Quinta, 29 de Outubro de 2009
César Charlone filma "La redota, una historia de Artigas”

Nesta quarta-feira, 28 de outubro, começou no Uruguai a filmagem de “La redota, una historia de Artigas”, filme dirigido por César Charlone, diretor de “O banheiro do papa” e fotógrafo dos últimos filmes de Fernando Meirelles, e protagonizado pelo ator espanhol Rodolfo Sancho, mais conhecido por seus trabalhos em televisão.

O longa, que será filmado ao longo de cinco semanas em locações de Tacuarembó, Colonia, Montevidéu e Piriapolis, faz parte de “Los Libertadores”, uma coleção de oito filmes através dos quais a idéia é compartilhar com público o pensamento e a obra de grandes figuras da luta pela emancipação da América Latina – não só através de fatos históricos, mas especialmente da faceta humana e ideológica desses libertadores.

A produção da coleção está a cargo das empresas espanholas Wanda Films e Lusa Films, em co-produção com a TV da Espanha. Neste país, os filmes estrearão diretamente na televisão, enquanto, na América Latina e no resto do mundo, serão distribuídas em salas de cinema.

(Via LatAm cinema)

 
   
 Quarta, 28 de Outubro de 2009
Burman e Trapero filmam seus novos projetos

Dois diretores importantes do recente cinema argentino têm novidades.

O primeiro é Daniel Burman (foto), que já começou a filmar seu novo longa-metragem, “Dos hermanos” em Carmela, no Uruguai, com Antonio Gasalla e Graciela Borges como protagonistas. No total, a filmagem durará sete semanas e, depois de Carmela, passa a Buenos Aires, onde o filme está previsto para estrear em abril de 2010.

É a primeira vez que o diretor de “O abraço partido”, “Direito de família” e “O ninho vazio”, entre outros títulos, trabalha com uma adaptação literária. “Dos hermanos”, que conta a história de dois irmãos que se amam tanto como se odeiam, foi inspirado no livro “Villa Laura”, de Sergio Dubcovsky, irmão do sócio de Burman em sua produtora BD Cine.

Depois é a vez de Pablo Trapero anunciar seu mais recente projeto. O realizador de “Mundo grua” e “Família rodante” e “Leonera” já está filmando seu novo longa, que tem Ricardo Darín no papel principal, ao lado de Martina Guzmán, a esposa do diretor e protagonista de “Leonera”. O filme, ainda sem título, é de gênero policial com toques de cinema noir.

 Terça, 27 de Outubro de 2009
Rotterdam: filme mexicano na competição e Lucrecia Martel no júri

O 39o Festival de Cinema de Rotterdam já anunciou os primeiros filmes selecionados para sua seção competitiva, a Tiger Awards, da qual participam primeiros e segundos longas de ficção de cineastas independentes.

Dos três títulos já anunciados, um é latino: “A la mar”, o debut do mexicano Pedro Gonzáles-Rubio, cuja primeira experiência como diretor foi co-dirigir “Toro Negro” com Carlos Armela. Roteirizado, filmado, e editado por seu diretor – e produzido por Jaime Romandia, produtor de filmes de Carlos Reygadas e Amat Escalante –, “A la mar” é um delicado retrato da relação entre um pai e um filho que vão de férias à costa caribenha do México, onde o pai trabalha como pescador.

Mas, de olho nas latinidades deste importante e amplo festival, outra boa notícia já anunciada é que a cineasta Lucrecia Martel fará parte do júri oficial da Tiger Awards. Lucrecia teve dois de seus filmes (“O pântano” e “A menina santa”) participando no mercado de co-produção do evento holandês em edições passadas.

Os outros dois filmes da competição principal de Rotterdam são “Mundane history”, do tailandês Anocha Suwichakornpong, e “Let each one go where he may”, do norte-americano Ben Russel.

Fique de olho: mais sobre o Festival de Rotterdam, em breve, aqui.

Foto: os ganhadores da 38a edição do festival.

 Sexta, 23 de Outubro de 2009
Uma palavra sobre os latinos da 33a Mostra de Cinema de SP

* Para entender o gráfico, leia abaixo o parágrafo sobre tuitear.

A Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, versão 2010, começou nesta sexta-feira, 23 de outubro, com 414 filmes para os mais variados gostos, em uma programação que dura até 5 de novembro em 19 pontos de exibição na cidade. Em tempos de informação ágil na internet, especialmente com ferramentas como o twitter, pouco vale replicar informação. O objetivo aqui, portanto, é destacar da mostra o que tem a ver cinema latino, pontuando os entusiasmados com o assunto.

Considerando o tamanho do evento, são limitados os títulos cobrindo a produção cinematográfica latino-americana recente. Não por isso, vale ressaltar, os filmes selecionados (ficções, em sua maioria) não representam boas escolhas. Há uma clara intenção dos curadores em marcar uma diferença da seleção da Mostra Latina do Festival do Rio e, nessa briga silenciosa, o espectador até tem muito a ganhar – especialmente se tem a chance de freqüentar os dois eventos.

Esse comentário, obviamente, não tem tanto a ver com a seleção dos filmes brasileiros, que é ampla nos dois casos. E, por questões de vasto conteúdo, não será comentada aqui.

Latinidades da mostra

O país latino mais bem representado, como sempre, é a Argentina. Do país vizinho aparecem filmes que festivalearam bastante, como “El nido vacío”, de Daniel Burman (“O abraço partido”), em primeiro lugar, e “O menino peixe”, de Lucía Puenzo (“XXY”). O resto da lista é menos viajada, mas com sinopses interessantes, bem ao estilo intimista-universal que fez a propaganda do cinema argentino dos últimos 10 anos. Para quem quer o viés da política, desaparecidos na época da ditadura tem também, com o documentário “Nós que ainda estamos vivas”, de Daniele Cini.

Na seqüência de representatividade vem o México, com produções grandes como “Backyard”, de Carlos Carrera (“O crime do padre Amaro”), que representa o país na corrida pelo Oscar de melhor filme estrangeiro em 2010.

Depois vem o Chile, com o elogiado “Huacho”, o segundo longa de Alejandro Fernández Almendras (“Lo que trae la lluvia”), e “Perfídia”, que na verdade foi realizado pelo boliviano Rodrigo Bellot, diretor do ótimo “¿Quién mató a la llamita blanca?”, realizado na sua terra.

E, falando em Bolívia, só um documentário representa o cinema nacional, mas parece ótimo: “Mamachas do ringue”, de Betty M. Park. Essa que parece ser a pérola da seleção latina é uma co-produção com os Estados Unidos (a diretora é norte-americana) e fala das cholas (índias mestiças) que se enfrentam em ringues. Conhecer um pouco da realidade mulheres indígenas de tranças e saias longas através de um ângulo tão inusitado como a luta livre é, no mais mínimo, interessante.

Aparecem também Colômbia, Venezuela e Equador, mas com nada mais que um filme cada um. Por fim, é estranho que nem Peru, nem Cuba tenham filmes na programação... Sem falar nos países caribenhos. Mas, como cada festival de cinema tem a sua personalidade e a sua graça, que se aproveite o que essa 33a edição da mostra paulista tem a oferecer.

Tuitear tudo, inclusive a Mostra

O Twitter, quem já brincou sabe, é pra lá de prático para juntar informação daquilo que mais interessa a cada um. Pra seguir a Mostra, há uma infinidade de usuários que estão dando dicas a todo momento. E pra seguir “cinema latino”, infelizmente não tantos... Além, é claro, da Latina.

O fato que reescreve a história é que a Alfaitaria Digital, empresa especializada em tecnologia e web que apóia esse blog que vos fala, acaba de lançar o Twit Radar, uma ferramenta perfeita para selecionar, em uma só jogada, tudo o que está sendo dito sobre os temas que interessam. O rastreamento acontece através de tags de twitters que estão postando seus comentários a cada momento e pode ser comparativo. O gráfico acima é um exemplo do rastreamento de tweets sobre a Mostra de Cinema de SP e, pra quem quer entender mais e melhor, é só clicar aqui.

E, voltando ao assunto...

