos hermanos” (leia mais no La Nación), o novo de Daniel Burman (“O abraço partido”) são dois filmes argentinos pra lá de esperados em 2010. A boa notícia é que a data de estréia na Argentina já está confirmada para os dois: 1 de abril, pela Primer Plano, a distribuidora da Pascual Condito. E será que chegam logo ao Brasil?

:: Boas vendas na Argentina


A consultoria Ultracine divulgou um relatório com os números de entradas vendidas na Argentina em agosto: 1.150.000 de um total de 3.438.000 foram para filmes nacionais. O sucesso deste mês é devido à estréia de “El secreto de sus ojos”, o novo filme de Juan José Campanella (“O filho da noiva”), que vendeu 768.147 entradas. Também teve boa performance o título romântico-juvenil “Papá por un día”, de Raúl Rodríguez Peila, com seus 320.243 espectadores.

 
   
 Segunda, 28 de Setembro de 2009
Mostra de SP: filme brasileiro feito em Bollywood




Adiantamentos interessantes da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (de 23 de outubro a 5 de novembro)…

Um curioso participante do evento este ano é o filme “Sonho bollywoodiano”, realizado por jovens brasileiras na Índia. A idéia de rodar a longa foi da cineasta e atriz Beatriz Seigner, que estreou como diretora em Bollywood depois de escrever uma história sobre atrizes brasileiras que vão procurar trabalho no meio da intensa – e particular – produção cinematográfica local.

O estilo adotado por Seigner mistura ficção e toques documentais, graças à improvisação que marca a interação do casting com o ambiente do cinema indiano.

A TV Estadão entrevistou a diretora e uma atriz envolvida no projeto. Mais detalhes estão na vídeo-reportagem acima.

 Quarta, 23 de Setembro de 2009
Panorama do Festival do Rio, que começa amanhã

Começa nesta quinta-feira, 24 de setembro, mais uma edição do Festival do Rio – o maior da América Latina –, que traz para estréia no Brasil os principais títulos vencedores de importantes eventos internacionais, como Cannes e Veneza, mais de 60 títulos brasileiros inéditos na sua principal atração, a Première Brasil, e a mostra latina com 20 títulos representando a produção mais recente da região.

São cerca de 300 filmes de 60 países em uma programação que se estende até 8 de outubro, de olho em todos os públicos.

“Aconteceu em Woodstock”, o novo filme de Ang Lee, selecionada em maio para o Festival de Cannes, é o título que abre o evento, cuja principal homenagem este ano vai para a atriz Jeanne Moreau, diva da Nouvelle Vague francesa. “Bastardos inglórios”, novo filme de Quentin Tarantino, que já confirmou sua presença no Rio, é outra das atrações internacionais. A Palma de Oro deste ano, a “A fita branca”, de Michael Haneke, e o novo filme de Almodóvar, “Abraços partidos”, são outras.

Dentro a Première Brasil, a única mostra competitiva do evento carioca, estão títulos brasileiros estreantes no festival, a maioria em première mundial. São 6 documentários, 16 curtas e 11 longas de ficção (listados abaixo) na competição.

“Bellini e o demônio”, de Marcelo Galvão
“Cabeça a prêmio”, de Marco Ricca
“Do começo ao fim”, de Aluizio Abranches
“Histórias de amor duram apenas 90 minutos”, de Paulo Halm
“Hotel Atlantico", de Suzana Amaral
“Natimorto”, de Paulo Machline
“O amor segundo B. Schianberg”, de Beto Brant
“Os famosos e os duendes da morte”, de Esmir Filho
“Os inquilinos”, de Sérgio Bianchi
“Sonhos roubados”, de Sandra Werneck
“Viajo porque preciso, volto porque te amo”, de Karim Ainouz e Marcelo Gomes

Latinos

O destaque da Première Latina vai para o novo filme do argentino Juan José Campanella (“O filho da noiva”), “O segredo dos seus filhos” (em espanhol, “El secreto de sus ojos”), que participa ao mesmo tempo de San Sebastián (18 a 26 de setembro). O diretor virá ao Brasil a convite do festival.

Outros destaque são “O último verão de La Boyita”, de Julia Solomonoff, que foi assistente de direção de Walter Salles em “Diários de motocicleta”. “A próxima estação”, de Fernando Solanas, “Chuva”, de Paula Hernandéz, e o imperdível “Historias extraordinárias”, de Mariano Llinás, completam a lista de títulos chamativos da Argentina, sempre o país mais coberto pela mostra. Do Chile, vem o ótimo e bastante premiado “A criada” (“La nana”), de Sebastián Silva, e, do México, “Arranca-me a vida”, uma superprodução de Roberto Sneider. Vale a pena conferir.

A programação completa pode ser vista aqui.

 Segunda, 21 de Setembro de 2009
Entrevista sobre Natimorto, adaptação de Lourenço Mutarelli que estréia no Festival do Rio

Um agente musical se apaixona por uma cantora lírica sem voz e tenta decifrar o destino dos dois lendo o futuro nas fotografias de advertência dos maços de cigarro, como se fossem cartas de tarô. Essa é, em poucas palavras, a história de “Natimorto”, baseada no livro homônimo do escritor e desenhista Lourenço Mutarelli.

O longa estréia na próxima edição do Festival do Rio (de 24 de setembro a 8 de outubro) e tem exibição confirmada na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (de 23 de outubro a 5 de novembro). Em meio a conflitos amorosos e tragadas intensas, a história é interpretada por um elenco que merece destaque: Simone Spoladore (“O Primo Basílio” e “O ano em que meus pais saíram de férias”), Betty Gofmann (“Cronicamente inviável”) e o próprio Mutarelli, que faz o papel do protagonista.

A direção é de Paulo Machline, que encarou o desafio de adaptar mais uma obra de Mutarelli para o cinema com baixo orçamento e poucas locações. As filmagens aconteceram quase inteiramente no cenário construído nos estúdios da Vila Leopoldina em São Paulo.

