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Quarta, 16 de Dezembro de 2009
Entrevista: Ana Letícia Fialho, diretora executiva do Cinema Brasil |
O Cinema Brasil nasceu em 2006 com o claro objetivo de impulsionar o desenvolvimento da indústria cinematográfica brasileira, fazendo sua promoção internacional.
Criado pelo Sindicato da Indústria Audiovisual de São Paulo (SIAESP) e financiado pela Agência de Promoção de Exportações e Inversões e pela Secretaria do Audiovisual do Ministério de Cultura e com apoio institucional da Ancine, este programa se apresenta em diferentes mercados do mundo, buscando alianças estratégicas e captando investidores para o Brasil.
Ana Letícia Fialho, diretora executiva do Cinema Brasil, conversou com LatAm cinema e La Latina sobre os objetivos, o alcance e a importância desta iniciativa.
Entrevista realizada em Buenos Aires por Cynthia García Calvo.
Quando e com que objetivos foi criado o programa Cinema Brasil?
Foi criado em 2006 para promover a indústria brasileira de cinema em mercados internacionais. Hoje temos mais de 150 empresas que fazem parte do programa. Nós organizamos atividades e participamos de eventos com a idéia de fazer com que aumentem as co-produções, que a venda de filmes brasileiros fora do Brasil cresça, assim como a venda de serviços de produção, que as pessoas de fora venham filmar e fazer negócios no país. Participamos de diferentes mercados em várias partes do mundo, apoiando as empresas nacionais que estão aí.
Quais são os mercados mais visados para a promoção do cinema brasileiro?
Temos alguns mercados prioritários. São países que são bons sócios do Brasil, como é o caso da Espanha, da Alemanha, da França e do Canadá. Na América Latina, a Argentina é um bom parceiro, porque existe um equilíbrio entre ambas indústrias. E agora estamos começando a explorar outras possibilidades de mercado: Reino Unido, Estados Unidos etc.
Você comentou que um dos objetivos do Cinema Brasil é aumentar as co-produções. Pensando na viabilização dessa idéia, como o mercado internacional vê o Brasil?
Acredito que exista um interesse pela cinematografia brasileira, há uma visibilidade que está crescendo em relação às produções nacionais em festivais internacionais. E isso está gerando um interesse dos sócios internacionais para fazer negócios com o Brasil. Acho que é um momento no qual há boas oportunidades para a nossa indústria.
Nos últimos anos, o cinema brasileiro começou a ter maior exposição internacionalmente, com diretores que se consagraram fora do país, como Walter Salles e Fernando Meirelles. Isso coincide com o nascimento do Cinema Brasil. Juntando os dois lados da moeda, qual tem sido a repercussão do programa?
O Cinema Brasil existe desde 2006, é bastante recente. Sua criação coincide um pouco com essa nova etapa da indústria brasileira, em que há mais flexibilidade, com diretores importantes, mas também empresas que estão atuando nos mercados internacionais. O que podemos observar nesses quatro anos de atividade é que há uma dinâmica interessante na indústria e uma internacionalização da produção, com resultados bastante positivos. Para que se tenha uma idéia, começamos com a participação de 30 empresas e hoje temos 150. E acompanhamos diariamente os eventos e os negócios que são realizados. Se estão fazendo mais co-produções, se se realizam mais negócios...
E obviamente há um crescimento da indústria brasileira, apesar da crise...
Sim, acho que ainda que o contexto internacional seja de crise, a indústria brasileira tem uma estrutura, e por isso o crescimento se mantém. Nós mantemos a quantidade de produções e de investimento, o que é uma grande vantagem se pensamos em outros países que estão sofrendo mais. Estamos bem posicionados.
Que quantidade de produções anuais tem o Brasil e quais são seus mecanismos de financiamento?
Há cerca de 80 produções. Temos a Agência Nacional de Cinema (Ancine) e uma Lei de Cinema. Mas temos muitos mecanismos de financiamento públicos e privados, nacionais, regionais. Há uma combinação de investimentos públicos e privados. |
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Terça, 15 de Dezembro de 2009
Breve resumo de La Habana
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Terminou dia 13 de dezembro a 31ª edição do Festival de Cinema de La Habana, premiando os filmes latinos de maior destaque em 2009.
O primeiro lugar foi “inevitavelmente” para o título mais premiado do ano, “La teta asustada”, da peruana Claudia Llosa. Em seguida, vem o também premiadíssimo “La nana”, do chileno Sebastián Silva, e, em terceiro no pódio, aparece “Viajo porque preciso, volto porque te amo”, dos brasileiros Marcelo Gomes e Karim Aïnouz.
De olho na Colômbia
Indo além dos prêmios principais, já esperados, há destaques interessantes no resultado do festival este ano, como o prêmio de melhor filme do júri, que foi para o colombiano “El vuelco del cangrejo” (foto), de Oscar Ruiz Navia, que debuta com este filme na seara dos longas-metragens.