Abaixo, a lista dos principais filmes latinos do evento, pra facilitar a vida:

ARGENTINA

A INVENÇÃO DA CARNE, Santiago Loza
AMOR EM TRÂNSITO, Lucas Blanco
ÁGUAS VERDES, Mariano De Rosa
TODOS MENTEM, Matías Piñeiro
O MENINO PEIXE, Lucía Puenzo
BUENOS AIRES SOMBRIA, Ramón Termens
NINHO VAZIO , Daniel Burman
NÓS QUE AINDA ESTAMOS VIVAS, Daniele Cini (doc)
A CANTORA DE TANGO, Diego Martinez Vignatti
MARÉ DE AREIA, Gustavo Montiel Pagés

MÉXICO

BACKYARD , Carlos Carrera
EL MILAGRO DEL PAPA, Pepe Valle
ESPIRAL, Jorge Pérez Solano
HAVANYORK, Luciano Larobina
DANIEL E ANA, Michel Franco
A SEREIA E O MERGULHADOR, Mercedes Moncada Rodríguez (com Nicarágua)


CHILE

HUACHO, Alejandro Fernández Almendras
PERFÍDIA, Rodrigo Bellot


BOLÍVIA

MAMACHAS DO RINGUE, Betty M. Park


EQUADOR

DEBAIXO DA TERRA FÉRTIL, Malcolm Rogge (doc com Canadá)


COLÔMBIA

LOS VIAJES DEL VIENTO, Ciro Guerra


URUGUAI

MAU DIA PARA PESCAR, Alvaro Brechner


VENEZUELA

A VIDA EM BLOCO, Alfredo Hueck, Carlos Caridad


Por Camila Moraes

 Quinta, 22 de Outubro de 2009
Filmes latinos competem em Mar del Plata

Programada entre os dias 7 e 15 de novembro, a 24a edição do Festival de Cinema de Mar del Plata – qualificado pela Federação Internacional de Associações de Produtores de Filmes (FIAPF) como categoria “A” – conta em sua competição principal com cinco filmes latino-americanos.

São eles: “Francia”, de Adrián Caetano, “Vikingo”, de José Campusano, ambos argentinos, “El cuerno de la abundancia”, do cubano Juan Carlos Tabio, “5 días sin Nora”, da mexicana Mariana Chenillo, e “Mal día para pescar”, do uruguaio Álvaro Brechner.

Do júri deste ano fazem parte a atriz Julieta Serrano (Espanha), o ator José Wilker (Brasil), o diretor Juan José Campanella (Argentina), o diretor Álvaro Buela (Uruguai) e o ator Michael Shapiro (Estados Unidos).

“Um homem sério”, dos irmãos Coen, é o filme escolhido para inaugurar o evento.

Saiba mais no site do festival.

(Via LatAm cinema)

 Segunda, 19 de Outubro de 2009
Oscar 2010: os candidatos latinos a melhor filme estrangeiro

65 países já apresentaram seus candidatos ao Oscar de melhor filme estrangeiro de 2010. O anúncio dos selecionados sai só dia 2 de fevereiro, mas aqui vai uma lista dos representantes latinos para ir aquecendo a torcida.

Brasil: “Salve geral”, de Sérgio Rezende

O dia em que a organização criminosa PCC parou a cidade de São Paulo inspirou o novo filme do diretor de “Zuzu Angel” (2006). Boa parte da crítica nacional não aprova histórias de violência para promover o cinema brasileiro lá fora.



Argentina: “El secreto de sus ojos”, de Juan José Campanella

Campanella é o diretor hollywoodiano da Argentina, não só em termos de estilo, mas também de audiência. Este que é seu novo filme (novamente com Ricardo Darín, protagonista também de “O filho da noiva”) fez mais de 1,5 milhão de espectadores em sua terra natal, o que é um ótimo número.



Peru: “La teta asustada”, de Claudia Llosa


Entre os candidatos latinos ao Oscar 2010, esse certamente é o filme de caráter mais independente. Ganhou o Urso de Ouro este ano em Berlim, consagrando o Peru por primeira vez nos festivais internacionais, além, é claro, de sua diretora, Claudia Llosa.