A relação de Mutarelli com o cinema brasileiro ganhou maior expressão em 2006, com a adaptação de seu primeiro romance, “O cheiro do ralo”, escrita e dirigida por Heitor Dhalia. Também realizado com poucos recursos, o filme teve boa repercussão ao chegar às salas de cinema e ainda abocanhou o prêmio de melhor longa do Júri da 30º Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

A seguir, confira a entrevista exclusiva para La Latina de Oswaldo Santana, o editor de “Natimorto”, que fala sobre a experiência de trabalhar com Mutarelli e dos desafios que encarou. Abaixo, veja a promo do filme.



Como foi a experiência de montar “Natimorto”? A narrativa de Lourenço Mutarelli parece ser um desafio...


A experiência de montar esse filme foi única, primeiro por ser meu primeiro longa-metragem, segundo por ser fã da obra do Lourenço. Esses desafios iniciais, além de me incentivarem, fizeram com que eu me sentisse totalmente abduzido durante os três meses de montagem do "Natimorto". Mesmo passado o nervosismo inicial, foi difícil encontrar os tempos dos diálogos, pois é um filme, em que 90% do tempo, há apenas dois atores em cena em um único cenário. Achar os tempos de respiro sem tornar o ritmo do filme lento ou frenético demais não foi fácil.

E para traduzir a conturbada relação dos protagonistas, você quis explorar diferentes possibilidades e planos de corte?


Já havia lido o livro antes de entrar no projeto. Quando o Paulo Machline me chamou para montar o filme, eu reli o livro, li o roteiro e fiz questão de passar o máximo de tempo no set durante as filmagens para entender melhor a relação dos personagens, ou melhor, entender o conflito que ao longo da história vai se fixando nessa relação. Esse filme é de baixo orçamento, ou seja, não havia muitas variações de planos ou coberturas, e isso inicialmente me deixou preocupado. Quando terminei o primeiro corte e ele tinha mais de duas horas. Eu gelei: como eu tiro 30 minutos de um filme cujo o maior atributo é um texto muito bem amarrado e a evolução da história cronológica? Foi nesse momento que entrei na melhor fase da montagem, pois já estava totalmente adaptado à história e comecei a realmente cortar o filme, tirar diálogos, subverter o tempo inicialmente cronológico, mudando a ordem prevista no roteiro. Essa etapa foi muito mais de longas conversas com o diretor, depois com o autor da obra, o Lourenço, do que propriamente editar. Foi incrível perceber informações que fazem sentido na literatura e que para um filme são desnecessárias.

Paulo Machline, o diretor, disse que se trata de uma história de amor clássica, mas o Mutarelli adicionou a ela ingredientes inusitados, muitas vezes sarcásticos. O que norteou você no processo de edição?


O Paulo sempre deixou claro que estávamos fazendo uma história de amor clássica, com o envolvimento inicial, a descoberta do real, a ruptura, a redenção e a volta. Tivemos muita atenção para não atropelar o processo de evolução de cada personagem. Por outro lado, não podíamos eliminar os elementos inusitados e sarcásticos que aparecerem antes do tempo, muito menos suprimi-los da história, pois aí não seria Lourenço Mutarelli. Em todo caso, muitas vezes esses elementos já estavam claros na narrativa da câmera, na fotografia ou mesmo na direção de arte, o que torna desnecessário acentuar isso na montagem.

 

 Quinta, 17 de Setembro de 2009
Entrevista: Bernardo Bergeret, gerente de assuntos internacionais do INCAA

Apadrinhado pelo Marché Du Film de Cannes, o Instituto Nacional de Cinema e Artes Audiovisuais da Argentina (INCAA) lançou este ano um ambicioso projeto, o Ventana Sur – Negocios de Cine.

Com este mercado, que acontecerá em Buenos Aires de 27 a 30 de novembro, seus organizadores têm o objetivo de criar uma vitrine internacional para divulgar a produção cinematográfica latino-americana mais recente.

Em entrevista para o site LatAm cinema, parceiro da Latina, Bernardo Bergeret, gestor da idéia e gerente de assuntos internacionais do INCAA, fala do assunto.

Como surge o Ventana Sur e quais são seus principais objetivos?

Mesmo existindo vários mercados cinematográficos no mundo, o Ventana Sur surgiu do convencimento de que é necessário um evento mais especializado. Por exemplo, um mercado regional especificamente dedicado a promover uma região já existente é o Unifrance Rendez-vous em Paris, que só se dedica à divulgação de filmes franceses. Também existe na Ásia o mercado de Pusán, que promove só filmes asiáticos.

Isso até hoje não existia na América Latina. Claro que os compradores e outros atores do setor audiovisual têm outras possibilidades para ter acesso à produção latino-americana, mas decidimos ir além criando um evento que só promoverá filmes latinos. Quando o INCAA falou do projeto com os representantes do Marché du Film, ligado ao Festival de Cannes, com o objetivo de fazer uma parceria, eles imediatamente se entusiasmaram. Então, pela primeira vez fora da França e de sua sede, o Marché du Film colocou toda sua experiência à disposição do Ventana Sur, organizado pelo INCAA e que concentrará o que há de mais valioso na produção cinematográfica latina recente.

Quem pode participar e que atividades fazem parte do evento?

Ao longo de quatro dias, o Ventana Sur abrigará praticamente a totalidade da produção da América Latina realizada entre 1 de junho de 2008 e 27 de novembro, quando começa o evento, para os longas-metragens de ficção. Para os documentários, valem os terminados até a primeira semana de novembro.

Paralelamente à realização do Ventana Sur, e nos dias prévios, haverá uma agenda de atividades para os profissionais do setor, como a reunião semestral do Ibermedia e seus fóruns sobre distribuição, a terceira edição do Expotoons, que é ao mesmo tempo um festival e um mercado de animação e os fóruns de co-produção realizados com o Doc Buenos Aires, entre outros. Além disso, haverá projeções especiais de alguns filmes para o público.

A infra-estrutura costuma ser peça-chave neste tipo de mercado. Com que instalações contam os participantes do evento?