“El vuelco”, que estreará comercialmente na Colômbia no primeiro semestre de 2010, estreou internacionalmente na Semana da Crítica de Cannes-2010 e vêm chamando a atenção festivais afora. A história – de ritmo pausado e com a participação de atores não profissionais – acontece em La Barra, na costa do Pacífico na Colômbia, onde Cerebro, líder dos nativos afro-descendentes, o Paisa, poderoso dono de terras na região, Daniel, um tipo citadino e calado que está de visita, e outros personagens convivem nesta parte isolada e esquecida do país.
O trailer de “El vuelco” será lançado em breve e, para mais sobre o 31o Festival de Havana, clique aqui. |
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| Nome: | Janes Rocha | | Data: | 16/01/2010 | | Contato: | janes.rocha@gmail.com | | Comentário: | "La Teta Asustada" é um dos mais belos, simbólicos filmes que já vi. | | | | |
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Sexta, 11 de Dezembro de 2009
Cine latino em curtas: cinema argentino
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:: Novo filme de Rodrigo Moreno
Começou dia 9 de dezembro a filmagem do novo filme de Rodrigo Moreno (“El custodio”, de 2006), chamado “Un mundo misterioso”. O projeto é da Rizoma Films, em co-produção com a ROH Films, da Alemanha, e com a Control Z, do Uruguai. A história é de Boris e Ana, ambos com mais de 30 anos e que depois de conviver no mesmo apartamento há seis, decidem que precisam estar sozinhos. Leia aqui a sinopse original e aqui a entrevista de Moreno à Latina, feita em Rotterdam este ano.
:: O Oscar argentino
Já foram anunciadas as indicações para os Prêmios Sur, o Oscar argentino, que acontecem dia 15 de dezembro. Os mais-mais da competição são “El secreto de sus ojos”, de Juan José Campanella, com 17 indicações, depois “Las viudas de los jueves”, com 13, e “El niño pez”, de Lucía Puenzo, com oito. Veja a lista completa de participantes, por exemplo, aqui.
:: Documentários musicais em alta
De Barcelona chega a Buenos Aires a segunda edição do Festival In-Edit, destacando um novo gênero documental, em alta também na Argentina: o documentário musical. O evento começou ontem e vai até dia 14, destacando principalmente o rock, com shows que complementam a programação de filmes. Saiba mais no site do In-Edit. |
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Quinta, 10 de Dezembro de 2009
Entrevista: Betty M Park, diretora e produtora de
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Questão de intercâmbio cultural latino-americano: se poucos de nós, na América Latina, realmente conhecemos as culturas vizinhas - por exemplo, a da Bolívia com suas cholitas -, quantos podem comentar o mínimo que seja sobre cholitas lutadoras? Praticamente ninguém.
Uma cineasta norte-americana, de origem coreana, radicada no Brooklyn e com um olhar curioso e fresco sobre o assunto, decidiu averiguar o tema durante uma viagem à América do Sul e terminou esclarecendo muita coisa no seu documentário “Mamachas del ring”, lançado em 2009 e exibido durante as últimas edições do Bafici, em Buenos Aires, e da Mostra de Cinema, em São Paulo.
Uma história pra lá de interessante, além de pouco conhecida e, portanto, um filme imperdível. Saiba mais na entrevista exclusiva de Betty M Park à Latina.
Fale um pouco de você e de seu trabalho em cinema. O que motivou uma norte-americana de descendência coreana, vivendo no Brooklyn, a filmar cholitas lutadoras na Bolívia? É uma mistura interessante.
“Mamachas del ring” é meu primeiro documentário e filme, que realizei paralelamente ao meu trabalho diário em televisão como editora e produtora. Estudei Literatura Inglesa e Filosofia na universidade, assim que muito do que eu sei sobre cinema vem de experiências práticas.
Conheci as cholas lutadoras quando estava viajando no Peru e na Bolívia. Desde o primeiro momento que as vi, minha curiosidade foi aguçada. Era visualmente chocante ver as cholitas voando no ar com suas polleras [saias típicas], e, além disso, eu tinha muitas perguntas: quem eram elas, como lutavam, se era uma tradição de longa data ou um esporte moderno, se tinham famílias ou um trabalho de jornada completa, como equilibravam suas vidas vivendo numa sociedade que é vista como machista etc. E, uma vez que sinto curiosidade em relação a alguma coisa, é extremamente difícil para mim não persegui-la.
Como foi o processo de realizar o filme na Bolívia?
Foi uma experiência intensa. A equipe éramos somente eu e um diretor de fotografia, então tivemos que organizar todos os aspectos da produção. Além das partes criativas do filme, tivemos que lidar com a logística da viagem, refeições, saídas, locações etc. Mas a Bolívia é um país incrivelmente diverso geograficamente e culturalmente, e as pessoas que conhecemos foram maravilhosas. A filmagem foi realmente uma experiência que só acontece uma vez na vida.