Colombia: “Los viajes del viento”, de Ciro Guerra

O filme colombiano do ano (pelo menos na Colômbia) é o segundo longa de Ciro Guerra, por um lado elogiadíssimo pelas belas imagens que tem (e por elementos como atores naturais e a não abordagem direta do conflito colombiano) e, por outro, criticadíssimo por filmar uma história fraca, que não faz senão vender o país turisticamente.



Uruguai: “Mal día para pescar”, de Álvaro Brechner


A estréia em longa-metragem de Álvaro Brechner esteve este ano em Cannes, na Semana da Crítica. Não recebeu boas resenhas, mas em boa parte isso se deve provavelmente ao fato de que a história tem pegada comercial. 


México: “Backyard - El Traspatio”, de Carlos Carrera

Carlos Carrera já teve um filme indicado ao Oscar: “O crime do padre Amaro”. É provável que essa nova tentativa tenha menos chances de entrar, afinal um filme policial mexicano não é o que costuma agradar a Academia.



Cuba: "Los dioses rotos'', de Ernesto Daranas


O candidato cubano, o terceiro longa de Ernesto Daranas, aparece completo no You Tube. Aqui vai a primeira parte.



Chile: “Dawson, Isla 10”, de Miguel Littin


Uma história sobre homens de confiança de Salvador Allende que foram presos em uma espécie de campo de concentração depois do golpe de 1973.



Bolivia: “Zona Sur”, de Juan Carlos Valdivia


Segundo seu diretor, um dos mais ativos do cinema boliviano, o filme é um “retrato da classe alta de La Paz e de uma Bolívia em transformação”. Que transformação??



Venezuela: “Libertador Morales, el justiciero”, de Efterpi Charalambidis


Um filme é a obra prima de Efterpi Charalambidis e mais uma produção bastante questionável da Villa del Cine, a produtora do governo boliviariano de Chávez.

 Quinta, 15 de Outubro de 2009
Turistas, de Alicia Scherson, estréia hoje no Chile




Estréia hoje, 15 de outubro, o segundo longa-metragem de Alicia Scherson, intitulado “Turistas”, em sete salas de cinema do Chile.

O filme, que competiu em janeiro no Festival de Rotterdam, conta a história de Carla, uma mulher de Santiago que briga com o marido de caminho ao seu destino de férias e, depois de ser abandonada por ele na estrada, termina passando alguns dias acampada num parque turístico ao lado de um jovem norueguês. Em meio à paisagem exuberante, Carla, com seu olhar de turista, reflete sobre sua vida e sua própria natureza.

Desde o sucesso de “Play”, seu primeiro longa, Scherson é considerada um dos talentos promissores do cinema chileno, ao lado de Sebastián Silva ( “La nana”) e Pablo Larrain (“Tony Manero”), entre outros.

Veja o trailer de “Turistas” acima e, neste link, uma entrevista da diretora ao Festival de Milão, do qual o filme participou. E, aqui, reveja a entrevista exclusiva da Latina com Alicia em Rotterdam.

 Quarta, 14 de Outubro de 2009
Paula Marcovitch, roteirista de Lake Tahoe, assume as câmeras

A roteirista argentina Paula Marcovitch, quem escreveu os elogiados filmes do mexicano Fernando Eimbcke (“Temporada de patos” e “Lake Tahoe”), está se preparando para seu debut como realizadora.

O primeiro longa-metragem que será dirigido por ela, titulado “El premio”, será uma co-produção entre a Argentina, a França e o México, que começa a ser rodada em 2010 no balneário de San Clemente del Tuyú, na Argentina.

É lá que transcorre a história de corte auto-biográfico escrita por Marcovitch, na qual a filha de um casal de dissidentes políticos participa de um concurso escolar de textos sobre as Forças Armadas, colocando em risco a situação de seus pais ao contar o que escuta em casa.

Paula Marcovitch, há alguns anos radicada no México, é autora também de curtas-metragens como “Perriférico” (1999) e “Música de ambulância” (2006).

Foto: cena de "Lake Tahoe".