Uma moderna infra-estrutura com mais de 40 lugares individuais com telas LCD, localizados em espaços confortáveis, permitirão aos participantes que visualizem os títulos desejados na hora que preferirem. A localização do evento será em uma zona estratégica de Buenos Aires, o que tornará tudo mais fácil do ponto de vista logístico. Mais de 200 compradores da Europa, da Ásia, da Oceania e da América do Norte serão convidados a participar e a desfrutar da mais importante produção cinematográfica latina atual.

A vinda de compradores internacionais também é fundamental. Quem já confirmou presença?

Como disse antes, esperamos mais de 200 compradores internacionais. Por se tratar da primeira edição do evento, a resposta até agora foi bastante satisfatória. As presenças confirmadas até agora são aproximadamente 100, entre elas as da Wild Bunch e The Match Factory, da Alemanha, Fortissimo Films, da Holanda, Rezo, Mk2 Pyramide International, da França, TVA Films de Canadá, Filmax e Latido Films, da Espanha, Myriad Pictures, LAPTV, Shoreline Entertainment e Venevision International, dos Estados Unidos, e a associação Brazilian TV Producers, entre muitas outras.

A associação com o Marché du Film do Festival de Cannes rendeu boa repercussão internacional. Como você imagina essa relação crescerá?

Estamos orgulhosos de que o Marché du Film faça parte da organização do Ventana Sur e, claro, muito agradecidos pela confiança que depositaram na gente. Temos muitas expectativas para novembro. Confiamos no sucesso deste empreendimento, a partir do qual seguramente este vínculo se fortalecerá e será o motor para impulsionar futuras ações conjuntas.

 Quarta, 16 de Setembro de 2009
Versão latina de Grey’s Anatomy está sendo produzida na Colômbia

A Colômbia anda conquistando grandes produtores de conteúdo da televisão norte-americana para trazer para Bogotá a produção de séries para a TV a cabo da América Latina. “Tempo final”, da Fox, é um dos primeiros exemplos da lista, que agora cresce com a produção da versão latina de “Grey’s Anatomy”, popular seriado de médicos da ABC (American Broadcasting Company), já batizada de “A corazón abierto”.

Quem está fazendo a adaptação é a Disney Media Networks Latin America, que conta com a Vista Producciones como provedor responsável por entregar 80 capítulos que estão sendo rodados na capital colombiana há alguns meses. O diretor é Fernando Gaitán, criador da novela “Yo soy Betty, la fea". Segundo os produtores, apesar de fiel à história original, “‘A corazón abierto’ está de acordo com as características culturais da América Latina, em especial de Bogotá”.

O elenco fixo é de 13 atores, dos quais vários são estrelas da televisão colombiana. Rafael Novoa será Derek (Andrés Guerra na versão latina) e Verónica Orozco, Meredith Grey (ou María Alejandra). Ainda não foi divulgada a data de estréia da produção.

 Terça, 15 de Setembro de 2009
Festival Cine EsquemaNovo, de Porto Alegre, adianta detalhes de sua 6ª edição

O Festival CineEsquemaNovo, importante evento de cinema independente brasileiro que se realiza anualmente em Porto Alegre, anunciou os filmes selecionados para participar em duas das três mostras competitivas de sua 6ª edição.

São quatro as das principal competição, que é a de longas-metragens: “A Casa de Sandro”, de Gustavo Beck, “Loveless”, de Cláudio Gonçalves, “Praia do Futuro”, realizada por un grupo de 18 directores, e “Ressaca”, de Brunno Vianna. Todas são produções inéditas e finalizadas entre 2008 e 2009.

As outras duas seções competitivas são a de curtas e médias-metragens (22 títulos) e a Mostra Aula de Cinema, com a mais recente produção cinematográfica brasileira feita em escolas e universidades de cinema (os títulos escolhidos divulgados até o final de setembro).

Segundo os responsáveis pela curadoria do Cine EsquemaNovo, o objetivo do festival é oferecer um panorama do cinema brasileiro independente e “não aristotélico”. O evento acontece de 17 a 24 de outubro em três salas da capital gaúcha.

Mais no site oficial: www.cineesquemanovo.org.

 Terça, 15 de Setembro de 2009
Festival Cine EsquemaNovo adelanta películas que compiten en su 6ª edición

El Festival Cine EsquemaNovo, importante evento brasileño de cine independiente que se realiza anualmente en Porto Alegre, anunció las películas seleccionadas para participar en dos de las tres muestras competitivas de su 6ª edición.

Son cuatro las que forman parte de la principal competencia, la de largometrajes: “A Casa de Sandro”, de Gustavo Beck, “Loveless”, de Cláudio Gonçalves, “Praia do Futuro”, realizada por un grupo de 18 directores, e “Ressaca”, de Brunno Vianna. Todas son producciones inéditas y finalizadas entre 2008 y 2009.

Las otras dos selecciones en competencia son la de cortos y mediometrajes (22 títulos) y la Mostra Aula de Cinema, con la más reciente producción cinematográfica brasileña hecha en escuelas y universidades de cine (los títulos seleccionados serán divulgados hasta el final de septiembre).

Según los responsables por la curaduría del Cine EsquemaNovo, el objetivo del festival es ofrecer un panorama del cine brasileño independiente y “no aristotélico”. El evento sucede de 17 a 24 de octubre en tres salas de la capital gaucha.

Más información en la página www.cineesquemanovo.org.

 Segunda, 14 de Setembro de 2009
Lançamento em DVD: A Ilha da Morte, co-produção Brasil-Cuba de Wolney Oliveira

Se as telas do cinema não dão conta de refletir a produção latino-americana recente, haverá que ficar de olho nas novidades em DVD.

A Imovision anunciou para este mês o lançamento de “A Ilha de Morte” (“El Cayo de la Muerte”), uma co-produção Brasil-Cuba-Espanha dirigida pelo brasileiro Wolney Oliveira (“Milagre em Juazeiro”).