Qual foi a trajetória do filme em termos de exibição e distribuição até agora?
O documentário ainda está passando por festivais, e estamos trabalhando para conseguir distribuição comercial.
Há muita discussão atualmente no mundo do cinema sobre a condição dos filmes independentes (muitas vezes classificada de crise), porque as estruturas tradicionais de distribuição não são mais relevantes. O problema é que ninguém descobriu até agora uma solução universal para o problema, mas há muita experimentação e pensamento criativo acontecendo.
Já veremos como “Mamachas” pode encaixar neste mundo do cinema independente em evolução...
Qual foi o feedback da participação do “Mamachas” na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo? O filme participou também de outros festivais sul-americanos?
Na América do Sul, “Mamachas” foi exibido primeiro no BAFICI, em Buenos Aires, e depois na Mostra de Cinema de São Paulo. Em termos de feedback da audiência, muitas pessoas vieram a mim e disseram que nunca imaginaram que este mundo de lutadoras bolivianas existia e que foi realmente interessante para elas ver as cholitas desde essa perspectiva.
As pessoas tendem a se apaixonar também pela personagem Carmen Rosa e realmente se sentem tocadas por sua situação, por causa das decisões difíceis que ela tem que tomar. Muitas mulheres, em particular, comentaram que se identificam com sua luta.
Mas o que realmente foi interessante pra mim é que o documentário tocou pessoas de diferentes idades, sexos e nacionalidades. Vi homens de meia-idade e meninas de nove anos demonstrar o mesmo nível de interesse pelo filme.
Como você vê a presença de filmes latinos nos Estados Unidos hoje?
Acho que existe um apetite para filmes latinos nos Estados Unidos, ainda que provavelmente seja mais entre as pessoas interessadas em “art cinema” – mas não necessariamente baseadas na comunidade latina. Ainda existe uma aversão a filmes com subtítulos no ambiente do cinema comercial, mas sempre há filmes fortes que rompem essas barreiras.
Quais são seus próximos projetos?
Meu próximo projeto, no qual estou trabalhando, é um longa-metragem de ficção. A premissa soa um pouco a ficção científica, mas a estética será mais realista. As questões fundamentais no filme são “o que seria uma boa vida e quanto custaria vivê-la?”, mas a história não será tão abstrata!
Como as pessoas podem chegar a ver o filme?
Já que estamos buscando distribuição, a melhor maneira de estar em dia com o filme é visitar o site e o blog para saber as novidades e conferir as novas exibições e o lançamento do DVD, que virá mais pra frente.
Por Camila Moraes |
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Quarta, 09 de Dezembro de 2009
Vários projetos latinos selecionados para o CineMart de Rotterdam
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CineMart, o mercado de co-produção do Festival de Rotterdam, anunciou os 33 projetos selecionados para sua 27ª edição, que acontece de 31 de Janeiro a 3 de fevereiro de 2010.
Entre escolhidos num total de 440 inscritos, quatro têm participação latino-americana. São: de “Another world”, do diretor argentino Alexis dos Santos (co-produção entre Reino Unido, Alemanha y México; foto), “Heli”, de Amat Escalante (México), “Leones”, de Jazmín López (co-produção entre Argentina y Francia), e “Todos nosotros”, o novo filme da diretora costa-riquense Paz Fábrega.
A seleção de 2010 do CineMart inclui projetos de vários diretores que competirão, com suas obras anteriores, em alguma das seções do amplo festival holandês.
Saiba mais no site do Festival de Rotterdam. |
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Segunda, 07 de Dezembro de 2009
Cinco latinos participam da próxima edição de Sundance
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Cinco filmes latino-americanos competirão na próxima edição do Festival de Cinema de Sundance, segundo informou a organização do evento dia 2 de dezembro.
Na competição internacional de documentários, da qual participam 12 títulos escolhidos entre 112 inscritos, a América Latina será representada por “Segredos da tribo”, do brasileiro José Padilha (“Tropa de elite”) e por “Pecados de mi padre”, uma co-produção entre Argentina e Colômbia dirigida por Nicolas Entel.
Na seleção de ficção, composta por 14 concorrentes, são três os latinos: “Contracorriente”, co-produção entre Colômbia, França, Alemanha e Peru, dirigida e escrita por Javier Fuentes-León, a argentina “El hombre de al lado”, de Mariano Cohn y Gastón Duprat, e a boliviana “Zona Sur”, de Juan Carlos Valdivia.
O festival de Sundance acontece entre os dias 21 e 31 de janeiro em Park City, Salt Lake City, Ogden e Sundance, no estado de Utah, e terá nesta edição uma nova seção competitiva, dedicada a realizações de baixo orçamento. A programação desta vez inclui 112 longas de 38 países, 43 dos quais são de diretores estreantes.
Mais no site do evento: festival.sundance.org.
(Via LatAm cinema) |
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