(Via Cinencuentro)

 Terça, 13 de Outubro de 2009
Cine latino em curtas

:: Enciclopédia de cinema chileno na internet

Acaba de ser lançado o portal Cinechile.cl, uma enciclopédia de filmes chilenos criada por um grupo de jornalistas da Universidade do Chile, dirigido por Antonella Estévez e supervisionado pelo crítico David Vera-Meiggs. Para a fase inicial do projeto, foram publicados 220 títulos nacionais realizados desde 1960 até os dias atuais.

Em breve, filmes mais antigos também serão incluídos no banco de dados, com o apoio da Cineteca Nacional. Visite!

:: Mostra de cinema uruguaio em Nova York

Acontece em Nova York, de 16 a 18 de outubro, a mostra cinematográfica BAMcinématek, da Academia de Música do Brooklyn (BAM), com oito títulos recentes do cinema uruguaio que foram premiados festivais afora e que nos Estados Unidos tiveram pouca ou nenhuma visibilidade. O evento tem organização da iniciativa ¡Go Uruguay! em associação com a Cinema Tropical, agência sem fins lucrativos que promove o cinema latino nos EUA.

Na programação, estão “Gigante”, de Adrián Biniez, o vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim deste ano, e 
“La perrera”, de Manuel Nieto Zayas, eleito o melhor filme uruguaio de 2006 pela Associação Uruguaia de Críticos de Cinema, entre outros. Leia mais aqui.

:: Latinos em DVD


A Imovision anuncia este mês o lançamento de dois títulos latinos em DVD: “A janela”, do argentino Carlos Sorín (“El perro” e “Historias mínimas”), e “O banheiro do papa”, do uruguaio César Charlonne (diretor de fotografia de “Cidade de Deus” e “Cegueira”) – este, na verdade, relançado com novos extras. À venda em lojas especializadas.

 Segunda, 12 de Outubro de 2009
Os vencedores do Festival do Rio

Terminou semana passada (dia 8 de outubro) a 11a edição do Festival do Rio, que premiou o jovem diretor brasileiro Esmir Filho, de apenas 27 anos, por seu debut em longa-metragem, “Os Famosos e os Duendes da Morte”, que participou também da seleção oficial do Festival de Locarno.

O ganhador do troféu de melhor filme, eleito pelo júri e também pela crítica especializada, conta a história de um jovem de 16 anos, fã de Bob Dylan, que experimenta o mundo através da internet e da visita de personagens misteriosos à sua cidade.

Outros prêmios importantes são o de melhor direção, que ficou para Karim Aïnouz e Marcelo Gomes por “Viajo por preciso, volto porque te amo”, e melhor documental, que foi para “Dzi Croquettes”, de Tatiana Issa e Raphael Alvarez. Veja os outros ganhadores no site do evento.  Veja trechos publicados no You Tube:

 Quinta, 08 de Outubro de 2009
Cinco días sin Nora, melhor filme em Biarritz

O filme mexicano “Cinco días sin Nora”, de Mariana Chenillo, conquistou o Prêmio Abrazo de melhor filme no 18º Festival de Cinema de Biarritz – Cinemas e Culturas da America Latina, que chegou ao fim no domingo passado, 4 de outubro.

O evento também premiou a co-produção hispano-cubana “El cuerno de la abundancia”, que recebeu o prêmio do público, o filme argentino “Los paranóicos”, de Gabriel Medina, com o Prêmio Especial do Júri, e o chileno “La nana”, de Sebastián Silva, com o Prêmio do Sindicato Francês de Críticos de Cinema.

Na categoria de documentários, o Prêmio União Latina foi para a co-produção entre Chile e Espanha “Mi vida con Carlos”, de German Berger Hertz.

O ganhador

A comédia “Cinco días sin Nora”, conta a história ausente da mulher que dá nome ao título do filme. Ela se suicida, mas antes deixa tudo friamente calculado para que seu ex-marido José seja quem tem que se encarregar do funeral, obrigando-o a “escutar” o que ela jamais pode dizer em vida.

Entretanto, por causa do Pesaj (páscoa judia), que coincide com o Sabath, José só pode enterrá-la cinco dias depois de sua morte.