O cineasta cearense, formado pela Escuela de Cine y Televisión de San Antonio de Los Baños, em Cuba, estreou seu filme em 2007 no Cine Ceará, festival do qual é diretor.

A história de “A Ilha da Morte” transcorre em Cuba em 1958. Rodolfo, filho de um revolucionário, é convidado a participar de um filme com um grupo de cineastas amadores na cidade onde sua família é obrigada a se refugiar e onde conhece seu primeiro amor. O filme conta com a participação de atores brasileiros e cubanos.

Veja o trailer abaixo e visite o site oficial.

 Segunda, 14 de Setembro de 2009
Entrevista: Marcelo Laffitte habla de Elvis & Madona

Después de una larga experiencia en cortometrajes y documentales, el cineasta Marcelo Laffitte, radicado en el Río de Janeiro, entra al universo del largometraje con “Elvis & Madona” – una historia que, según él, “trata de la búsqueda por la realización de sueños y amores”.

En fase de postproducción, la película quedará lista en noviembre y estrenará en el Festival de Brasilia. En seguida, el plan es ganar las pantallas brasileñas con una pareja diferente (una lesbiana y un travesti enamorados), actores reconocidos y el humor atractivo de la comedia romántica, género que está creciendo dentro del cine hecho en Brasil.

Laffitte habló detalladamente a La Latina de como surgió la idea de “Elvis & Madona” y también de su carrera cinematográfica. A continuación, la entrevista exclusiva y, en el Canal Elvis & Madona en You Tube, el trailer y escenas ya montadas de la película.

¿Por qué la historia de un travesti y de una lesbiana, que viste en la televisión, llamó tu atención para escribir un largometraje?

Porque, aparte el amarillismo barato, aquella historia hablaba de sueños y amores. Fue en un canal hispánico que vi en Miami. Era un programa en el que el presentador mediaba una conversación entre padre e hijo. La historia es que el padre abandonó su familia cuando el hijo era pequeño y, años después, volvió travestido de mujer. Después del susto inicial, el hijo volvió a convivir con el padre. Hasta entonces, la relación entre ellos hubiera podido inspirar la película “Transamérica” (2005), pero entonces surge la tragicomedia: el padre travesti y la mujer del hijo se enamoran perdidamente, y el padre vuelve a vestirse de hombre para vivir con ella. Ese relato me enseñaba que el ser humano puede romper cualquier patrón asumido para realizar sueños y amores y que aquél padre era la síntesis pura y aplicada de esta teoría. “Elvis & Madona” no tiene los mismos conflictos, pero trata de la búsqueda por la realización de sueños y amores.

¿Qué esperas de la reacción del público cuando la película esté en cartelera?

Como dijo José Carlos Avellar, que es uno de los mejores y más rigurosos críticos de cine en Brasil, “‘Elvis & Madona’ tiene ingredientes para establecer una relación fácil con el espectador”. Hicimos también dos pruebas con el público en Brasilia y Curitiba, con metodología altamente profesional, y la receptividad fue la mejor posible, con más de 80% de “bueno”, “muy bueno” y “excelente” – así como la popularidad del presidente Lula (risa). Sin embargo, sé que el preconcepto todavía es muy grande y ya he leído comentarios anónimos en Internet, de gente que no tiene la más mínima idea de lo que sea la película, diciendo: “¡Es pura basura! Tanta cosa interesante para tratar, ¡y el cine brasileño insiste en hablar de basura!”. Colocaciones como esas son pura homofobia. Pero creo que “Elvis & Madona” ayudará, por poco que sea, a que el imaginario popular acepte que las relaciones del universo gay son tan normales cuanto las vividas en las telenovelas por bellas parejas.

¿Cuál es tu trayectoria en el cine?

Soy de Volta Redonda, hijo de una familia de funcionarios de la CSN [Compañía Siderúrgica Nacional]. A los 16 años, ya andaba con el grupo de artistas de la ciudad, pero no sabía tocar guitarra, no escribía poesía y tenía cero talento para ser actor de teatro. ¿Qué quedaba? Conseguí que me prestaran una cámara Super 8, hice un documental sobre una disputa de tierras y me convertí en el único cineasta del grupo. Pero no pensaba en este momento en vivir de cine y empecé a estudiar Sociología en Río.

A los 19 años, en 1982, para trabajar como asistente de producción en “Bete Balanço”, de Lael Rodrigues. En seguida, trabajé en dos películas producidas por Luis Carlos Barreto: “Além da Paixão” y “O Rei do Rio”, en el que fui el tercero asistente de dirección. Entre un largo y otro, también trabajé en pequeños comerciales, videoclips y cortometrajes, siempre como asistente.

En 1985, vino una de las muchas crisis en la producción audiovisual brasileña y me quedé sin trabajo por seis meses. Entonces empecé a trabajar con sistemas y programación, que había aprendido en la universidad. Regresé a mi ciudad y, en poco tiempo, me convertí en un empresario pionero en el área. Armé una empresa que duró más de 10 años, hasta que mi amor por el cine fue más fuerte y me hizo dejar todo nuevamente para volver a realizar películas.

Regresé a Río en 1996, poco después del inicio de la Retomada, pero había perdido totalmente el contacto con el área y, a los 32 años, ya era viejo para funciones de asistente. Mi experiencia como empresario fue muy útil entonces: me puse a trabajar en la captación de recursos para “For All” (Luiz Carlos Lacerda/Buzza Ferraz) y conseguí patrocinios para la película que totalizaban un millón de dólares. Por cuenta de esta hazaña (que nunca volvió a repetirse), me volví una de las personas más comentadas en el medio cinematográfico carioca: el que consigue la plata. Pero eso no era lo que quería, y traté de realizar mis cortos y documentales, hasta conseguir hoy hacer mi primer largo.

“Elvis & Madona” cuenta con un casting importante. ¿Cómo fue el proceso de selección de los actores?