Veja o trailer abaixo:

(Via LatAm cinema)

 Terça, 06 de Outubro de 2009
Entrevista: Sabrina Fidalgo, a jovem realizadora de Cidade do Funk

Vivendo entre a Alemanha e o Brasil nos últimos anos, a carioca Sabrina Fidalgo (31) embarcou no cinema e realizou alguns curtas que a levaram à realização de seu primeiro longa-metragem: o documentário “Cidade do Funk”, atualmente em fase de produção no Rio.

Sabrina falou à Latina sobre sua carrerira e contou alguns detalhes do projeto, cujo roteiro é inspirado no livro “Batidão – Uma História do Funk”, um dos principais registros do movimento musical originalmente carioca. Confira a entrevista.

Fale um pouco de “Cidade do Funk”. Como surgiu o projeto e em que fase está?


"Cidade do Funk" é uma cinebiografia do funk carioca e da cultura dos bailes no Rio de Janeiro, que surgiram junto com o nascimento dos primeiros movimentos negros brasileiros no final dos anos 1960 nos subúrbios cariocas. A idéia é contar a história desde essa época até os dias de hoje e surgiu no final de 2005 em uma ilha de edição na Escola de Cinema de Munique. Uma amiga minha estava editando um curta-documentário rodado no Brasil sobre o referendo das armas, e eu fazia a tradução das legendas. Uma das cenas que ela havia filmado e que ficou de fora do filme se passava em um baile funk no clube Boqueirão. Quando vi aquilo fiquei muito instigada, pois sempre adorei funk e me senti inconformada com a maneira  negligente com a qual o funk sempre fora tratado pela sociedade e pela mídia. Nesse momento, senti que era necessário me aprofundar no assunto para poder realizar um documentário. Algum tempo depois, fui ao Rio iniciar uma pesquisa para começar a desenhar o projeto e conheci muita gente bacana que me abriu muitas portas, como a fotógrafa e produtora Adriana Pittigliani (falecida no ano passado em decorrência de um câncer), que nessa época estava à mil com o projeto Carioca Funk Clube, o Carlos Machado, mais conhecido como DJ Nazz, que é um dos DJs do funk há mais tempo na ativa e o jornalísta Silvio Essinger, autor do livro “Batidão – Uma História do Funk”. O livro do Silvio acabou se tornando a fonte de inspiração para o roteiro. Agora estamos trabalhando em co-produção com o produtor de cinema Diler Trindade. Acredito que o filme estará pronto no segundo semestre de 2010.

Qual será a trajetória do filme depois de pronto?


O objetivo é participar de festivais nacionais e internacionais para depois pensar em outras possibilidades. Acreditamos que o filme tenha um grande apelo dentro e fora do Brasil, pois vamos contar uma história genuinamente brasileira e a trajetória de um movimento que, mais do que musical, é social.

Como você chegou ao cinema?


Já fiz de tudo um pouco. Meus pais (Ubirajara e Alzira Fidalgo) são fundadores de uma companhia de teatro chamada Teatro Profissional do Negro (T.E.P.R.O.N). Por esse canal, atuei em muitas peças e cheguei a estudar Artes Cênicas na Uni-Rio. Mas só em 2003 comecei a fazer filmes e, nessa época, já morava na Alemanha. Quando fui de férias ao Rio, levei uma câmera e um boom para me inspirar. Assim foi como, junto com minha amiga Bianca Smanio, que hoje é produtora de cinema em Barcelona e que nessa época também estava na cidade, surgiu a idéia de fazer um documentário sobre a nova geração de músicos cariocas. Esse foi meu primeiro grande projeto cinematográfico.

Por que Alemanha?

Fui para a Alemanha em 2001 para estudar alemão. Passei alguns anos me dedicando ao idioma. Depois disso, estudei como aluna convidada na Escola de TV e Cinema de Munique e fiz o curso de documentário. Em seguida, ganhei uma bolsa para estudar roteiro na Espanha. Lá e na Alemanha, trabalhei também com música no projeto eletro-brasileiro Riovolt, do qual fiz a direção artística e o booking de shows. Em 2006, resolvi finalmente optar pelo cinema e surgiu a oportunidade de desenvolver junto com o webzine inglês Clubbity um projeto de TV Online. Rodamos então o curta documentário Sónar 2006 - Special Report sobre o festival de artes eletrônicas Sónar em Barcelona, na Espanha. Nessa mesma época, o YouTube começou a se popularizar, e o curta foi tão bem recebido que conseguimos levá-lo para alguns festivais pequenos. A partir daí comecei a trabalhar em outras produções alemãs, ao mesmo tempo em que desenvolvia os meus próprios projetos na área. Foram cinco anos morando em Munique e desde 2007 vivo entre Berlim e o Rio de Janeiro.

Em que outros projetos você está envolvida atualmente?

Acabei de finalizar um curta chamado “Black Berlim”, rodado em Berlim e no Rio, que trata da história  de um jovem brasileiro de origem humilde que estuda na capital alemã e se vê em crise de identidade quando começa a encontrar com muita freqüência uma imigrante ilegal do Senegal. Estou muito feliz com esse trabalho, que tem co-produção do Eduardo Raccah (Kfofo Productions - Berlim) e da Monique Cruz (Casa Cinco Produções - Rio), e, a partir de agora, vamos enviá-lo para alguns festivais. Além disso, estou trabalhando no roteiro do meu primeiro longa de ficção chamado “Viva Maria!”, cuja história acontece também na Alemanha e no Brasil. Mas esse projeto ainda está em desenvolvimento, então, prefiro guardá-lo a sete chaves.

Vivendo na Alemanha, como você acha que os europeus vêem atualmente o cinema latino?

Eles gostam muito, pois sabem que somos criativos e possuímos uma enorme gama de material humano, social e cultural. Não precisamos necessariamente de efeitos especiais para contar uma história original. Nossa originalidade é inerente à nossa realidade e dificuldades. Temos histórias sobre camponeses, empregadas, babás, meninos de rua, traficantes, milícias e favelas sim, mas também temos um outro lado, menos estereotipado e mais intimista. Sempre que me lembro da forma como “Cidade de Deus” foi recebido na Europa me sinto feliz, pois esse filme foi o divisor de águas no que diz respeito a maneira como o cinema latino-americano ganhou e vem ganhando cada vez mais espaço, não só na Alemanha como no mundo inteiro.

Por Camila Moraes

Foto: Sabrina por Adriana Pittigliani.

 Segunda, 05 de Outubro de 2009
Contracorriente: cinema peruano fala de homossexuais

Estreou em San Sebastián (18 a 26 de setembro) “Contracorriente”, o primeiro longa-metragem do jovem realizador peruano Javier Fuentes-León. Ainda que tenha conseguido boas críticas na seção Horizontes Latinos do evento, o filme estréia comercialmente no Peru somente no ano que vem.

Por agora, ficamos com o site oficial de “Contracorriente”, que acaba de ser lançado, e, abaixo, com o trailer desta história sobre um pescador do norte do país que, pouco depois de formar uma família com a namorada grávida, tem a vida transformada pela chegada de um jovem artista, com quem viverá uma relação, à cidade. Confira.

 

 Sexta, 02 de Outubro de 2009
Memorias mis putas tristes pode ser levado ao cinema com roteiro de Carrière

Para quem não estava em dia com as adaptações cinematográficas da obra literária de Gabriel García Márquez (ultimamente, a cada semana há a notícia um novo livro do escritor colombiano sendo adaptado), a informação: “Memorias de mis putas tristes”, seu último romance, foi roteirizado por ninguém mais, ninguém menos que Jean-Claude Carrière e será realizado através de um co-produção entre México, Espanha e Dinamarca. E o diretor do longa será o dinamarquês Henning Carlsen (“Oviri”).

E pra quem já tinha escutado a novidade, a atualização é que, a poucos dias do início da filmagem em Puebla (México), o projeto foi interrompido por causa de uma ação legal que está sendo movida por Teresa Ulloa, diretora da Coalición Regional contra el Tráfico de Mujeres y Niñas en América Latina y el Caribe

Ulloa teme que o filme promova a prostituição infantil e a corrupção de menores em geral. “Como livro, não chega às pessoas mais vulneráveis da sociedade, mas uma vez que vire filme, estará nos cinemas e logo na televisão. Não queremos colocar García Márquez na prisão (...). O que queremos é que o filme não seja rodado”, disse.

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