La elección de la actriz y del actor para los papeles principales fue complicada, pues eran muchas variables las que tenía que considerar. Primero, ¿quién sería Madona? ¿Quién lograría ser dramática y densa y, a la vez, emperifollada y divertida como los travestis generalmente lo son? Pensé en trabajar con una travesti de verdad, pero no conseguí encontrar a una persona que tuviera todo lo que yo necesitaba. Entonces decidí trabajar con un hombre para este rol.

Pero, en este proceso, descubrí una cosa fundamental para la película: más importante que la calidad individual de cada actor o actriz, sería la química entre esos actores, pues Elvis y Madona tendrían que estar hechos uno para el otro. Hice casting con excelentes profesionales, cambiando parejeas, probando diferentes interpretaciones para las mismas escenas etc. Hasta que me decidí por Simone Spoladores e Igor Cotrim.

Tener a personas competentes y famosas en el reparto, como Maitê Proença o José Wilker, es siempre una referencia para el público, un tipo de garantía de calidad de la película. Tal vez sepan que no aceptarían participar en una película que no sea buena. Pero eso no fue lo que orientó mis elecciones. Siempre tuve como prioridad la adecuación al universo de la película y la relación entre los personajes.

¿Cómo fue el proceso de financiación?

En el 2006, ganamos la convocatoria del Ministerio de Cultura para la producción de largometrajes de bajo presupuesto y recibimos un millón de reales. Con este recurso, pudimos rodar todas las escenas y montar la película, pero con una deuda de 200 mil. Después, ganamos otra convocatoria, la de Oi Cultural, en la que recibimos 350 mil, que ahora están siendo usados en la finalización de la película (música, tratamiento de imagen, sonido etc). Es decir, todavía debemos los 200 mil.

¿Cuál será la trayectoria de la película cuando termine la fase de postproducción?

La película estará lista en noviembre, y mi plan es participar en el Festival de  Brasilia. Después, sería bueno llevarla a un festival grande, como Sundance, Berlín o Cannes, aunque sea en muestras paralelas. Con el resultado de estos festivales, tendré una idea de que rumbo que la película podrá tomar y qué tipo de contrato voy a cerrar con el futuro distribuidor. Creo que hay potencial para una carrera mediana, con 40 o 50 copias, tal vez en los meses de abril o mayo del 2010.

¿Qué opinas sobre la actual fase del cine brasileño, en la que varios títulos nacionales están estrenando a la vez en salas comerciales?

El cine se divide en tres sectores: producción, distribución y exhibición. La producción va muy bien, gracias, con varios títulos de calidad de varias regiones del país. El público para películas nacionales está aumentando a cada año. Pero cuando hablamos de distribución y exhibición, la historia cambia. La concentración de películas extranjeras todavía es altísima, gracias al monopolio de las majors norteamericanas y de las grandes cadenas de exhibición. Si miráramos de cerca, veríamos que el gran número de títulos nacionales está en pequeñas salas de cine arte de Río, Sao Paulo y otras pocas capitales. Ese es un gueto, donde las películas nacionales pelean entre ellas y con filmes de otros países que nos los Estados Unidos, como “La teta asustada”, “Caramelo”, “Gigante” y otros. Eso mientras los centros comerciales están copados con Batman, Harry Porter y X-Men. Ahí es donde se vende 90% de las boletas y es ahí donde me gustaría ver la película brasileña.

La comedia romántica, que creo que es el género de “Elvis & Madona”, es una de las principales responsables por éxitos del cine nacional. ¿Por qué la elección de este género para tu primer largo?

Sí, “Elvis & Madona” es una comedia romántica con aires de fábula, pero no sé porque he elegido este género. Tal vez porque sea un tipo romántico y bien humorado… Dejando la broma, creo que el humor es la más poderosa forma de expresión que existe, pues el ser humano se abre cuando sonríe, y así las ideas transitan con más facilidad. En todas mis películas anteriores, inclusive la densa y pesada “Fúria” (basada en el libro “A fúria do Corpo”, de João Gilberto Noll), el humor está presente, a veces exagerado (“Banquete”), sutil (“Ópera Curta”) y aún negro (“Vox Populi”).

¿Tienes alguna relación profesional con los países vecinos? ¿Qué opinas sobre Latinoamérica, en términos de los intercambios culturales que se dan a través del cine?

Fui presidente nacional de la ABD (Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-Metragistas) por cuatro años y hice contacto con varios dirigentes de otros países. Fui fundador de la FEDALA (Federación de Escritores y Directores Latinoamericanos) y veo que las políticas nacionales para el audiovisual han avanzado bastante en los últimos años. Como cineasta, tengo un proyecto antiguo titulado, que ya ganó un premio de Ibermedia para desarrollo de guión. Se trata de un largometraje compuesto por tres historias de amor que suceden en las calles de Río, Buenos Aires y Santiago. Articulé productores, directores y guionistas, hicimos los guiones y el presupuesto, pero el proyecto no logró todavía vencer los obstáculos burocráticos para establecerse de manera plena.

También estoy desarrollando un guión sobre un tipo que va a la Argentina para buscar al padre, que se escapó allá durante la dictadura militar brasileña, y nunca más hubo noticias suyas. De alguna manera, la historia también es una descubierta de la mirada brasileña sobre un país vecino. Porque a pesar de todos los esfuerzos del Mercosur, creo que el Brasil todavía se mantiene al margen culturalmente, y el idioma es el principal obstáculo. Por ejemplo, si me preguntas el nombre de un grupo de rock argentino o chileno, yo no sé contestar. Imagino que los venezolanos o los bolivianos tampoco conozcan Pato Fu o Jota Quest…

 Sexta, 11 de Setembro de 2009
Longa entrevista: Marcelo Laffitte fala de Elvis & Madona

Depois de muita experiência em curtas-metragens e documentários, o cineasta Marcelo Laffitte, radicado no Rio de Janeiro, se lança ao universo do longa-metragem com “Elvis & Madona” – segundo ele, uma história que “trata da busca pela realização dos sonhos e dos amores”.

Em fase de pós-produção, o filme deve ficar pronto em novembro para estrear no Festival de Brasília. Depois disso, o plano é ganhar as telas nacionais com um casal diferente (uma lésbica e um travesti apaixonados), atores importantes e o humor atraente da comédia romântica, gênero que está crescendo no cinema brasileiro.

Laffitte contou com detalhes à La Latina como surgiu a idéia “Elvis & Madona” e também falou dos passos que o levaram a esse projeto. Confira a entrevista exclusiva e, no canal Elvis&Madona do You Tube, veja o trailer e cenas já montadas do filme.

Por que a história de um travesti e de uma lésbica, que você viu na TV, chamou sua atenção para escrever um argumento de longa-metragem?

Porque, tirante o sensacionalismo barato, aquela história falava de sonhos e de amores. Foi em um canal hispânico que vi em Miami. Era um programa de auditório tipo Ratinho, onde o apresentador fazia o papel de mediador entre um pai e seu filho. A história é que o pai abandonou a família quando o filho era pequeno e voltou anos depois travestido de mulher. Após o susto inicial, o filho voltou a conviver com o pai. Até então, a relação entre eles poderia ter inspirado o filme “Transamérica” (de 2005), mas então surge a tragicomédia: o pai travesti e a mulher do filho se apaixonam perdidamente, e o pai volta a se vestir de homem para viver com a moça. A história me mostrava que o ser humano poderia romper com qualquer padrão assumido para realizar sonhos e amores, sendo que aquele pai era a síntese pura e aplicada. “Elvis & Madona” não tem os mesmos conflitos dessa história, mas trata da busca pela realização dos sonhos e dos amores.

O que você espera da reação do público quando o filme estiver nos cinemas?

Segundo palavras de José Carlos Avellar, que é um dos melhores e mais rigorosos críticos de cinema no Brasil, "'Elvis e Madona' tem ingredientes para estabelecer uma relação fácil com o espectador". Fizemos também dois testes de audiência (Brasília e Curitiba), com metodologia altamente profissional, nas quais a receptividade foi a melhor possível, com mais de 80% de "bom", "muito bom" e "excelente" - igual à popularidade do presidente Lula (risos). Porém, sei que o preconceito ainda é muito grande e já li comentários anônimos na internet, de gente que não faz a menor idéia do que seja o filme, dizendo: "Lixo puro! Tanta coisa boa pra falar, e o cinema brasileiro insiste em falar de lixo!!!". Colocações como essas são pura homofobia. Mas acredito que "Elvis & Madona" ajudará, por pouco que seja, a inserir no imaginário popular que as relações do universo GLBT são tão normais quanto as vividas nas novelas de TV por belos casais.

Qual é sua trajetória no cinema?

Sou de Volta Redonda, filho de uma família de funcionários da CSN [Companhia Siderúrgica Nacional]. Aos 16 anos, eu já andava com a turma de artistas da cidade, só que eu não sabia tocar violão, não escrevia poesias e não levava o menor jeito para ser ator de teatro. Sobrava o quê? Arrumei emprestada uma câmera Super 8, fiz um documentário de 8 minutos sobre uma disputa por terras entre posseiros e me transformei no único cineasta da turma. Só que nem pensava em viver de cinema e passei no vestibular para Sociologia na PUC do Rio.

Aos 19 anos, em 1982, estive como assistente de produção em "Bete Balanço", de Lael Rodrigues. Na seqüência, trabalhei em dois filmes produzidos por Luis Carlos Barreto: “Além da paixão”, do Bruno, e “O rei do rio”, do Fábio, onde fui o terceiro assistente de direção. Entre um longa e outro, também trabalhei em pequenos comerciais, videoclipes e curtas-metragens, sempre em funções de assistente.

Em 1985, veio uma das muitas crises na produção brasileira e fiquei sem trabalho por seis meses. Como precisa me virar, comecei a fazer análise de sistemas e programação de computadores, que havia aprendido na faculdade. Retornei para minha cidade natal e, em pouco tempo, me tornei um empresário pioneiro dessa área. Montei uma empresa que desenvolvia sistemas, prestava serviços, vendia suprimentos e  computadores, ministrava cursos, etc. Isso durou mais de 10 anos, até que a amor pelo cinema foi mais forte e me fez largar tudo novamente para voltar a fazer filmes.

Retornei ao Rio em 1996, pouco depois do inicio da Retomada, mas havia perdido totalmente o contato com a área e, aos 32 anos, já era velho para funções de assistente. Minha experiência como empresário me foi muito útil: fui trabalhar na captação de recursos para "For All" (Luiz Carlos Lacerda/Buzza Ferraz) e consegui patrocínios para o filme que somaram um milhão de dólares. Por conta dessa façanha (que nunca mais se repetiu), virei um dos caras mais falados no meio cinematográfico carioca: o captador de recursos. Mas não era isso que eu queria, e tratei de realizar meus curtas e documentários, até conseguir hoje fazer o primeiro longa.

“Elvis & Madona” conta com a participação de atores importantes. Como foi o processo de casting?

A escolha da atriz e do ator para os personagens principais foi complicada, pois eram muitas as variáveis a considerar. Primeiro, quem faria Madona? Quem conseguiria ser dramática e densa e, ao mesmo tempo, espalhafotosa e divertida como as travestis geralmente são? Pensei em trabalhar com uma travesti ou transformista real, mas não consegui encontrar uma que reunisse tudo o que eu precisava. Então decidi trabalhar com um homem para o papel.

Mas, nesse processo, descobri uma coisa fundamental para o filme: mais importante do que a qualidade individual de cada ator ou atriz, seria a química entre esses atores, pois Elvis e Madona teriam que ser feitos um para o outro. Fiz audições com excelentes profissionais, montando e revezando os pares nos testes, experimentando diferentes interpretações para as mesmas cenas, etc e etc. Até que bati o martelo por Simone Spoladore e Igor Cotrim.

Ter pessoas importantes e famosas no elenco, como Maitê Proença ou José Wilker, é sempre uma referência para o público, uma espécie de garantia de qualidade do filme. Talvez saibam que eles não aceitariam participar de um filme que não fosse bom. Mas não foi isso que norteou minhas escolhas. Sempre tive como prioridade a adequação ao universo do filme e a relação entre os personagens.

Como foi o processo de financiamento?

Em 2006, vencemos o concurso do Ministério da Cultura para produção de longas-metragens de Baixo Orçamento, o famoso B.O., e recebemos o prêmio de R$ 1 milhão. Com esse recurso conseguimos rodar todas as cenas e montar o filme, mas com um saldo devedor de R$ 200 mil. Depois, vencemos um outro edital, o da Oi Cultural, e recebemos R$ 350 mil que estão sendo usados na finalização (música, tratamento do imagem, som etc). Ou seja, ainda estamos devendo R$ 200 mil.

Qual será a trajetória do filme quando acabar a fase de pós-produção?


O filme estará pronto em novembro, e pretendo participar do Festival de Brasília. Depois, seria bom levar o filme para um festival importante, tipo o Sundance, Berlim ou Cannes, mesmo que em mostras paralelas. Com o resultado desses festivais é que terei uma idéia de que rumo o filme poderá tomar e que tipo de contrato vou fechar o futuro distribuidor. Acho que o filme tem potencial para uma carreira média, com 40 ou 50 cópias, talvez nos meses de abril ou maio de 2010.

O que você acha da atual fase do cinema brasileiro, na qual vários títulos nacionais estão estreando ao mesmo tempo em salas comerciais?

O cinema se divide em três setores: produção, distribuição e exibição. A produção vai muito bem, obrigado, com vários títulos de qualidade vindos de todas as regiões do país. E o público para filmes nacionais está aumentando a cada ano. Mas quando chegamos na distribuição e exibição, a história muda um pouco de figura. A concentração de filmes estrangeiros ainda é exorbitante devido ao monopólio das distribuidores americanas (as majors) e das grandes cadeias de exibição. Se olhássemos de perto, veremos que o grande número de títulos nacionais está em pequenas salas de arte do Rio, São Paulo e outras poucas capitais. Isso é praticamente um gueto onde os filmes nacionais brigam entre si, e com filmes de outros países, tais como “La Teta Assustada”, “Caramelo”, “Gigante” e outros. Enquanto isso, os shopping centers e os multiplex estão lotados de Batman, Harry Porter e X-Men. Lá é que são vendidos mais 90% dos ingressos e é lá que eu também queria ver o filme brasileiro.

A comédia romântica, que entendo que é o gênero de “Elvis & Madona”, é uma das principais responsáveis pelos sucessos atuais do cinema nacional. Por que você escolheu esse gênero para seu primeiro longa?

Sim, "Elvis & Madona" é uma comédia romântica com ares de fábula, mas não sei porque escolhi esse gênero. Talvez porque eu seja um cara romântico e bem-humorado... Brincadeiras à parte, acho que o humor é a mais poderosa forma de expressão e de comunicação que existe, pois o ser humano se abre quando sorri, e as idéias transitam com mais facilidade. Em todos os meus filmes anteriores, mesmo o denso e pesado “Fúria” (baseado no livro "A fúria do corpo", de João Gilberto Noll), o humor está presente, às vezes escrachado (“Banquete”), sutil (“Ópera Curta”) e até mesmo negro (“Vox Populi”).

Você tem alguma relação profissional com os países vizinhos? O que opina sobre a América Latina, em termos de intercâmbios culturais através do cinema?

Fui presidente nacional da ABD (Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-Metragistas) por quatro anos e fiz contatos com vários dirigentes de outros países. Fui fundador da FEDALA (Federação dos Escritores e Diretores Latino-Americanos) e vejo que as políticas nacionais para o audiovisual têm avançado bastante nos últimos anos. Como cineasta, tenho um projeto antigo, intitulado "Paixões Urbanas", que já ganhou um prêmio da Ibermedia para desenvolvimento de roteiro. Trata-se de um longa-metragem composto de três histórias de amor passadas nas ruas do Rio de Janeiro, Buenos Aires e Santiago. Articulei produtores, diretores e roteiristas, fizemos os roteiros e os orçamentos, mas o projeto não conseguiu ainda vencer as barreiras burocráticas para se estabelecer de forma plena.

Também estou desenvolvendo um roteiro sobre um sujeito que vai à Argentina para procurar seu pai, que fugiu para lá durante a ditadura militar brasileira, e nunca mais se soube notícias dele. De certa forma, também é uma descoberta do olhar brasileiro sobre um país vizinho. Porque apesar de todos os esforços do Mercosul, acho que o Brasil se mantém ainda um tanto afastado culturalmente, e a língua é o principal entrave. Por exemplo, se você me perguntasse o nome de uma banda de rock argentina ou chilena, eu não saberia responder. Imagino que os venezuelanos e bolivianos também não conhecem Pato Fu ou Jota Quest...

 Quinta, 10 de Setembro de 2009
Especialista dá curso em SP sobre os filmes de Lucrecia Martel

A trilogia fílmica da cineasta argentina Lucrecia Martel – composta por “O pântano”, “A menina santa” e “A mulher sem cabeça” – é tema de um curso que será oferecido pelo Memorial da América Latina e pela FFLCH-USP de 14 a 25 de setembro.

A professora encarregada das aulas, que serão dadas às segundas, quartas e sextas à tarde no Auditório do Anexo dos Congressistas, no Memorial, é Susana A.C. Rodriguez, associada à Faculdade de Humanidades da Universidade Nacional de Salta, cidade natal de Martel.

Para os interessados, a taxa é de R$ 30 e as inscrições devem ser feitas através do site da FFLCH.

 Terça, 08 de Setembro de 2009
Chávez com Oliver Stone em South of the border e em Veneza

O Festival de Veneza começou no último dia 2 de setembro e segue com filmes de diretores importantes, mais atrações de tapete vermelho, até o dia 12 deste mês. Entre os destaques dos últimos dias, está a caminhada de ninguém mais, ninguém menos, que Hugo Chávez sobre o dito tapete vermelho do evento, que está entre os três mais importantes festivais de cinema da Europa.

O presidente venezuelano foi convidado por Oliver Stone (que, por sua vez, é convidado de Veneza), para a apresentação do documentário “South of the border”, de Stone, sobre Chávez. O filme, que faz parte da competição oficial, retrata não só o presidente, mas as mudanças vividas na América do Sul com sua chegada ao poder – e também de outros presidentes como Evo Morales, Cristina Kirschner, Lula e Fernando Lugo, que também foram entrevistados.
Veja o trailer abaixo e deleite-se com a foto de Chávez de gravata vermelha no tapete vermelho ;-)

 Sexta, 04 de Setembro de 2009
Três ficções de novos diretores e um documentário estréiam na Argentina

Um documentário e três longas de ficção de diretores estreantes, todos realizados na Argentina, coincidem em seu lançamento nas salas deste país nesta quinta-feira, 3 de setembro. O momento é doce para o cinema nacional, já que o produto local ocupa atualmente os três primeiros lugares da bilheteria com “El secreto de sus ojos”, de Juan José Campanella, “Papá por un día”, de Rául Rodríguez Peilá, e “Anita”, de Marcos Carnevale.

O jornalista e realizador Paulo Pécora estréia “El sueño del perro”, seu primeiro longa-metragem depois de uma importante carreira em curta-metragem. No Espaço INCAA de La Plata e no museu Malba, está sendo exibida essa história sobre um escritor que, depois de perder sua família, decide abandonar a cidade para mergulhar na escritura, buscando uma redenção espiritual em um lugar recôndito que o conecta novamente com a natureza e a essência do ser humano. O filme passou por vários festivais  desde seu lançamento oficial no Bafici do ano passado.



Já Marcos Rodríguez se decida ao gênero policial fantástico com “Los chicos desaparecen”, adaptação do romance homônimo de Gabriel Báñez que protagoniza Norma Briski. Em quatro salas de Buenos Aires e La Plata está sendo projetado esse relato dominada pelo tempo, na qual um relojoeiro em uma cadeira de rodas é acusado de ser o único suspeito da inexplicável desaparição das crianças. A Facultad de Bellas Artes, a Universidad Nacional de La Plata, o Centro de Estudios y Producción Audiovisual e o Instituto Nacional de Cine y Artes Audiovisuales são responsáveis pela produção.



Finalmente, Juan Plablo Martínez debuta no longa-metragem usando o relato “La dulce Carola”, escrito pelo cantor e compositor Ismael Cerrano. O espanhol, que ficou famoso com a canção “Papá cuéntame otra vez”, é co-autor do roteiro ao lado do diretor. O filme, titulado “El hombre que corria tras el viento”, de Águila Taura Producciones, fala do amor à primeira vista e das segundas oportunidades. Este é o lançamento mais importante da semana, com um total de 26 salas em Buenos Aires, La Plata, Córdoba e Rosario.



Somente na sala Arte Cinema estreou o documentário de José Campusano, "Legión-Tribus Urbanas motorizadas", com o qual o realizador que ficou famoso por “Vil Romance” (que estréia em breve) se inflitra em grupos de motoqueiros para descobrir os preconceitos que sofrem. Uma produção de Cinebruto realizada em 2006.
CGC

(Via LatAm cinema)

 Quarta, 02 de Setembro de 2009
Cinema latino em curtas

:: Diego Luna dirige ficção

Foi em 2007 o debut do ator mexicano Diego Luna como diretor, com o documentário “J.C. Chávez”, um retrato do famoso boxeador Júlio César Chávez. Agora é a vez do parceiro de Gael García Bernal em filmes como “Y tu mamá también” e na produtora Canana Films investir na ficção, dirigindo “Abel”, uma história sobre a infância perdida e a ausência dos padres – o que aparentemente muito tem de auto-biográfico. O filme ainda está em fase de pré-produção.

:: Gripe suína (e fim do mundo) no cinema

A primeira ficção audiovisual de que se tem notícia sobre a pandemia mundial de gripe suína foi realizada nada menos que no Brasil – e por evangélicos. Titulado “Para onde eu irei?”, o filme, produzido com somente 430 dólares, está vinculado à igreja Brasil para Cristo – Erexim e é um verdadeiro pastelão religioso com direito a sonoplastia “das trevas”. A realização é do diretor Osnei de Lima, que, como anuncia o trailer abaixo, “é o mesmo de ‘O come-gente”’. Vem aí....

:: Futebol venezuelano documentado

Pode parecer que não há muito para documentar, já que o futebol na Venezuela não chega a ser um esporte realmente popular e que esse país nunca se classificou para uma Copa do Mundo, mas não é assim: onde há torcedores, sempre há bola rolando. “Vinotinto” é o documentário que acaba de sair sobre o futebol venezuelano,  cujo nome faz referência à cor da camisa dessa seleção. O diretor é Miguel New, e a produção esteve a cargo de Primeras Voces. Nos cinemas das principais cidades da Venezuela desde 28 de agosto. Veja o trailer abaixo.

 Terça, 01 de Setembro de 2009
Distribuição alternativa: boa notícia do México

A notícia é do blog peruano Cinencuentro: a partir do fim de setembro, a cinematografia mexicana irá dispor de um circuito alternativo em salas comerciais, que permitirá o retorno ao circuito de 28 títulos nacionais dos últimos anos que tiveram rápida passagem pelas salas comerciais por diferentes razões (incluindo o surto de gripe suína).

Os filmes, entre eles “Amar a morir” (foto), de Fernando Lebrija, serão exibidos por pelo menos duas semanas em 12 salas da capital mexicana e arredores. A iniciativa é da Cámara Nacional de la Industria Cinematográfica y del Videograma (Canacine), que tenta combater a presença do cinema hollywoodiano em cerca de 80% dos 4 mil cinemas do país.

Os votos são para que a ideia seja amplamente copiada.

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